Cultura, IA e comunidades: o que líderes de grandes empresas discutiram no NEEX 2026
Painéis com líderes da OpenAI, ElevenLabs, Cimed e Aventura abordaram os desafios de construir marcas e empresas em um cenário de transformação

Antes de serem reveladas as empresas que mais cresceram em receita no último ano, o Ranking EXAME Negócios em Expansão 2026 também reuniu empresários e executivos para discutir os desafios de construir negócios em um ambiente marcado por transformação tecnológica, mudanças no comportamento do consumidor e busca por novas formas de relacionamento com clientes.
Realizado pela EXAME em parceria com o BTG Pactual Empresas, o evento teve uma programação de painéis com nomes como Luiz Calainho, co-CEO da Aventura e CEO da L21 Corp; Eduardo Villalba, head de Enterprise Marketing da ElevenLabs no Brasil; Christian Rôças, head de Comunidades, Influencers e Talento Latam da OpenAI; João Adibe, presidente da Cimed; e Karla Marques Felmanas, vice-presidente da Cimed.
Economia criativa é negócio que pode transformar a imagem do Brasil
Na abertura da programação, Luiz Calainho falou sobre a relação entre empreendedorismo, cultura e economia criativa. Para o executivo, arte e cultura deixaram de ser vistas apenas como entretenimento e passaram a ocupar espaço como uma indústria capaz de gerar negócios, empregos e posicionamento para marcas e países.
“Arte e cultura são sim um negócio. Arte e cultura movem o nosso país”, afirmou Calainho durante o painel.
Luiz Calainho, co-CEO da Aventura e CEO da L21 Corp: empreendedor destacou o potencial da economia criativa como negócio e vetor de desenvolvimento do país (Eduardo Frazão/Exame)
O executivo, que também lidera a L21 Corp, contou sua trajetória no mercado de música e entretenimento, passando pela Sony Music antes de empreender. Segundo ele, uma das características essenciais de quem empreende é a capacidade de buscar referências e transformar experiências em novas oportunidades.
“Empreender significa ser curioso. É olhar referências e trazer essas referências para a sua jornada”, disse.
Calainho também destacou o papel da economia criativa no desenvolvimento econômico. Segundo ele, o setor representa 3,3% do PIB brasileiro e movimenta centenas de bilhões de reais por ano.
Para o empresário, empresas também podem usar cultura como ferramenta estratégica. “Investir em arte e cultura também é uma forma de posicionar a sua marca”, afirmou.
IA amplia possibilidades para marcas criarem uma identidade de voz
O painel com Eduardo Villalba, head de Enterprise Marketing da ElevenLabs no Brasil, mediado por Leonardo Cirino, CMO da EXAME, abordou como a inteligência artificial está mudando a relação entre marcas e consumidores.
O executivo explicou o conceito de voice design, ou seja, a criação de uma identidade sonora própria para empresas. Segundo Villalba, marcas passaram a olhar além da identidade visual e podem construir também uma personalidade por meio da voz.
“A sua marca, além de ter uma identidade visual muito bem segmentada, pode pensar em como ser reconhecida pela voz da sua marca também”, afirmou.
Eduardo Villalba, head de Enterprise Marketing da ElevenLabs no Brasil, e Leonardo Cirino, CMO da EXAME: executivos falaram sobre como inteligência artificial pode criar novas identidades de voz para as marcas (Eduardo Frazão/Exame)
Durante a apresentação, Villalba mostrou aplicações da tecnologia para criar vozes sintéticas mais humanizadas, capazes de interagir com consumidores em diferentes contextos.
Para ele, a evolução da inteligência artificial abre espaço para empresas de diferentes tamanhos explorarem recursos que antes estavam restritos a grandes companhias.
“Pela primeira vez, a voz que uma marca pode ser de fato falada. A voz realmente pode virar a marca”, disse.
Comunidades podem virar vantagem competitiva para empresas
O executivo Christian Rôças, head de Comunidades, Influencers e Talento Latam da OpenAI, falou sobre como empresas podem criar relacionamentos mais profundos com clientes e usuários.
