CSN (CSNA3) tem prejuízo líquido quase 500% maior, e alta no Ebitda nem fez cócegas no seu maior problema
CSN enfrenta prejuízo elevado devido a altos custos financeiros, enquanto melhora operacional e aumento do Ebitda não aliviam aumento da dívida líquida

Apesar de uma melhora operacional, a CSN (CSNA3) continua sofrendo com um problema antigo. O seu alto custo de capital e endividamento levaram a empresa a registrar prejuízo líquido de R$ 773 milhões no segundo trimestre de 2026, aumentando as perdas em 494,6% ante os R$ 130 milhões apurados entre abril e junho de 2025.
De acordo com a companhia, o resultado representa uma piora quando comparado com o trimestre anterior, como consequência das maiores despesas financeiras relacionadas à variação cambial que acabou por anular a melhor performance operacional verificada no período.
“Por sua vez, quando se compara com o mesmo período de 2025, a variação foi ainda maior como resultado do impacto extraordinário das reversões de contingências observadas naquele período”, diz a CSN.
Os resultados da CSN
Apesar do tombo e prejuízo maior, os resultados não foram tão ruins quanto o temido por investidores e analistas.
Os resultados operacionais vieram melhores que o ano passado. No período atual, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado fechou em R$ 2,77 bilhões, alta de 4,9% na comparação anual.
Já a receita líquida atingiu R$ 11,30 bilhões, aumento de 5,7% frente ao segundo trimestre de 2025.
Segundo o Itaú BBA, a CSN teve resultados positivos na sua divisão de aço, com uma performance melhor de preços, e na divisão de energia, com um ganho não recorrente.
A melhora sequencial foi impulsionada principalmente pelos resultados mais fortes das divisões de aço, energia e logística ferroviária, que mais do que compensaram o desempenho mais fraco do segmento de mineração", disse o Itaú BBA em relatório.
Ebitda não faz nem cócegas na dívida
O Ebitda, cerca de R$ 100 milhões acima do esperado pelo BTG e 10% acima das expectativas do Itaú BBA, mal faz cócegas diante do maior problema da companhia.
A empresa encerrou junho com dívida líquida de R$ 42,13 bilhões, de R$ 35,65 bilhões registrados no segundo trimestre de 2025 e R$ 40,50 bilhões no primeiro trimestre deste ano.
A relação entre a dívida líquida e o Ebtida piorou ainda mais, para 3,49 vezes, ante 3,36 vezes no trimestre anterior, o que chama a atenção do BTG.
Embora a venda da CSN Cimentos, um dos principais motores para a redução da dívida, esteja avançando, o BTG ainda prefere esperar para ver como essa história irá se desenrolar. Por enquanto, o banco acredita que há pouca visibilidade em relação ao processo de desalavancagem.
"Alternativas para endereçar a estrutura de capital continuarão sendo o ponto chave para os investidores nos próximos meses", escreveu o Itaú BBA.
Os resultados da CSN Mineração
A CSN Mineração (CMIN3) registrou lucro líquido de R$ 219,4 milhões no segundo trimestre de 2026, crescimento de quase 90% em relação ao mesmo trimestre de 2025, segundo balanço divulgado na noite de quarta-feira (12).
O resultado operacional medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado recuou cerca de 20% ano a ano, alcançando a cifra de R$ 1,02 bilhão. A mineradora sofreu com um custo de frete maior com o aumento do preço dos combustíveis e uma manutenção programada.
Analistas consultados pela LSEG esperavam Ebitda ajustado de R$ 964 milhões.
A receita líquida ajustada do grupo–que não considera os custos de frete e seguro marítimo–caiu quase 16% a R$ 2,87 bilhões.
Segundo a empresa, o lucro refletiu a recuperação de créditos tributários, a melhora do resultado de equivalência patrimonial e um menor impacto da variação cambial sobre o resultado financeiro, acrescentou a CSN Mineração.
“Apesar do elevado volume de vendas e da manutenção do preço do minério ao longo do trimestre, o desempenho foi impactado pela apreciação cambial e pelo aumento dos custos de frete, pressionados pela guerra entre Estados Unidos e Irã,” acrescentou.
