Crise no Estreito de Ormuz e combustíveis caros pesam sobre demanda global de petróleo, alerta AIE
A agência passou a projetar uma queda anual de 1,6 milhão de barris por dia, acima da contração de 1 milhão de barris que havia calculado em julho

A Agência Internacional de Energia (AIE) piorou sua previsão para oconsumo mundial de petróleo em 2026. Em relatório mensal publicado nesta quarta-feira, 12, a agência passou a projetar uma queda anual de 1,6 milhão de barris por dia, acima da contração de 1 milhão de barris que havia calculado em julho.
Com o ajuste, o consumo global do ano deve fechar em 103,29 milhões de barris por dia. "O fechamento prolongado do Estreito de Ormuz e a alta dos preços dos combustíveis continuam pesando sobre o consumo de petróleo", destacou a agência.
A agência projeta agora uma retração de 4,9 milhões de barris por dia no segundo trimestre e de 2,8 milhões no terceiro, com a demanda só voltando a crescer, em 580 mil barris por dia, no quarto trimestre.
A revisão para o segundo semestre foi de 550 mil barris por dia a menos na comparação com o relatório anterior, reflexo direto da interrupção nas cadeias de suprimento provocada pelo fechamento do estreito.
Preços do petróleo em montanha-russa
Os preços do petróleo tiveram um mês de oscilações. Depois de recuarem com as expectativas de um acordo diplomático entre Irã e Estados Unidos no fim de junho, dispararam para US$ 105 o barril em 23 de julho, quando o cessar-fogo ruiu e as hostilidades foram retomadas.
Estreito de Ormuz: bloqueio pressiona petróleo, gás e fertilizantes (Getty Images)
Produção do Golfo sobe, mas exportações despencam
A produção de petróleo no Golfo Pérsico cresceu 2,5 milhões de barris por dia em julho, alcançando 23,9 milhões, ainda 8,3 milhões abaixo do patamar anterior à guerra.
As exportações da região, mesmo somando rotas alternativas que driblam Ormuz, caíram 2,1 milhões de barris por dia, para 15 milhões, depois que o estreito voltou a ser efetivamente fechado no início de julho e ataques atingiram infraestrutura e navios-tanque.
Os carregamentos, que haviam chegado a 20 milhões de barris por dia no começo do mês, terminaram julho em torno de 12 milhões.
Sem um acordo que reabra Ormuz e garanta trânsito livre também pelo estreito de Bab el-Mandeb, a AIE cortou de novo sua estimativa de oferta para o restante do ano.
A produção global deve cair 4,3 milhões de barris por dia em 2026, para 102 milhões, já que o avanço de 1,4 milhão de barris nas Américas não é suficiente para compensar as perdas no Oriente Médio e na Rússia.
Estoques no menor nível em mais de um ano
O desequilíbrio entre oferta e demanda já aparece nos estoques. A AIE estima um déficit de 1,8 milhão de barris por dia no balanço global do terceiro trimestre, mais que o dobro dos 800 mil barris projetados no relatório anterior.
Depois de uma leve recuperação em junho, os estoques mundiais caíram 69 milhões de barris em julho, puxados quase inteiramente pela redução do volume de petróleo em trânsito nos navios.
No fim do mês, o volume total ficou abaixo de 7,9 bilhões de barris pela primeira vez desde abril de 2025. Desde fevereiro, a queda acumulada já soma 410 milhões de barris.
A AIE ainda projeta que o mercado volte a ter excedente no fim do ano, mas acrescenta que os riscos seguem altos enquanto o impasse em torno da reabertura das rotas no Oriente Médio não é resolvido.
