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InvestMercados
04/08/2026
5 min

Custo do combustível pesa e Lufthansa registra prejuízo de meio bilhão de euros

Empresa mantém meta de lucro para 2026, mas vê cenário incerto; combustível e greves pressionaram

Custo do combustível pesa e Lufthansa registra prejuízo de meio bilhão de euros

A Lufthansa registrou prejuízo líquido de 542 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, equivalente a cerca de US$ 618 milhões ou R$ 3,2 bilhões. Apesar do resultado negativo acumulado, a companhia aérea alemã voltou ao azul no segundo trimestre e manteve a projeção de lucro operacional para o ano.

O balanço divulgado nesta terça-feira, 4, mostra que a pressão sobre a empresa veio do aumento dos custos. A receita cresceu 8% no semestre, para 19,8 bilhões de euros, impulsionada por tarifas mais altas e pelo desempenho das áreas de carga e manutenção de aeronaves.

As despesas operacionais, porém, avançaram 7%, para 21,3 bilhões de euros, com o gasto com combustível subindo 18%, para 4,176 bilhões de euros Os papéis da empresa (LHAG) caíam 11,80% na Alemanha, a 8.148 de euros, por volta das 9h50 (horário de Brasília).

Projeção para 2026 é mantida com incerteza

A Lufthansa manteve sua previsão de Ebit ajustado entre 1,7 bilhão de de euros e 2,2 bilhões de euros para 2026. A companhia, porém, reduziu sua expectativa de capacidade para o ano. Agora, espera estabilidade em relação a 2025, contra uma previsão anterior de crescimento entre 0% e 2%.

No relatório, a Lufthansa afirmou que o cenário para o segundo semestre continua difícil de prever. Entre os principais riscos estão a volatilidade dos preços de combustível, o comportamento dos consumidores nas reservas de passagens e possíveis novas negociações trabalhistas.

"Hoje, fazemos uma análise de um segundo trimestre desafiador, marcado mais uma vez por múltiplas crises geopolíticas e incertezas", segundo o CEO Carsten Spohr. "Não conseguimos compensar totalmente a alta considerável nos custos de combustível."

2º tri traz recuperação após início de ano difícil

O Ebit ajustado, indicador que mede o lucro antes de juros e impostos, ficou positivo em 383 milhões de euros no segundo trimestre, abaixo dos 870 milhões de euros registrados em igual trimestre de 2025. No primeiro semestre, porém, ficou negativo em € 229 milhões, contra um resultado positivo de 149 milhões de euros um ano antes.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado, por outro lado, foi de 1,03 bilhão de euros no segundo trimestre (-56% na base anual) e de 1,04 bilhão de euros no primeiro semestre, com uma queda de 22% na base anual.

O fluxo de caixa operacional somou 2,264 bilhões de euros nos seis primeiros meses do ano, queda de 20% na comparação anual. Já o fluxo de caixa livre ajustado permaneceu praticamente estável, em 1,015 bilhão de euros, ante 1,024 bilhão de euros em igual período de 2025, apoiado pelo corte nos investimentos líquidos.

Ao fim de junho, a Lufthansa tinha liquidez disponível de 10,727 bilhões de euros, nível próximo ao registrado no encerramento do ano passado.

Combustível e custos pressionam operação

O aumento das despesas com combustível foi um dos principais fatores por trás da piora do resultado. O gasto com o insumo subiu 18% no semestre, em meio a um cenário de maior volatilidade nos preços e incertezas geopolíticas, como a guerra no Irã.

A companhia também foi afetada por paralisações sindicais de pilotos e comissários de bordo, realizadas em fevereiro, março e abril, que impactaram a operação e contribuíram para a redução da capacidade, segundo informações da Reuters.

Em resposta ao ambiente de custos mais elevados, a Lufthansa acelerou medidas de simplificação da frota. A Lufthansa CityLine, subsidiária regional, encerrou sua operação de voos, com a aposentadoria das 23 aeronaves Canadair CR-9.

A companhia também antecipou a retirada de aeronaves Airbus A340-600 e decidiu manter temporariamente dois Boeing 747-400 fora de operação durante a temporada de inverno.

Passageiros aumentam, mas voos diminuem

As divisões de rede e ponto a ponto transportaram mais de 60 milhões de passageiros no semestre. A taxa de ocupação das aeronaves subiu para 82,4%, alta de 1,9 ponto percentual na comparação anual.

Apesar disso, o número total de passageiros caiu 1%, enquanto a quantidade de voos recuou 5%. A redução refletiu tanto os cortes de capacidade quanto os impactos das greves realizadas no período.

Lufthansa mantém panorama de aquisições

Mesmo diante das dificuldades operacionais, a companhia continuou avançando em decisões estratégicas de longo prazo. Em maio, o conselho de administração aprovou a compra de 20 aeronaves de longo curso, sendo dez Airbus A350-900 e dez Boeing 787-9, com entregas previstas entre 2032 e 2034.

Em junho, a Lufthansa também exerceu a opção de aumentar sua participação na companhia aérea italiana ITA Airways, passando de 41% para 90%. A operação envolve pagamento de € 325 milhões pela fatia adicional e deve ser concluída no primeiro trimestre de 2027.

A Lufthansa também apresentou uma proposta à Parpública, estatal de investimentos de Portugal, para participar do processo de venda da TAP Air Portugal. A proposta prevê a aquisição de uma participação minoritária inicial e uma parceria de longo prazo com a rival.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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