Crescimento de 260% do lucro e de 26% da receita: quem foi a campeã das empresas de tecnologia na temporada de balanços?
Vale lembrar que a queridinha do setor de inteligência artificial, a Nvidia (NVDA), será a última das big techs a publicar seus resultados em 17 de novembro, mas o balanço é analisado separado dos demais

A temporada de balanços nos Estados Unidos começa a perder tração e as principais empresas de tecnologia, as chamadas big techs, já publicaram seus resultados referentes ao 3T26.
Vale lembrar que ainda faltam os números da queridinha do setor de inteligência artificial, a Nvidia (NVDA), que será a última das big techs a publicar seus resultados no dia 17 de novembro, mas esse balanço é analisado à parte dos demais.
A grande vencedora dessa temporada parcial, portanto, foi a Meta Platforms (META), embora empresas como AMD (AMD) e Microsoft (MSFT) tenham apresentado forte expansão de receita.
Adona do Facebook, Instagram e WhatsApp combinou crescimento acelerado nas principais linhas financeiras, com salto expressivo dos lucros mesmo em meio aos elevados investimentos em inteligência artificial (IA).
Veja os números:
| Empresa | Receita (var. anual) | Lucro Líquido (var. anual) | EPS Diluído (var. anual) | Capex | Guidance / Próximo trimestre |
| AMD | US$ 13,38 bi (+45%) | US$ 2,43 bi (+95%) | US$ 1,46 (+95%) | US$ 648 mi | Receita de aproximadamente US$ 17 bi no 4T26 |
| Intel | US$ 16,5 bi (+21%) | US$ 3,3 bi (-18%) | US$ 0,60 (-33%) | Capex anual superior a US$ 20 bi | Receita entre US$ 15 bi e US$ 16 bi; EPS de US$ 0,10 (GAAP) e US$ 0,25 (não-GAAP) no 4T26 |
| Apple | US$ 114,5 bi (+12%) | US$ 30,7 bi (+11,8%) | US$ 2,10 (+14%) | Não informado | Não fornece guidance formal |
| Microsoft | US$ 92,3 bi (+19%) | US$ 36,6 bi (+32%) | US$ 4,92 (+32%) | US$ 45,2 bi | Receita entre US$ 96,0 bi e US$ 97,1 bi; crescimento do Azure de 49%-50% |
| Amazon | US$ 201,9 bi (+12%) | US$ 20,7 bi (-2%) | US$ 1,89 (-3%) | US$ 77,3 bi | Receita entre US$ 240 bi e US$ 247 bi no 4T26 |
| Meta | US$ 64,6 bi (+26%) | US$ 9,86 bi (+264%) | US$ 3,83 (+265%) | US$ 34,9 bi | Receita entre US$ 73 bi e US$ 76 bi no 4T26 |
| Alphabet (Google) | US$ 127,6 bi (+25%) | US$ 26,2 bi (-25%) | US$ 2,12 (-26%) | US$ 51,4 bi | Sem guidance trimestral; capex anual projetado entre US$ 195 bi e US$ 205 bi |
Meta Platforms (META): receitas e investimentos em alta
Olhando mais de perto para o balanço da Meta, a receita alcançou US$ 64,6 bilhões, avanço de 26% em relação ao mesmo período do ano passado.
O destaque, porém, ficou para a última linha do balanço: o lucro líquido disparou 264%, para US$ 9,86 bilhões, impulsionando o lucro por ação (EPS), que também avançou cerca de 265%, para US$ 3,83.
O desempenho colocou a Meta à frente das demais Big Techs em ritmo de crescimento dos resultados, superando concorrentes como Microsoft, Amazon, Alphabete Apple.
Mesmo acelerando os investimentos para sustentar sua estratégia de IA, a empresa manteve forte expansão operacional. Os desembolsos de capital (capex) somaram US$ 34,9 bilhões no trimestre, um dos maiores valores do setor — atrás apenas de Amazon, Alphabet e Microsoft em termos absolutos.
Apesar dos resultados sólidos, o alto nível de capex foi um um dos pontos de atenção, ao lado de um fluxo de caixa livre (FCF, na sigla em inglês) negativo e, US$ 2,1 bilhões no trimestre. Os analistas do Safra projetam que a companhia poderá permanecer com geração de caixa livre negativa até 2028devido ao forte ciclo de investimentos em infraestrutura de IA.
Ainda assim, a companhia conseguiu ampliar margens e entregar um crescimento do lucro muito superior ao da receita, sinalizando ganhos de eficiência e monetização dos serviços digitais.
Para o quarto trimestre, a administração projeta receita entre US$ 73 bilhões e US$ 76 bilhões, indicando que o ritmo de expansão deve permanecer robusto até o encerramento do ano.
A outra ponta dos balanços
Apesar do avanço das receitas e da forte demanda por infraestrutura de inteligência artificial, três das gigantes de tecnologia analisadas registraram queda no lucro líquido em relação ao mesmo período do ano anterior: Amazon, Alphabet (Google) e Intel.
No caso da Amazon, a empresa apresentou receita de US$ 201,9 bilhões, alta de 12%, mas o lucro líquido recuou 2%, para US$ 20,7 bilhões. Segundo a companhia, o resultado foi impactado pelo forte ciclo de investimentos em data centers e inteligência artificial.
Os desembolsos de capital chegaram a US$ 77,3 bilhões no trimestre, refletindo a expansão da infraestrutura necessária para sustentar a crescente demanda por serviços de nuvem e aplicações de IA da AWS. Ainda assim, a Amazon indicou que pretende manter um nível elevado de investimentos nos próximos trimestres, o que pode continuar pressionando parte da rentabilidade de curto prazo.
Já a Alphabet, controladora do Google, viu o lucro líquido cair 25%, para US$ 26,2 bilhões. A empresa atribuiu o desempenho principalmente ao aumento das despesas relacionadas à expansão da capacidade de computação para inteligência artificial e à aceleração dos investimentos em infraestrutura.
O capex atingiu US$ 51,4 bilhões no período e a administração reiterou a previsão de investimentos anuais entre US$ 195 bilhões e US$ 205 bilhões. Assim como a Amazon, a empresa destacou que a construção de novos data centers e a aquisição de equipamentos para IA continuarão elevando os gastos nos próximos períodos.
Por fim, a Intel registrou um crescimento das receitas de 21%, para US$ 16,5 bilhões, mas o lucro líquido caiu 18%, para US$ 3,3 bilhões. A fabricante de semicondutores afirmou que segue em um processo de transformação operacional e de expansão de sua capacidade fabril, o que elevou custos e despesas.
