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EmpresasACS
14/07/2026
6 min

Cyrela (CYRE3) ganha força na B3 após prévia do 2T26; veja o que chamou a atenção dos analistas

Cyrela (CYRE3) ganha força na B3 após prévia do 2T26; veja o que chamou a atenção dos analistas

Negociadas dentro do índice Ibovespa, as ações da Cyrela (CYRE3) operam em alta nesta terça-feira (14), um dia depois de a incorporadora divulgar sua prévia operacional do segundo trimestre de 2026 (2T26). Entre analistas, a leitura majoritária é de que os números vieram “sólidos”.

Por volta das 10h30 (de Brasília), os papéis da companhia estavam cotados a R$ 22,73, após abrirem o pregão a R$ 22,44, o que representa uma valorização de aproximadamente 1,43%.

A título de comparação, no mesmo horário, o principal indicador da B3 (IBOV) avançava cerca de 0,53%, aos 176.666 pontos. Acompanhe o movimento em tempo real.



O 2T26 da Cyrela

Entre abril e junho, a Cyrela lançou 20 empreendimentos, que totalizaram um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 3,84 bilhões, desconsiderando as permutas. O volume representou um salto de 34% em relação ao mesmo período de 2025.

Ao tomar como base apenas a participação da companhia, as vendas líquidas contratadas no 2T26 somaram R$ 2,56 bilhões, crescimento de 14% na comparação anual.

Desse total, R$ 278 milhões referem-se à comercialização de estoque pronto (11%), R$ 1,05 bilhão a estoque em construção (41%) e R$ 1,231 bilhão a lançamentos (48%).

Com isso, a incorporadora registrou uma velocidade de vendas, medida pelo índice VSO, de 32% nos lançamentos do trimestre, ante 33% um ano antes.

Os dados operacionais, porém, mostraram que o VSO de 12 meses ficou em 42,8%, abaixo do observado no 2T25 (51,4%) e inferior ao apresentado no 1T26 (44,7%).

Ainda assim, para o analista Caio Nabuco de Araujo, da Empiricus Research, a companhia apresentou “bom ritmo de lançamentos e manutenção de vendas saudáveis”.

Segundo ele, a composição dos 20 empreendimentos lançados entre abril e junho foi “relativamente equilibrada” entre os segmentos de médio e alto padrão e as faixas 2 e 3 do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) – esta última por meio da Vivaz, marca do Grupo Cyrela que atua justamente no setor econômico.

“Essa distribuição reduz a dependência de uma única faixa de renda, embora o ambiente para médio e alto padrão continue mais sensível às condições de mercado”, afirmou.

Sobre a queda do VSO em 12 meses, o analista ponderou que, embora parte do movimento possa ser explicada pelo maior volume recente de lançamentos, a trajetória do índice merece acompanhamento, especialmente diante do aumento dos estoques disponíveis em algumas praças de média e alta renda.

Na Cyrela, por exemplo, o indicador de meses para venda do estoque atingiu 20 vezes no segmento de alto padrão.

“De forma geral, a prévia do 2T26 apresentou números neutros para a companhia, que mantém desempenho operacional acima dos pares de mercado. A distribuição equilibrada entre os nichos e o crescimento das vendas no semestre reforçam a qualidade operacional da incorporadora”, disse.

“O contexto continua exigindo cautela para o setor, mas entendemos que esse cenário já esteja parcialmente refletido no preço das ações, que negociam a um múltiplo P/B de 0,9 vez. Os papéis CYRE3 continuam entre as recomendações da Empiricus”, acrescentou.

O que diz o BBI

O Bradesco BBI, por sua vez, classificou os números da prévia como “ligeiramente positivos”.

Em relatório, o banco apontou que os indicadores operacionais permanecem resilientes nos três segmentos, reforçando a capacidade da empresa de manter um crescimento consistente mesmo em um ambiente de juros elevados.

Segundo a instituição, um dos destaques do trimestre foi o desempenho das vendas de unidades prontas, que, de acordo com os analistas, representaram uma parcela relevante do resultado comercial.

Por outro lado, a casa ponderou que a velocidade de comercialização dos novos empreendimentos ficou em 32%, abaixo dos níveis observados no trimestre anterior (45%) e também das expectativas do mercado.

“Embora o VSO dos lançamentos tenha vindo inferior ao esperado, a forte redução do estoque de unidades prontas representa um avanço importante para a companhia e endereça uma das principais preocupações dos investidores nos últimos trimestres”, afirmou o BBI.

“A combinação entre boa execução comercial, melhora na qualidade do estoque e valuation atrativo sustenta nossa visão positiva para a incorporadora, que segue entre as principais escolhas do setor”, prosseguiu.

O que diz o Safra

Já o Safra pontuou, em relatório, que a Cyrela entregou resultados operacionais “sólidos e amplamente em linha com as estimativas internas”.

Na mesma linha do BBI, o banco disse que, embora os novos projetos tenham registrado índice de vendas sobre oferta de 32% — considerado satisfatório, mas mais moderado —, as vendas de estoque apresentaram melhora sequencial.

Entre os segmentos, a casa apontou que a baixa renda voltou a se destacar, com VSO de 30%, apesar da queda de sete pontos percentuais na comparação anual.

Já a média renda apresentou a maior expansão, alcançando 18,9%, enquanto os empreendimentos de alto padrão apresentaram a menor velocidade de vendas, com 10,7%.

“A CYRE3 continua sendo nossa escolha preferida no segmento de média e alta renda, apoiada por uma estratégia de barbell que concentra lançamentos nas duas pontas (MCMV e luxo), os quais tendem a ser menos sensíveis à dinâmica das taxas de juros”, afirmou o banco.

“Após a recente desvalorização das ações, vemos o papel com um valuation atrativo, negociando a cerca de 4,3 vezes o lucro (P/L) estimado para 2027″, acrescentou.

O Safra mantém recomendação outperform (equivalente à compra) para CYRE3, com preço-alvo de R$ 41, o que representa potencial de valorização de aproximadamente 80%.

O que diz o BTG Pactual

O BTG Pactual também avaliou que a Cyrela apresentou “resultados operacionais sólidos” no segundo trimestre, embora as vendas tenham ficado 6% abaixo das estimativas do banco.

Segundo a instituição, o desempenho foi sustentado principalmente pelas operações de média renda, que registraram vendas líquidas com permutas de R$ 855 milhões, alta de 22% na comparação anual.

Já os segmentos de alta e baixa renda responderam por R$ 1,24 bilhão e R$ 1,37 bilhão, respectivamente.

Quanto ao VSO, a casa disse que o indicador veio ligeiramente abaixo da projeção, mas mostrou recuperação em relação aos períodos anteriores.

“Gostamos do que vimos no 2T26, uma vez que os lançamentos foram fortes e a velocidade de vendas apresentou recuperação significativa, embora ligeiramente abaixo de nossas previsões, que eram excessivamente altas”, afirmou o BTG.

“Reiteramos nossa recomendação de compra para a Cyrela, visto que a empresa tem apresentado desempenho superior ao de seus pares e que a Vivaz continua com uma performance muito boa, ganhando participação nas operações da companhia”, acrescentou.

Pelas contas do banco, as ações da incorporadora estão sendo negociadas a um múltiplo “atrativo” de cerca de 4 vezes o lucro (P/L) estimado para 2027, devendo manter a distribuição de dividendos elevados.

O preço-alvo da casa para os papéis é de R$ 40, o que implica potencial de valorização de aproximadamente 76%.

AutorIgor Grecco
FonteMoney Times
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