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Sacre Investimentos
Mercado ImobiliárioFINFII
04/09/2026
3 min

CVPar entrega Grand Mercure da Rebouças. Agora, quer comprar hotel no Rio

Gestora cearense, que tem FDICs no DNA, também mira hotelaria de luxo

CVPar entrega Grand Mercure da Rebouças. Agora, quer comprar hotel no Rio

A CVPar concluiu a conversão do antigo Hilton Garden Inn da Avenida Rebouças, em São Paulo, no Grand Mercure Pinheiros. O hotel começou a receber os primeiros hóspedes no último mês de julho sob a bandeira premium da Accor e gestão da Atrio Hotel Management.

A gestora cearense comprou o prédio de 170 apartamentos em 2025 por R$ 110 milhões, tirou a marca americana e reposicionou o ativo para o segmento premium.

A Exame apurou que a taxa de ocupação do hotel em agosto ficou em 70%, poucas semanas depois da reabertura. A diária média gira em torno de R$ 900.

"A resposta foi muito mais rápida do que a gente imaginava", diz Maurício Salles, responsável pelo fundo de renda da CVPar. O reposicionamento envolveu aumento da diária média e da ocupação, além de uma série de ajustes operacionais que acompanharam a troca de bandeira.

O Grand Mercure é o primeiro ativo do fundo de renda hoteleiro da gestora, um veículo de tijolo que compra hotéis em operação com uma tese de conversão e gestão ativa. A lógica é adquirir empreendimentos que rodam abaixo do potencial, dar um salto de padrão e capturar o ganho.

"A gente procura ativos que estão trabalhando com 60% do potencial. Desses 60% a gente quer chegar em 90, para deixar 10% para alguém depois", afirma Salles.

A escolha da Rebouças não foi acidental. A CVPar leu a região como uma extensão corporativa do circuito boêmio da cidade, entre a Faria Lima e a Paulista, com demanda de negócios durante o dia e vida noturna quando o expediente termina.

"Pinheiros está se tornando um Soho corporativo", resume o executivo, numa referência ao bairro nova-iorquino que virou sinônimo de área requalificada. O endereço fica entre dois dos principais polos financeiros de São Paulo e recebeu empresas como Amazon e Netflix nos últimos anos.

Salles adiantou que a CVPar já trabalha para trazer mais um ou dois hotéis para o mesmo veículo. A expansão do fundo de renda deve romper a divisa paulista e alcançar o Rio de Janeiro, segunda praça na mira da gestora para produtos de renda.

A CVPar também planeja abrir um veículo dedicado exclusivamente à hotelaria de alto luxo, separado do atual, que mira o segmento middle up.

"Muitas vezes você tem um produto de luxo com todo o DNA, com tudo funcionando, mas a eficiência operacional não é boa. Aí a gente pode entrar", diz Salles.

O plano prevê uma carteira girando em torno de quatro a cinco ativos, num ciclo de compra, reposicionamento e venda.

Geograficamente, a CVPar concentra o olhar em três praças. São Paulo e Rio de Janeiro para renda, com a compra de hotéis já em operação, e o Ceará para desenvolvimento, onde combina o imobiliário com o hoteleiro. É em Fortaleza, na orla do Meireles, que a gestora prepara a estreia de sua marca própria de alto padrão, a InnerHaus.

A CVPar começou há mais de duas décadas como gestora de fundos de direitos creditórios, os FIDCs, e trouxe a tese imobiliária hoteleira há cerca de seis anos, quando criou a CV House, hoje seu braço de real estate e hotelaria. A CV House cuida dos fundos de desenvolvimento, enquanto o fundo de renda, o que abriga o Grand Mercure, fica sob a própria CVPar. A gestora ainda mantém uma área de wealth management, que surgiu com a compra da Quadrante, da ex-Reag, e uma frente de fusões e aquisições.

AutorMitchel Diniz
FonteExame
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