Cury (CURY3): Ações recuam 5% após prévia do 2T26; o que dizem os analistas?

Negociadas dentro do Ibovespa, as ações da Cury (CURY3) operam em queda nesta quarta-feira (8), um dia após a construtora divulgar sua prévia operacional do segundo trimestre de 2026 (2T26).
Apesar do movimento negativo do mercado, que opera majoritariamente no vermelho hoje, analistas avaliam que os indicadores vieram “sólidos” e reforçaram a boa execução da companhia.
Por volta das 10h50 (de Brasília), os papéis da incorporadora recuavam aproximadamente 4,7% na bolsa de valores, negociados a R$ 32,37. No acumulado dos últimos 12 meses, porém, apresentam valorização de 2,7%.
No mesmo horário, o principal índice da B3 (IBOV) caía 0,5%, aos 171,168.81 pontos, em uma sessão negativa para os ativos de renda variável em meio à escalada das tensões no Oriente Médio. Acompanhe o movimento em tempo real.
O 2T26 da Cury, segundo a prévia
No segundo trimestre, a Cury lançou 11 empreendimentos — oito em São Paulo e três no Rio de Janeiro —, que totalizaram R$ 2,26 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV), alta de 1,4% na comparação anual.
Apesar do crescimento em volume financeiro, o número de unidades lançadas recuou 0,6% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto o preço médio dos imóveis subiu 2%, para R$ 344,6 mil.
No acumulado do primeiro semestre (1S26), os lançamentos da construtora somaram cerca de R$ 4,9 bilhões em VGV, queda anual de 2,1%.
Entre abril e junho, a velocidade de vendas (VSO líquida) da companhia ficou em 40,5%, abaixo dos 47,5% registrados em igual intervalo do ano passado, enquanto a geração de caixa operacional avançou 40,2%, para R$ 144,9 milhões.
As vendas líquidas, por sua vez, alcançaram R$ 2,05 bilhões no trimestre, recuo de 9,5% na comparação com 2025.
BTG destaca vendas fortes e geração de caixa
Para a equipe doBTG Pactual, a Cury apresentou um 2T26 “sólido”, com a queda anual das vendas sendo compensada pela manutenção de uma velocidade de comercialização elevada.
Em relatório, o banco apontou que, no período, as vendas brutas chegaram a R$ 2,22 bilhões, enquanto os cancelamentos somaram R$ 171 milhões, “mantendo-se em níveis controlados e contribuindo para vendas líquidas robustas”.
“Os lançamentos apresentaram forte aceitação comercial, com cerca de 56% das unidades sendo comercializadas ainda dentro do trimestre”, afirmaram os analistas.
A casa também chamou atenção para a geração de caixa, que alcançou R$ 145 milhões entre abril e junho, marcando o 29º trimestre consecutivo de desempenho positivo.
“A performance reforça a capacidade operacional da empresa, sustentada pelo bom momento do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), crescimento esperado de resultados e forte geração de caixa”, disse o BTG.
O banco mantém recomendação de compra para a construtora, com preço-alvo de R$ 44, o que representa um potencial de valorização de cerca de 36% frente à cotação atual.
BBI vê forte execução mesmo com juros elevados
Na mesma linha, o Bradesco BBI avaliou os números como “positivos e consistentes”, destacando a execução operacional da Cury mesmo em um ambiente de juros ainda elevados.
Segundo o banco, a combinação de elevada velocidade de vendas, crescimento de preços, baixa taxa de distratos e forte geração de caixa segue diferenciando a companhia dentro do setor de habitação popular.
“Embora os lançamentos tenham sido impactados por atrasos na aprovação de projetos em São Paulo, o desempenho comercial segue bastante saudável, sustentado por um dos maiores bancos de terrenos [landbank] da história da empresa”, afirmou a casa, em relatório.
De fato, o landbank da Cury atingiu, em junho, R$ 26,1 bilhões em VGV potencial, crescimento de 23,6% em um ano e um recorde para a incorporadora.
O banco de terrenos passou a comportar 84.055 unidades distribuídas em 91 projetos. Desse total, R$ 19,2 bilhões estão concentrados em São Paulo e R$ 6,9 bilhões, no Rio de Janeiro.
“Dessa forma, continuamos enxergando a Cury como uma das principais escolhas do setor, apoiada por fundamentos sólidos, elevada rentabilidade e valuation atrativo”, disse o BBI.
Safra vê números abaixo do esperado, mas mantém visão positiva
Já o Safra teve uma leitura um pouco mais cautelosa e apontou que a construtora apresentou “resultados operacionais satisfatórios, embora ligeiramente abaixo das estimativas”.
De acordo com o banco, um maior foco em preços reduziu o ritmo de vendas líquidas, deixando os números cerca de 5% inferior às projeções.
O banco destacou, porém, que a Cury registrou uma “sólida” geração de caixa de R$ 145 milhões, em linha com a expectativa, o que se traduziu em um free cash flow yield (yield de FCF) anualizado de 6%.
Paralelamente, também ressaltou que a empresa aumentou seu banco de terrenos em 5% frente ao trimestre anterior, num volume equivalente a cerca de 3,2 anos de lançamentos no ritmo atual.
“Embora os números operacionais tenham sido satisfatórios, ficaram ligeiramente abaixo das expectativas, o que pode pesar sobre o sentimento do mercado”, afirmou o Safra.
“No entanto, reiteramos nossa recomendação outperform (equivalente à compra) para CURY3, pois a companhia deve continuar entregando um dos melhores resultados do setor, com os níveis mais fortes de conversão de caixa”, prosseguiu.
Pelas projeções do banco, as ações negociam a cerca de 7 vezes o lucro (P/L) esperado para o ano que vem e ainda podem entregar um dividend yield adicional de 17% até o fim de 2027.
