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Mundo
31/07/2026
3 min

Crise em Ceuta: quase 40 mil migrantes marroquinos cruzam fronteira com a Espanha

Espanha e Marrocos aceleram devoluções, enquanto Exército reforça segurança após entrada recorde de migrantes em Ceuta

Crise em Ceuta: quase 40 mil migrantes marroquinos cruzam fronteira com a Espanha

Quase 40 mil migrantes cruzaram a fronteira entre Marrocos e o enclave espanhol de Ceuta nos últimos dias, segundo uma fonte policial ouvida pela AFP. A maior onda migratória desde 2021 levou o governo da Espanha a mobilizar o Exército para reforçar a segurança no território e acelerar a devolução de quem entrou de forma irregular.

As chegadas continuaram durante toda a noite e prosseguiram nesta sexta-feira, 31. Segundo a mesma fonte, ao menos 18 pessoas morreram durante a tentativa de travessia pelo mar, enquanto milhares de pessoas seguiram chegando ao enclave espanhol localizado na costa norte da África.

Ao mesmo tempo, centenas de migrantes que haviam entrado em Ceuta começaram a retornar voluntariamente ao Marrocos pelo quebra-mar de Tarajal, o mesmo ponto utilizado para acessar o território espanhol, constatou a Agência EFE.

Entradas e retornos ocorrem ao mesmo tempo

Na manhã desta sexta-feira, o cenário na fronteira era diferente do registrado um dia antes. A presença de militares e agentes da Guarda Civil foi reforçada, principalmente na região do quebra-mar e da alfândega de Tarajal, reduzindo o número de pessoas que tentavam entrar a nado.

Mesmo assim, pequenos grupos continuavam cruzando a fronteira enquanto outros faziam o caminho inverso. Muitos decidiram deixar Ceuta por conta própria após perceberem que dificilmente conseguiriam permanecer no território espanhol.

Soldados espanhóis orientam grupo de migrantes na praia durante retorno para o Marrocos na fronteira de Ceuta.

Soldados espanhóis monitoram o retorno voluntário de migrantes ao Marrocos após travessia na fronteira do enclave de Ceuta. (Jorge Guerrero/AFP)

"Aqui não temos nada para fazer, muitas voltas para nada", afirmou à EFE um jovem marroquino de 25 anos, natural de Tetuão, que retornava ao seu país acompanhado de amigos.

Do lado marroquino, milhares de jovens permaneceram reunidos durante a madrugada na cidade de Fnideq, próxima à fronteira. Muitos disseram ter ouvido rumores de que a passagem para Ceuta estaria aberta.

Espanha e Marrocos aceleram devoluções

O Ministério do Interior da Espanha informou que chegou a um acordo com Marrocos para devolver "o mais rapidamente possível" os migrantes que entraram irregularmente. Paralelamente, Rabat intensificou os controles em rodovias, transportes e áreas próximas à fronteira para evitar novas tentativas de travessia.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, visita Ceuta nesta sexta-feira acompanhado do ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska. A agenda inclui reuniões com as forças de segurança e autoridades locais para acompanhar a operação de contenção da crise.

Ainda não está claro o que desencadeou a nova onda migratória. O episódio, porém, remete à crise de maio de 2021, quando mais de 10 mil pessoas cruzaram a fronteira em apenas dois dias após o Marrocos flexibilizar os controles em meio a uma disputa diplomática com a Espanha sobre o Saara Ocidental.

A escalada também gerou reações de outros países. A França anunciou o reforço dos controles na fronteira com a Espanha diante do aumento do fluxo migratório, enquanto a Itália criticou a política migratória do governo espanhol e pediu sua suspensão temporária do espaço Schengen.

Autoridades da Casa Branca também repercutiram as imagens da travessia em manifestações sobre imigração. A nova crise ocorre poucos dias após a visita de Pedro Sánchez à Argélia, a primeira de um chefe de governo espanhol ao país em quatro anos, reacendendo especulações sobre um possível componente diplomático por trás da flexibilização da fronteira marroquina.

*Com AFP e EFE

AutorEstela Marconi
FonteExame
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