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14/08/2026
6 min

Cyrela (CYRE3): O que chamou atenção dos analistas no balanço do 2T26? Ação sobe

As ações da construtora e incorporadora Cyrela (CYRE3) operam em alta nesta sexta-feira (14) em reação ao balanço financeiro do segundo trimestre de 2026 (2T26), que foi divulgado pela companhia na véspera (13). Entre analistas, a avaliação é majoritariamente positiva, com destaque para a expansão das margens, geração de caixa e baixa alavancagem da empresa. […]

Cyrela (CYRE3): O que chamou atenção dos analistas no balanço do 2T26? Ação sobe

As ações da construtora e incorporadora Cyrela (CYRE3)operam em alta nesta sexta-feira (14) em reação ao balanço financeiro do segundo trimestre de 2026 (2T26), que foi divulgado pela companhia na véspera (13).

Entre analistas, a avaliação é majoritariamente positiva, com destaque para a expansão das margens, geração de caixa e baixa alavancagem da empresa.

Por volta das 10h40 (horário de Brasília), os papéis, que integram o índice Ibovespa (IBOV), avançavam perto de 1,05% na bolsa de valores, cotados a cerca de R$ 21,22. Acompanhe o movimento em tempo real.



O 2T26 da Cyrela, segundo a Empiricus

Entre abril e junho, a incorporadora reportou lucro líquido de R$ 452 milhões, alta de 16,5% em relação aos R$ 388 milhões registrados no mesmo período do ano anterior e de 52% ante o primeiro trimestre (1T26).

No acumulado do semestre (1S26), o lucro líquido somou R$ 748 milhões, acima dos R$ 715 milhões apurados nos seis primeiros meses de 2025.

A rentabilidade também apresentou evolução e, para o analista Caio Nabuco de Araujo, da Empiricus Research, foi um dos principais pontos positivos do segundo trimestre.

A margem bruta atingiu 34,4% no 2T26, aumento de 1,6 ponto percentual (p.p.) em relação ao 2T25, enquanto o ROE dos últimos 12 meses (indicador que mede o retorno sobre o patrimônio líquido) encerrou o período em 20,9%.

Segundo a própria companhia, a evolução foi impulsionada pela melhora da rentabilidade da Vivaz (marca da Cyrela voltada à habitação popular), que elevou a participação do segmento econômico na receita consolidada.

“A tendência é que esse cenário continue no curto prazo, sinalizado pela estabilidade da margem a apropriar”, avaliou o analista da Empiricus.

Geração de caixa e alavancagem

Araujo também destacou, entre os principais pontos positivos do 2T26, a forte geração de caixa da construtora, que somou R$ 272 milhões entre abril e junho, revertendo o consumo de R$ 392 milhões observado no 2T25.

Com o número, a incorporadora viu sua dívida líquida ajustada recuar de R$ 2,18 bilhões para R$ 1,91 bilhão, levando a alavancagem (medida pela relação dívida líquida e patrimônio líquido ajustado) de 19,6% para 16,5% no período.

Já entre os destaques negativos, o analista ponderou que, assim como observado em outros resultados do setor, as despesas comerciais da Cyrela saltaram no segundo trimestre, com alta de 30% na comparação anual, para R$ 294 milhões.

“De forma geral, o 2T26 apresentou uma leitura positiva, com aceleração de receita, recuperação de margens e forte geração de caixa. Inclusive, o caixa da companhia deve ser reforçado com a venda extraordinária de ativos non-core (não estratégicos), que foi anunciada na última semana”, afirmou Araujo.

A operação a que ele se refere é a alienação de um portfólio de ativos imobiliários da Cyrela para o fundo imobiliário TRX Real Estate (TRXF11), por cerca de R$ 2,14 bilhões.

A transação inclui quatro galpões logísticos e lajes corporativas do “Oscar Freire Corporate”, edifício localizado em São Paulo (SP).

“Com isso, cresce a possibilidade de uma remuneração adicional aos acionistas, incluindo dividendos. Negociando a um múltiplo P/B de 0,8 vez, as ações CYRE3 permanecem entre as recomendações da Empiricus”, disse o analista.

O que diz o BBI

Na mesma linha, o Bradesco BBI avaliou os resultados da Cyrela como “positivos”, destacando que os números confirmam a “sólida execução” da companhia.

Segundo o banco, a receita líquida, de R$ 2,48 bilhões, e o lucro líquido, de R$ 452 milhões, vieram amplamente em linha com as expectativas.

Assim como a Empiricus, a instituição apontou que o destaque do 2T26 foi a forte geração de caixa de R$ 272 milhões, que levou a alavancagem a recuar para 16,5%.

A casa destacou também uma “surpresa positiva” na margem bruta, que expandiu 1,5 p.p. em relação ao trimestre anterior, para 34,4%, impulsionada principalmente pelos ganhos de escala e pela marca de baixa renda Vivaz.

Além disso, de acordo com o banco, “a rentabilidade da companhia se manteve em patamares bastante atrativos, com o ROE dos últimos 12 meses atingindo 20,9%”.

Já no campo operacional, o BBI apontou que a atividade também acelerou, com R$ 3,8 bilhões em lançamentos, crescimento de 120% na comparação trimestral, e R$ 2,6 bilhões em vendas contratadas, alta de 14% em relação ao 2T25.

“Mantemos nossa recomendação de compra para CYRE3, apoiada pela dinâmica saudável de ROE, crescente contribuição do segmento de baixa renda e valuation atrativo, com o papel negociando a 5 vezes o múltiplo preço sobre lucro (P/L) estimado para 2026”, afirmou o banco.

O que diz o BTG Pactual

Na mesma linha das outras análises, o BTG Pactual afirmou que os resultados da Cyrela no 2T26 foram “sólidos” em todas as linhas e, em grande parte, alinhados às estimativas.

No lado negativo, o banco destacou que o lucro por ação (LPA) foi de R$ 1,04, avanço de 17% na comparação anual, mas cerca de 6% abaixo de sua projeção, devido a despesas de comercialização acima do esperado, principalmente com estandes de vendas.

Quanto ao caixa, o BTG também avaliou que a Cyrela reportou uma forte geração, impulsionada principalmente pelo recebimento de valores a receber, após R$ 2,2 bilhões em entregas de imóveis no segundo trimestre, alta de 95% na comparação anual, e pela entrada de R$ 100 milhões decorrente da venda de um terreno.

O banco ainda ponderou que, como a incorporadora encerrou junho com baixa alavancagem, espera dividendos e recompras expressivos, especialmente após a conclusão da venda do portfólio de ativos imobiliários ao TRXF11.

“Em nossa opinião, os resultados do 2T26 foram sólidos em todas as linhas: o LPA veio ligeiramente acima do consenso, apesar de ter ficado 6% abaixo dos nossos números, e houve forte geração de caixa, com yield de FCF anualizado de 12%”, afirmou o BTG.

“Além disso, acreditamos que os investidores não estão precificando os dividendos robustos e as recompras de ações que devem ocorrer após a conclusão da venda da torre corporativa para um fundo imobiliário. Dessa forma, reiteramos nossa recomendação de compra para a ação, que é nossa principal escolha entre as incorporadoras de médio e alto padrão, com base em um múltiplo P/L de 4 vezes estimado para 2027”, acrescentou.

O banco tem preço-alvo de R$ 40 para CYRE3, valor que representa um potencial de valorização de 90,5% considerando a cotação do último fechamento, de R$ 21.

AutorIgor Grecco
FonteMoney Times
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