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Sacre Investimentos
InvestMercadosCMDT
03/08/2026
4 min

Custo da dívida pesa no 2º tri da Isa, mas novos projetos trazem primeiros ganhos

Lucro cai 32% no 2º trimestre, mas energizações começam a aparecer na receita

Custo da dívida pesa no 2º tri da Isa, mas novos projetos trazem primeiros ganhos

A ISA Energia Brasil (ISAE4) fechou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 173,9 milhões, recuo de 32% em relação aos R$ 255,6 milhões registrados um ano antes. A queda foi motivada pelo aumento de 81,7% na despesa financeira líquida, para R$ 638,9 milhões, resultado do ciclo de investimentos que a companhia vem financiando com dívida e que ainda não se converteu integralmente em receita.

"O aumento da despesa financeira vem na esteira desses investimentos, que parte ainda não se materializaram em receita, mas vão se materializar no futuro", afirmou o presidente Rui Chammas, em entrevista à EXAME.

A variação monetária (correção contábil da dívida atrelada à inflação, que eleva o saldo devedor quando o IPCA acelera, sem desembolso de caixa no período) mais do que dobrou, para R$ 281,9 milhões, refletindo a maior fatia da dívida indexada ao índice, que passou de 56% no 2T25 para 67% no 2T26.

Os juros e encargos sobre empréstimos subiram 21,9%, para R$ 397,2 milhões, acompanhando o maior saldo médio de dívida captado nos últimos doze meses para financiar o crescimento.

A base de comparação também ajuda a explicar parte da piora. Um ano antes, a companhia reconheceu cerca de R$ 50 milhões em receitas financeiras extraordinárias, ligadas à atualização de créditos tributários, que não se repetiram neste trimestre.

A dívida líquida encerrou junho em R$ 16,3 bilhões, e a alavancagem medida pela relação dívida líquida/Ebitda, subiu para 3,78 vezes, ante 3,63 vezes no fechamento de 2025.

Operação segue em expansão

A receita líquida somou R$ 1,24 bilhão, alta de 20,9% sobre o 2T25, puxada pelo reajuste da Receita Anual Permitida (RAP, a remuneração fixa que a transmissora recebe pela disponibilidade das linhas) pelo IPCA e pela entrada de novos projetos.

O Ebitda avançou 22,5%, para R$ 966,9 milhões, com margem de 77,8%, ganho de 1 ponto percentual na comparação anual.

A receita líquida excluindo a RBSE (parcela ligada a ativos de transmissão antigos, cujo pagamento está em fase de redução gradual) cresceu 52%, para R$ 779,2 milhões, indicando crescimento orgânico da companhia.

O avanço é sustentado justamente pelas energizações recentes. Nos últimos doze meses, a ISA colocou em operação quatro projetos licitados, que somam cerca de R$ 488 milhões em RAP (receita anual que a companhia passa a receber quando o ativo entra em operação) e entraram em momentos distintos, ainda sem contribuir com um ano cheio de receita.

"A gente vai demorar um tempo para pegar um ano cheio dessa RAP, que foi entrando", explicouSilvia Wada, CFO da Isa Energia. No trimestre, a energização do Projeto Jacarandá, em abril, e do último bloco do Piraquê, em junho, habilitou R$ 376,2 milhões adicionais de RAP no ciclo 2026/2027.

2028 é o ponto de inflexão

Segundo Wada, 2028 é o ano-chave para que a receita dos investimentos passe a compensar de forma mais clara o carrego da dívida. "Em 2028, a gente vai ter a revisão tarifária da concessão paulista, que vai pegar já um ciclo completo", afirmou.

Pela dinâmica regulatória, os projetos de grande porte já passam a receber RAP assim que energizados, mesmo dentro do ciclo, mas os de pequeno porte só têm a receita reconhecida na revisão seguinte, quando a agência olha para trás cinco anos e incorpora tudo o que foi energizado. Além disso, 2028 pode marcar a entrada em operação de dois projetos relevantes, o Serra Dourada e o Itatiaia, que juntos devem adicionar cerca de R$ 600 milhões de RAP. O prazo regulatório desses empreendimentos é março de 2029, mas a companhia estima antecipar a energização.

O ciclo de investimentos, por sua vez, já dá sinais de que passou do pico. O CapEx do trimestre foi de R$ 1,05 bilhão, queda de 4,4% na comparação anual, com redução nos projetos greenfield licitados, à medida que menos obras seguem em andamento.

Em contrapartida, os investimentos em reforços e melhorias cresceram 17,4%, para R$ 445,4 milhões. "A tendência, na parte de CapEx licitado, é diminuir, ao mesmo tempo que a gente continua aumentando reforços e melhorias", afirmou Wada. A política de dividendos, segundo os executivos, permanece inalterada.

AutorMitchel Diniz
FonteExame
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