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EmpresasACS
14/10/2026
5 min

Cyrela (CYRE3): Ações caem até 5% após prévia do 3T26; o que desagradou o mercado?

Negociadas dentro do Ibovespa, as ações da construtora e incorporadora Cyrela (CYRE3) operam em forte queda nesta quarta-feira (14), no pregão seguinte à divulgação da prévia operacional do terceiro trimestre de 2026 (3T26). Entre analistas, a avaliação é de que os números vieram abaixo do esperado. Por volta das 10h45 (de Brasília), os papéis recuavam […]

Cyrela (CYRE3): Ações caem até 5% após prévia do 3T26; o que desagradou o mercado?

Negociadas dentro do Ibovespa, as ações da construtora e incorporadora Cyrela(CYRE3) operam em forte queda nesta quarta-feira (14), no pregão seguinte à divulgação da prévia operacional do terceiro trimestre de 2026 (3T26). Entre analistas, a avaliação é de que os números vieram abaixo do esperado.

Por volta das 10h45 (de Brasília), os papéis recuavam aproximadamente 5% na bolsa de valores, negociados a R$ 32,20, em um dia negativo para o mercado de renda variável.

No mesmo horário, o IBOV, principal índice da B3, caía 1,33%, aos 204.134 pontos, enquanto o IMOB, indicador que acompanha o desempenho das ações mais negociadas do setor imobiliário brasileiro, perdia 3,22%, aos 1.586 pontos. Acompanhe aqui o movimento em tempo real.



O 3T26 da Cyrela

Entre julho e setembro, a Cyrela lançou 15 empreendimentos, que totalizaram R$ 2,86 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV). O montante representa recuo de 16% na comparação anual e de 25% em relação ao trimestre imediatamente anterior.

Já as vendas líquidas contratadas somaram R$ 2,11 bilhões no período, considerando apenas a participação da companhia e excluindo permutas.

Nesse caso, o valor indica queda de 14% em relação ao registrado no 3T25 e de 17% na comparação com o 2T26.

Para Caio Nabuco de Araujo, analista da Empiricus Research, embora os lançamentos tenham recuado tanto na base anual quanto na trimestral, 33% dos projetos colocados no mercado foram vendidos ainda no trimestre, “indicando boa absorção de novos empreendimentos”.

No caso das vendas líquidas, o especialista apontou um desempenho mais fraco nos segmentos de alta renda e na Vivaz, marca de imóveis econômicos do Grupo Cyrela focada no Minha Casa, Minha Vida (MCMV).

Em contrapartida, o setor de média renda apresentou “evolução mais favorável”, segundo o analista.

Araujo também ponderou que a velocidade de vendas (VSO) da companhia ficou em 13% no 3T26, abaixo da média dos períodos anteriores. Em 12 meses, o indicador caiu para 40,3%, ante 48,9% no 3T25.

“De forma geral, a prévia veio ligeiramente abaixo das expectativas, mas sem alterar nossa visão estrutural. Parte da fraqueza no alto padrão teve caráter pontual, enquanto o segmento econômico segue sentindo um ambiente mais restritivo de crédito, aliado à paralisação das operações da Caixa Econômica Federal ao longo de setembro”, afirmou o analista.

“Com alta expressiva em outubro, a tese de CYRE3 segue bastante sensível ao ambiente macroeconômico, em especial à curva de juros. Negociando a aproximadamente 7 vezes o lucro estimado para 2027, as ações permanecem entre as recomendações da Empiricus”, acrescentou.

O que diz o Bradesco BBI

Os analistas do Bradesco BBI também apontaram que os números operacionais da Cyrela vieram fracos em praticamente todas as métricas.

Segundo o banco, houve desaceleração de 8 a 10 pontos percentuais na velocidade de vendas, na comparação anual, em diversas unidades de negócio, com a Vivaz como principal destaque negativo.

Por outro lado, a casa ressaltou que as vendas de unidades prontas continuaram apresentando bom desempenho, alcançando R$ 731 milhões nos nove primeiros meses de 2026 (9M26), crescimento de 100% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado, de acordo com a instituição, deve contribuir positivamente para a geração de caixa da companhia.

O BBI destacou ainda a composição das vendas no trimestre: 45% vieram de lançamentos, 44% de estoques em construção e 11% de unidades prontas.

Já o mix de comercialização ficou distribuído em 39% alta renda (contra 34% no 2T26), 32% média renda (27% no 2T26) e 29% MCMV (39% no 2T26).

“Apesar dos números fracos do 3T26, mantemos uma visão positiva para a Cyrela. A ação negocia a cerca de 6 vezes o múltiplo P/L para 2027, um nível considerado atrativo, ante aproximadamente 8 vezes em nosso cenário otimista, além de apresentar elevada sensibilidade à queda das taxas de juros”, afirmou o banco.

“Também vemos potencial adicional proveniente da eventual venda da torre corporativa da companhia, o que pode destravar valor para os acionistas”, acrescentou.

O ativo mencionado é a torre corporativa Cyrela by Pininfarina, localizada na região da Oscar Freire, uma das mais valorizadas de São Paulo. A conclusão da obra marca a transição do projeto para uma fase em que a venda ganha maior probabilidade para a construtora.

Com padrão AAA, o edifício possui cerca de 45 mil metros quadrados de área bruta locável, distribuídos em 23 andares, e já está totalmente locado.

O Nubank (ROXO34) ocupará aproximadamente 35 mil metros quadrados, enquanto a própria Cyrela ficará com o restante do prédio para abrigar sua nova sede administrativa.

O que diz o BTG Pactual

O BTG Pactual também avaliou que os resultados da Cyrela vieram fracos no terceiro trimestre e abaixo do esperado, principalmente devido ao desempenho da Vivaz (segmento Minha Casa, Minha Vida).

Segundo o banco, a receita líquida da companhia, que totalizou R$ 2,7 bilhões, queda anual de 23%, ficou 14% abaixo das estimativas.

Em relação aos lançamentos, o BTG afirmou que a empresa lançou 15 projetos no 3T26, com VGV de R$ 3,4 bilhões, volume 16% abaixo das projeções.

Apesar da desaceleração nas vendas de estoques, a instituição elogiou, porém, o desempenho dos novos empreendimentos, dos quais, em média, 33% foram vendidos durante o trimestre.

“Os resultados operacionais do 3T26 ficaram abaixo de nossas estimativas, devido a vendas de estoque mais lentas no segmento de renda média e alta e, principalmente, ao fraco desempenho no segmento MCMV, provavelmente refletindo restrições da Caixa Econômica Federal”, afirmou o banco.

“Apesar disso, mantemos nossa recomendação de compra para a Cyrela, pois acreditamos que a empresa se beneficiará muito com a queda das taxas de juros no Brasil, enquanto negocia a 7 vezes o preço/lucro estimado para 2027, o que consideramos atraente”, acrescentou.

O preço-alvo do BTG para as ações CYRE3 é de R$ 40, o que representa um potencial de valorização de aproximadamente 24% em relação à cotação atual.

AutorIgor Grecco
FonteMoney Times
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