CSN troca Steinbruch e ex-CEO da Vale assume comando da empresa
BTG Pactual vê troca como positiva, mas diz que execução será decisiva para a tese da CSN

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) terá uma mudança no comando executivo a partir desta quinta-feira, 3. Benjamin Steinbruch deixa o cargo de CEO e passa a ocupar a presidência do conselho de administração. Para o lugar dele, assume Fabio Schvartsman, executivo que já comandou a Vale.
A troca foi aprovada pelo colegiado e comunicada pela CSN ao mercado na quarta-feira, 2. A companhia não apresentou, no fato relevante, detalhes sobre os motivos da mudança ou sobre os planos de Schvartsman à frente da operação.
A mudança ocorre em um momento em que a CSN busca reduzir o endividamento e avançar na venda de ativos. Em relatório divulgado após o anúncio, analistas do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) avaliaram a escolha de Schvartsman como positiva.
"A nomeação de Fabio Schvartsman como novo CEO da CSN, em substituição a Benjamin Steinbruch, foi inesperada, mas é uma notícia bem-vinda, em nossa visão", disseram.
Quem é Fabio Schvartsman
Schvartsman é um executivo com experiência nos setores de mineração, siderurgia, papel e celulose e infraestrutura. Ele foi presidente da Vale e também tem vasta experiência na Klabin e na Ultrapar.
O BTG destacou que a mudança pode trazer mais clareza à estrutura de liderança e ao planejamento de sucessão da companhia.
A experiência de Schvartsman, para o banco, pode ser importante para uma eventual mudança de foco da CSN, especialmente em temas como redução da dívida, alocação de capital e venda de ativos.
Steinbruch, por sua vez, continuará diretamente envolvido na companhia como presidente do conselho. Na avaliação do BTG, a permanência do executivo nessa posição torna a mudança uma evolução da estrutura de comando da CSN, e não um afastamento do principal acionista da gestão da empresa.
Pressão por desalavancagem
Um dos principais desafios que Schvartsman encontrará na CSN é o elevado nível de endividamento. O BTG destaca que a alavancagem permanece acima de três vezes e que a geração de caixa livre ainda é pressionada. A venda de ativos, portanto, aparece como uma das principais frentes para a nova gestão.
O banco destacou que Schvartsman "compreende o que é necessário para recuperar a confiança dos investidores e reformular a tese de investimento da CSN".
"Para além de um foco potencialmente maior na redução do endividamento, na alocação de capital e na venda de ativos, essa mudança também deve trazer mais clareza à estrutura de liderança e ao planejamento de sucessão da empresa", acrescentaram os analistas.
A CSN tem como ambição reduzir a dívida em R$ 18 bilhões a R$ 20 bilhões por meio de seu programa de desinvestimentos. Entre os ativos que podem entrar nessa estratégia estão a CSN Cimentos, participações minoritárias em infraestrutura e energia e ativos internacionais.
A companhia também considera, mais adiante, a possibilidade de um parceiro estratégico para o negócio de aço.
A venda da CSN Cimentos é apontada pelo BTG como uma peça importante desse plano. De acordo com o relatório, a companhia recebeu propostas e esperava levar cerca de 45 dias para escolher a melhor oferta, com possibilidade de conclusão da operação até novembro.
Como o mercado deve reagir
O BTG Pactual vê que a troca tende a ser bem recebida pelo mercado porque responde a preocupações antigas dos investidores. Os analistas mantiveram recomendação "neutra" para as ações (CSNA3), com preço-alvo de R$ 10.
Na análise do banco, será necessário observar avanços concretos na venda de ativos, na redução da dívida e na recuperação da geração de caixa antes de uma visão mais otimista sobre a companhia.
