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13/08/2026
5 min

CSN (CSNA3) sobe até 6% após balanço melhor que o esperado; o que ainda preocupa os analistas?

A CSN (CSNA3) reportou um balanço no segundo trimestre de 2026 (2T26) melhor do que o esperado pelas instituições financeiras, com o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) sendo o destaque positivo do resultado. Ainda assim, os bancos seguem cautelosos em relação à CSN, visto que a dívida segue pressionada e a […]

CSN (CSNA3) sobe até 6% após balanço melhor que o esperado; o que ainda preocupa os analistas?

A CSN (CSNA3) reportou um balanço no segundo trimestre de 2026 (2T26) melhor do que o esperado pelas instituições financeiras, com o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) sendo o destaque positivo do resultado.

Ainda assim, os bancos seguem cautelosos em relação à CSN, visto que a dívida segue pressionada e a discussão da venda de ativos deve seguir no radar dos investidores.

A CSN reportou prejuízo líquido de R$ 773 milhões no 2T26, aumentando as perdas em 494,6% ante os R$ 130 milhões apurados entre abril e junho de 2025.

No período atual, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado fechou em R$ 2,77 bilhões, alta de 4,9% na comparação anual. Já a receita líquida atingiu R$ 11,30 bilhões, aumento de 5,7% frente ao segundo trimestre de 2025.

A empresa encerrou junho com dívida líquida de R$ 42,13 bilhões, de R$ 35,65 bilhões registrados no segundo trimestre de 2025 e R$ 40,50 bilhões no primeiro trimestre deste ano.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), CSNA3 subia 4,86% (R$ 4,53). Na máxima, a ação chegou a salta 6,02% (R$ 4,58).



Melhor do que previsto, mas dívida não tem alívio

Para o BTG Pactual, a CSN apresentou resultados operacionais de destaque melhores do que o temido, mas a falta de progresso no balanço patrimonial deve continuar sendo um importante fator negativo para a tese de investimento da ação.

Em uma visão mais ampla, o banco avalia que um ganho de aproximadamente R$ 100 milhões no Ebitda pouco contribui para resolver o principal desafio da companhia: uma dívida líquida de R$ 42 bilhões.

O BTG calculou novamente um fluxo de caixa livre (FCF) negativo de aproximadamente R$ 700 milhões, embora esse cálculo exclua o aumento de R$ 1,2 bilhão nos adiantamentos relacionados ao minério de ferro.

Com isso, pelas estimativa do banco, a relação dívida líquida/Ebitda piorou ainda mais, para 3,49x, ante 3,36x no primeiro trimestre de 2026, o que merece atenção.

No operacional, o BTG destaca que o Ebitda foi de R$ 2,77 bilhões, 7% acima da estimativa, impulsionado por Ebitda mais forte na siderurgia e por melhores resultados na área de energia, que foram inflados por itens não recorrentes.

“Como temos destacado há algum tempo, a CSN continua sendo, em grande medida, uma tese de ‘show me’ em relação à venda de ativos — ou seja, o mercado precisa ver a execução concreta dessas vendas antes de ganhar confiança. A teleconferência de resultados de amanhã será importante para avaliar o progresso nessa frente, especialmente em relação à venda da operação de cimento“, detalham os analistas do banco.

O BTG segue com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 10 para CSN, com potencial de valorização de 121,24% em relação ao fechamento anterior (12).

Alavancagem ainda elevada

O Itaú BBA considerou positivo o resultado da CSN no 2T26, destacando a alta de 5% do Ebitda na comparação trimestral, 10% acima do estimado pelo banco.

O resultado acima da projeção do BBA foi impulsionado por desempenhos melhores da divisão de siderurgia, refletindo um desempenho melhor em termos de custos, e de energia, beneficiada por ganhos não recorrentes.

Ainda assim, o banco de investimentos afirma que a alavancagem financeira continua elevada, em 3,5x, mas a administração destacou que a companhia permanece focada em alongar o perfil de vencimento de sua dívida, priorizando operações de prazo mais longo e alternativas no mercado de capitais.

“Acreditamos que as alternativas para melhorar a estrutura de capital da CSN continuarão sendo o principal ponto a ser acompanhado pelos investidores nos próximos meses”, diz o BBA.

O banco segue com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 7,50, o que implica um potencial de valorização de 75,2% ante o fechamento anterior.

Queima de caixa ofusca Ebitda

O Bank of America (BofA) avalia que, apesar do resultado acima do esperado da CSN, o impacto foi ofuscado pela contínua queima de caixa.

O banco estima que o fluxo de caixa livre da CSN seja negativo em R$ 2,1 bilhões, ajustado por uma cessão de recebíveis de R$ 239 milhões. Segundo os analistas Caio Ribeiro, Guilherme Rosito e Mariana Leite, o FCF foi impactado neste trimestre por uma amortização de pré-pagamento de R$ 1,1 bilhão. Excluindo esse valor, o fluxo de caixa foi negativo em R$ 971 milhões.

Ao considerar pagamento antecipados, os analistas do BofA estimam que a alavancagem da CSN salte de 3,49 vezes a relação dívida líquida/Ebitda para 4,57 vezes.

“Além disso, a queima contínua de caixa aumenta a pressão sobre a liquidez da CSN, evidenciando a necessidade de vendas de ativos no curto prazo”, afirma o banco.

O BofA mantém recomendação de venda para CSN, sem mencionar o preço-alvo.

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AutorAnna Scabello
FonteMoney Times
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