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InvestMercadosCMDT
09/09/2026
5 min

Crise no STF, corrida eleitoral e petróleo de volta aos US$ 100: o que move os mercados

A escalada da guerra mantém o petróleo próximo dos US$ 100 por barril e aumenta a preocupação dos investidores sobre um choque na inflação

Crise no STF, corrida eleitoral e petróleo de volta aos US$ 100: o que move os mercados

Depois da repercussão do feriado da Independência, a quarta-feira, 9, reserva uma agenda de indicadores mais esvaziada no Brasil e no exterior. Por aqui, o mercado digere uma nova rodada de pesquisas eleitorais e a escalada da crise no Supremo Tribunal Federal. No exterior, as atenções se voltam para o agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã, que empurra os preços do petróleo para perto dos US$ 100 por barril.

Pesquisas apertam a disputa presidencial

A pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta terça-feira, 8, mostrou Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados no primeiro turno, com 39% das intenções de voto para o presidente e 35% para o senador. Flávio ganhou dois pontos em uma semana, enquanto Lula se manteve estável. No segundo turno, o levantamento apontou Flávio à frente pela primeira vez, com 46% contra 45% de Lula, também dentro da margem de erro. O resultado reforça o cenário de equilíbrio já sugerido pela Quaest de segunda-feira, 7, que trazia empate em 41% a 41%.

Foi a primeira pesquisa divulgada após a eclosão da crise no STF, e os investidores tendem a acompanhar de perto como o embate no Judiciário se traduz na precificação dos ativos brasileiros a menos de um mês do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.

Crise no STF entra na campanha

A disputa pública entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, em torno da condução das investigações sobre o extinto Banco Master e das mensagens trocadas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ganhou novos capítulos nesta terça. Treze ex-ministros do Supremo, em carta aberta articulada por Celso de Mello, afirmaram que a Corte vive a mais aguda crise de sua história e pediram que o presidente do tribunal, Edson Fachin, convoque com urgência uma sessão pública do plenário.

Ainda nesta terça, Fachin intimou Mendonça a se manifestar em até 72 horas sobre o recurso da Advocacia-Geral da União contra a decisão do ministro de afastar preventivamente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência da corporação.

A AGU sustenta que o afastamento viola a prerrogativa constitucional do presidente da República de nomear a cúpula da PF. A crise já entrou no discurso dos presidenciáveis, com Flávio Bolsonaro defendendo a saída de Moraes e Lula cobrando esclarecimentos e mudanças no Judiciário.

Conflito EUA-Irã pressiona o petróleo

No exterior, o petróleo volta a ser aproximar dos US$ 100. Os preços avançaram depois que as forças americanas destruíram cinco petroleiros iranianos, segundo o Comando Central dos EUA, em retaliação a tentativas de ataque do Irã a um navio de guerra americano.

A ação se soma a outros três petroleiros atingidos no fim de semana e a uma resposta iraniana que mirou uma base americana na Jordânia. Em paralelo, militantes houthis, aliados do Irã, voltaram a atacar instalações de energia na Arábia Saudita.

O contrato do West Texas Intermediate (WTI)  para outubro subia cerca de 1,7%, para perto de US$ 94,60 por barril, enquanto o Brent (referência global) avançava para a casa dos US$ 99.

A escalada, já no sétimo mês do conflito, mantém o mercado atento ao risco de novas restrições de oferta. O Goldman Sachs avalia que a intensificação dos ataques ao transporte marítimo aumenta a probabilidade de o Brent superar US$ 120 por barril, embora o cenário-base do banco ainda seja o de recuperação gradual das exportações do Golfo Pérsico.

Indicadores no radar

De volta ao Brasil, a agenda do dia traz a produção e as vendas de veículos de agosto e o fluxo cambial estrangeiro.

Os principais indicadores econômicos da semana estão concentrados nos próximos dias. Na quinta-feira, 10, o mercado acompanha a decisão de política monetária do Banco Central Europeu. Na sexta-feira, 11, será a vez do IPCA de agosto no Brasil e do CPI dos Estados Unidos, ambos decisivos para as perspectivas de inflação e juros.

Lançamento da Apple

O mercado também fica de olho no evento da Apple nesta quarta, com atenção especial à reação dos investidores às novidades e à estratégia de preços. A apresentação ocorre em meio a expectativa elevada, com a estreia do primeiro iPhone dobrável e o lançamento concentrado nos modelos premium. Na véspera, as ações da Apple recuaram, sinal de que parte dos investidores pode estar mais cautelosa antes de conhecer os detalhes dos aparelhos.

Entre as principais dúvidas está o preço dos novos iPhones. O BofA estima alta de US$ 150 a US$ 200 nos modelos Pro, enquanto o Citi trabalha com aumento de cerca de US$ 200. Já o JP Morgan considera como cenário-base um reajuste de US$ 100, após revisar projeção anterior de US$ 50. Para o banco, a precificação será uma das principais variáveis para as ações, já que a Apple precisa equilibrar a demanda dos consumidores com a proteção das margens diante da alta dos custos de memória.

O mercado também monitora o risco de uma reação de "vender no fato" após o evento. Segundo o BofA, as ações da Apple historicamente têm reação inicial mais modesta depois dos lançamentos, mas tendem a se recuperar nos 30 a 60 dias seguintes. Nos três últimos ciclos, os papéis acumularam alta de 15% após 60 dias no lançamento da linha iPhone 17, de 3% no iPhone 16 e de 6% no iPhone 15. De 24 lançamentos desde 2007, apenas seis terminaram com queda das ações dois meses depois.

AutorRebecca Crepaldi
FonteExame
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