CVPar entrega Grand Mercure da Rebouças. Agora, quer comprar hotel no Rio
Gestora cearense, que tem FDICs no DNA, também mira hotelaria de luxo

A CVPar concluiu a conversão do antigo Hilton Garden Inn da Avenida Rebouças, em São Paulo, no Grand Mercure Pinheiros. O hotel começou a receber os primeiros hóspedes no último mês de julho sob a bandeira premium da Accor e gestão da Atrio Hotel Management.
A gestora cearense comprou o prédio de 170 apartamentos em 2025 por R$ 110 milhões, tirou a marca americana e reposicionou o ativo para o segmento premium.
A Exame apurou que a taxa de ocupação do hotel em agosto ficou em 70%, poucas semanas depois da reabertura. A diária média gira em torno de R$ 900.
"A resposta foi muito mais rápida do que a gente imaginava", diz Maurício Salles, responsável pelo fundo de renda da CVPar. O reposicionamento envolveu aumento da diária média e da ocupação, além de uma série de ajustes operacionais que acompanharam a troca de bandeira.
O Grand Mercure é o primeiro ativo do fundo de renda hoteleiro da gestora, um veículo de tijolo que compra hotéis em operação com uma tese de conversão e gestão ativa. A lógica é adquirir empreendimentos que rodam abaixo do potencial, dar um salto de padrão e capturar o ganho.
"A gente procura ativos que estão trabalhando com 60% do potencial. Desses 60% a gente quer chegar em 90, para deixar 10% para alguém depois", afirma Salles.
A escolha da Rebouças não foi acidental. A CVPar leu a região como uma extensão corporativa do circuito boêmio da cidade, entre a Faria Lima e a Paulista, com demanda de negócios durante o dia e vida noturna quando o expediente termina.
"Pinheiros está se tornando um Soho corporativo", resume o executivo, numa referência ao bairro nova-iorquino que virou sinônimo de área requalificada. O endereço fica entre dois dos principais polos financeiros de São Paulo e recebeu empresas como Amazon e Netflix nos últimos anos.
Salles adiantou que a CVPar já trabalha para trazer mais um ou dois hotéis para o mesmo veículo. A expansão do fundo de renda deve romper a divisa paulista e alcançar o Rio de Janeiro, segunda praça na mira da gestora para produtos de renda.
A CVPar também planeja abrir um veículo dedicado exclusivamente à hotelaria de alto luxo, separado do atual, que mira o segmento middle up.
"Muitas vezes você tem um produto de luxo com todo o DNA, com tudo funcionando, mas a eficiência operacional não é boa. Aí a gente pode entrar", diz Salles.
O plano prevê uma carteira girando em torno de quatro a cinco ativos, num ciclo de compra, reposicionamento e venda.
Geograficamente, a CVPar concentra o olhar em três praças. São Paulo e Rio de Janeiro para renda, com a compra de hotéis já em operação, e o Ceará para desenvolvimento, onde combina o imobiliário com o hoteleiro. É em Fortaleza, na orla do Meireles, que a gestora prepara a estreia de sua marca própria de alto padrão, a InnerHaus.
A CVPar começou há mais de duas décadas como gestora de fundos de direitos creditórios, os FIDCs, e trouxe a tese imobiliária hoteleira há cerca de seis anos, quando criou a CV House, hoje seu braço de real estate e hotelaria. A CV House cuida dos fundos de desenvolvimento, enquanto o fundo de renda, o que abriga o Grand Mercure, fica sob a própria CVPar. A gestora ainda mantém uma área de wealth management, que surgiu com a compra da Quadrante, da ex-Reag, e uma frente de fusões e aquisições.
