Cury avalia rivais, diz que Flávio tenta ‘resgatar’ pai e critica nova candidatura de Lula
O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) afirmou que Flávio Bolsonaro (PL) tenta “resgatar” o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, questionou a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de disputar uma quarta eleição ao Planalto e disse ter convidado Ronaldo Caiado (PSD) para comandar um eventual Ministério da Segurança em seu governo. […]

O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) afirmou que Flávio Bolsonaro (PL) tenta “resgatar” o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, questionou a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de disputar uma quarta eleição ao Planalto e disse ter convidado Ronaldo Caiado (PSD) para comandar um eventual Ministério da Segurança em seu governo.
As declarações foram dadas nesta quarta-feira (2) durante uma dinâmica do SaladaCast em que Cury foi convidado a comentar seus adversários na disputa presidencial.
Ao falar sobre Flávio, Cury afirmou que o candidato “está lutando também para resgatar, não apenas o País, mas está querendo resgatar o seu pai”. O escritor acrescentou que eventuais questionamentos envolvendo o candidato do PL devem ser analisados pela Justiça.
“Não vou ser eu que vou condená-lo, é a Justiça. Ninguém está isento de investigação.”
Cury foi mais crítico ao comentar a candidatura de Lula. “Eu fico muito triste. Para que Lula da Silva, a quarta candidatura, para quê? Por que não renovar? Eu não entendo essa necessidade ansiosa de perpetuar-se no poder”, afirmou.
Apesar da crítica, o candidato elogiou o Bolsa Família, que classificou como “um projeto importante”, e defendeu mudanças para permitir que beneficiários entrem no mercado formal de trabalho sem perder imediatamente o auxílio. Cury também sugeriu que o benefício seja mantido temporariamente para quem abrir uma microempresa.
Ao avaliar Caiado, Cury disse gostar do governador de Goiás, a quem chamou de amigo e colega médico, e afirmou, em tom de brincadeira, já ter feito um convite para que ele participe de um eventual governo. “Caiado, se eu chegar na Presidência, nós vamos dividir o Ministério da Justiça e o Ministério da Segurança e você vai assumir o Ministério da Segurança e vai ser o xerife do Brasil”, relatou. Segundo Cury, Caiado reagiu com risadas à proposta.
Cury afirmou ainda que gostaria de incluir Caiado em seu projeto político, apesar de considerar que a posição mais à direita do candidato do PSD dificulta sua proposta de “pacificar a nação”.
Sobre Renan Santos (Missão), Cury acusou o adversário de fazer afirmações “inverídicas” ao associá-lo ao Banco Fictor e ao Banco Master. Disse ser credor da Fictor, e não responsável pela empresa, mas afirmou torcer pelo rival. “Ele é um garoto bom”, disse, antes de aconselhá-lo a ter “menos brigas, menos ego e mais gentileza” e apresentar mais projetos.
Ao comentar Romeu Zema (Novo), Cury afirmou que tentou construir uma composição com o ex-governador de Minas Gerais e o elogiou como uma pessoa “humilde” e “boa”. Segundo o candidato do Avante, a aproximação não avançou porque o partido de Zema optou por uma candidatura própria, mas ele disse que pretende manter diálogo caso chegue à Presidência.
Redes sociais, inteligência artificial e drones
Augusto Cury também se defendeu de críticas ao crescimento de sua candidatura nas redes sociais e a propostas apresentadas durante a campanha. Ele rejeitou acusações de compra de seguidores e influenciadores, negou que pretenda substituir servidores públicos por inteligência artificial e voltou a defender o uso de drones na segurança pública.
Ao falar da repercussão digital de sua candidatura, Cury atribuiu parte dos ataques a uma “indústria dos haters” e disse haver uma mobilização espontânea em torno de seu nome. No chat da transmissão, apareceram mensagens repetidas de apoio a Renan Santos e críticas ao candidato do Avante, incluindo acusações de uso de bots e questionamentos sobre seu desempenho nas pesquisas diante da audiência da live.
Cury também contestou a interpretação de que sua proposta de uso de inteligência artificial significaria substituir servidores públicos.
“Vocês só vão ser equipados e treinados para prestar o melhor serviço”, afirmou. Segundo ele, o governo avaliaria quais cargos comissionados e políticos são essenciais.
O escritor voltou ainda à repercussão de sua proposta de uso de drones na segurança pública, apresentada durante entrevista ao Jornal Nacional. Em tom de brincadeira, falou em “dronefobia” e afirmou que houve ênfase excessiva no assunto.
“Isso era apenas um detalhe em centenas de detalhes sobre segurança. Mas pegaram um detalhe”, disse. Cury afirmou que os equipamentos poderiam emitir sinais de alerta, registrar imagens e utilizar reconhecimento facial e térmico.
Fim da reeleição e mandato para ministros do STF
Cury também afirmou ser favorável ao fim da reeleição e propôs estabelecer mandato de oito anos para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), em substituição à atual vitaliciedade.
“Eu sou contra a reeleição. Nós teríamos que ter um mandato e ir embora para nunca mais voltar”, afirmou.
Na sequência, Cury disse que tem discutido com juristas uma mudança no modelo do Supremo. “Oito anos e ir embora, terminar a vitaliciedade e vão embora. Assim como um senador fica oito anos, também um ministro do Supremo Tribunal Federal.”
Segundo o candidato, a alteração exigiria uma mudança na Constituição. Cury afirmou que a limitação do mandato permitiria renovação periódica da Corte e criticou ministros que, na avaliação dele, tentam “legislar” em vez de atuar apenas como guardiões da Constituição.
Questionado depois sobre as revelações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e ministros do STF, Cury repetiu que nenhuma autoridade deve estar livre de investigação.
“Se há suspeita, tem de ser investigado, seja qual for. O presidente, ministros, congressistas e também ministro do STJ, do STF ou qualquer outro cargo”, disse. “Se provar que houve culpa, tem de ser condenado. Se provar que não houve culpa, está isento.”
