Crítica dos EUA ao Pix é como dizer que 'saneamento prejudicou caminhão pipa', diz Galípolo

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, respondeu às críticas dos Estados Unidos ao Pix durante a entrevista coletiva realizada pelo governo Lula para comentar o tarifaço anunciado por Washington. O sistema brasileiro de pagamentos foi citado pelo governo americano como um dos motivos para a imposição da tarifa de 25%, divulgada nesta quarta-feira.
"O argumento contra o Pix é o caso mais flagrante que tentam criar uma lógica para aplicar tarifas", disse. "Vamos seguir fornecendo o Pix como algo gratuito, seguro e instantâneo".
Segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, a nova tarifa deverá atingir cerca de 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos. Com base nos dados de 2024, esse percentual representa aproximadamente US$ 7,4 bilhões.
A medida foi adotada após a conclusão da investigação conduzida com base na Seção 301 pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). O procedimento avaliou alegações de supostas práticas comerciais desleais e investigou se iniciativas brasileiras, como a adoção do Pix, o desmatamento ilegal e as dificuldades enfrentadas pelos EUA para acessar o mercado brasileiro de etanol, causariam prejuízos a empresas americanas.
Em resposta às justificativas apresentadas pelos Estados Unidos, o governo Lula reuniu integrantes da administração federal para contestar as acusações.
"A argumentação seria mais ou menos como tentar dizer que criar saneamento básico comprometeria receita de caminhão-pipa", disse Galípolo.
O presidente do Banco Central também afirmou que o uso de cartões cresceu 150% desde a criação do Pix, contrapondo a tese de que a ferramenta teria afetado negativamente empresas americanas.
"Pix foi benéfico para quem demanda e para quem oferta".