Ao lado de Gabriel Motomura, sócio do BTG Pactual Empresas, Rôças explicou que comunidade não deve ser confundida com audiência ou simplesmente grupos de pessoas reunidas em aplicativos de mensagem.
Segundo ele, comunidades envolvem relacionamento contínuo, troca e senso de pertencimento.
“Comunidade é uma relação contínua, tendo uma troca de membros, tendo uma cultura própria, tem um senso de pertencimento de alguma maneira”, afirmou.
Christian Rôças, head de Comunidades, Influencers e Talento Latam da OpenAI, e Gabriel Motomura, sócio do BTG Pactual Empresas: executivos falaram sobre como comunidades podem gerar relacionamento e vantagem competitiva para empresas (Eduardo Frazão/Exame)
O executivo destacou que empresas precisam começar pela escuta e pelo entendimento das pessoas que já possuem conexão com a marca.
“Eu começaria focando nas pessoas que estão voltando espontaneamente para o seu negócio. Quem são as pessoas que estão interessadas em trocar contigo e contar o que está funcionando e o que não está”, disse.
Para Rôças, a construção de comunidades exige tempo e não pode ser tratada apenas como uma estratégia imediata de vendas.
“Quem quer falar com todo mundo não vai falar com ninguém”, afirmou.
Cimed aposta em regionalização, sucessão familiar e construção de marcas
Encerrando a programação, João Adibe, presidente da Cimed, e Karla Marques Felmanas, vice-presidente da companhia, compartilharam a trajetória da empresa familiar, os desafios da sucessão e a estratégia de expansão.
Adibe destacou que um dos diferenciais para crescer em um país de dimensões continentais é compreender as particularidades regionais.
“O Brasil é dez países. Se você quer ter uma empresa nacional hoje, se você não tiver um pensamento regional, você não consegue entender as oportunidades de cada estado”, afirmou.
Os executivos também falaram sobre a preparação da próxima geração para assumir responsabilidades dentro da companhia.
João Adibe, presidente da Cimed: executivo destacou a importância da regionalização e da proximidade com consumidores para expandir negócios no Brasil (Eduardo Frazão /Exame)
Segundo Karla, o processo de sucessão exige dar espaço para que novos líderes construam suas próprias trajetórias.
“A primeira coisa que a gente tem que fazer com os nossos filhos é deixar eles terem protagonismo no nosso próprio negócio”, disse.
Durante a conversa, os executivos também abordaram a estratégia de construção de marcas da Cimed e o uso das redes sociais para aproximar consumidores da companhia.
Para João Adibe, empresas precisam colocar pessoas no centro da comunicação.
“Produto não fala. Quem fala são pessoas”, afirmou.
Sobre o Ranking EXAME Negócios em Expansão 2026
O Ranking EXAME Negócios em Expansão, o NEEX, reconhece empresas privadas brasileiras em trajetória de crescimento. A edição de 2026 recebeu 838 inscrições e selecionou 491 empresas, que juntas alcançaram R$ 42 bilhões em receita operacional líquida em 2025.
O ranking considera principalmente o crescimento percentual da Receita Operacional Líquida (ROL) entre 2024 e 2025. As companhias são divididas em categorias de acordo com o tamanho da operação, permitindo a comparação entre negócios em estágios semelhantes.
Em 2026, o prêmio ganhou uma nova categoria para empresas com receita entre R$ 600 milhões e R$ 1 bilhão, ampliando o acompanhamento de negócios em trajetória acelerada de crescimento.
As categorias desta edição são:
- Novatas;
- R$ 2 milhões a R$ 5 milhões;
- R$ 5 milhões a R$ 30 milhões;
- R$ 30 milhões a R$ 150 milhões;
- R$ 150 milhões a R$ 300 milhões;
- R$ 300 milhões a R$ 600 milhões;
- R$ 600 milhões a R$ 1 bilhão.
Assista à transmissão completa do Negócios em Expansão 2026 no YouTube da EXAME:
