CSN (CSNA3) põe siderúrgica alemã à venda; negócio de R$ 3,1 bilhões vai resolver sua dor de cabeça bilionária?
Companhia negocia a venda de sua operação na Alemanha por 550 milhões de euros; veja o impacto estimado pelos analistas

A CSN (CSNA3) tem uma dívida líquida de mais de R$ 42 bilhões para administrar. Para aliviar essa conta, a companhia negocia a venda de uma siderúrgica na Alemanha, em mais um passo na estratégia de se desfazer de ativos para reforçar o balanço.
O acordo vinculante anunciado na sexta-feira (9) prevê a venda de toda a participação na Stahlwerk Thüringen (SWT), com valor de firma (EV) estimado em 550 milhões de euros (cerca de R$ 3,1 bilhões), para o grupo espanhol Megasa, caso as negociações avancem.
A CSN comprou a siderúrgica em 2012, como parte de seu plano de expansão internacional e fortalecimento do negócio de aços longos.
A operação ainda não foi concluída. O acordo prevê um período de exclusividade de até dez semanas para a negociação dos contratos definitivos, além do cumprimento das condições habituais para esse tipo de transação.
Em fato relevante, a CSN afirmou que a potencial venda representa mais uma etapa de seu programa de desinvestimentos, voltado à redução do endividamento. Há meses, a companhia busca levantar recursos com a venda de ativos para aliviar a pressão sobre a estrutura de capital.
Venda pode resolver a dor de cabeça da CSN (CSNA3)?
Para a XP Investimentos, a operação é marginalmente positiva. O valor negociado equivale a cerca de 9 vezes o Ebitda da siderúrgica alemã, segundo as estimativas da corretora, acima das aproximadamente cinco vezes pelas quais a própria CSN é negociada.
A transação também pode reduzir a alavancagem — relação entre dívida líquida e Ebitda — de cerca de 3,5 vezes para 3,3 vezes, em uma estimativa que considera os efeitos da venda.
“Embora não seja transformacional isoladamente, a transação representa mais um passo em direção ao fortalecimento do balanço patrimonial”, afirmam os analistas da XP.
Na avaliação da corretora, o movimento pode ajudar a reduzir parte das preocupações dos investidores com o endividamento da companhia.
O efeito final, contudo, dependerá da conclusão do negócio e da destinação dos recursos. A venda pode contribuir para melhorar os indicadores financeiros, mas não elimina, por si só, o desafio de administrar uma dívida que supera R$ 42 bilhões.
Quem é a potencial compradora?
A Megasa é um grupo siderúrgico espanhol com operações na Espanha, em Portugal e na França. A companhia atua principalmente na produção de aços longos, utilizados na construção civil e em aplicações industriais.
Instalada em Unterwellenborn, na Alemanha, a SWT tem capacidade para produzir 1,1 milhão de toneladas de aço por ano e fabrica perfis utilizados em estruturas e projetos industriais.
A CSN adquiriu a unidade em 2012, buscando diversificar seu portfólio e ampliar sua presença internacional.
CSN sofre com endividamento elevado
A CSN encerrou o segundo trimestre de 2026 com dívida líquida de R$ 42,13 bilhões, ante R$ 35,65 bilhões um ano antes e R$ 40,50 bilhões no primeiro trimestre deste ano.
A alavancagem subiu para 3,49 vezes, contra 3,36 vezes no trimestre anterior.
No período, a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 773 milhões, alta de 494,6% em relação à perda de R$ 130 milhões no segundo trimestre de 2025.
Segundo a CSN, o resultado foi pressionado por despesas financeiras maiores, relacionadas à variação cambial, e pela comparação com o ano anterior, quando houve reversões extraordinárias de contingências.
A operação, porém, apresentou melhora na comparação anual. O Ebitda ajustado avançou 4,9%, para R$ 2,77 bilhões, enquanto a receita líquida cresceu 5,7%, para R$ 11,30 bilhões.
