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Sacre Investimentos
Mercado ImobiliárioACSFII
23/10/2026
5 min

Cyrela lança torre de 150 metros na Oscar Freire, a mais alta já erguida na rua

The One tem VGV estimado em R$ 800 milhões; apartamentos chegam a 365 metros quadrados

Cyrela lança torre de 150 metros na Oscar Freire, a mais alta já erguida na rua

Das janelas da nova sede da Cyrela, no início da Rua Oscar Freire, será possível acompanhar a próxima aposta da incorporadora subir: uma torre residencial de 150 metros que, segundo a empresa, será a mais alta já erguida na rua conhecida pelas vitrines de grife de São Paulo.

Batizado de The One, o empreendimento terá 45 andares residenciais e cerca de 90 apartamentos, com duas unidades por andar e plantas de 284 a 365 metros quadrados. O Valor Geral de Vendas (VGV) é estimado em R$ 800 milhões.

O lançamento chega quando a companhia se prepara para ocupar o Cyrela Corporate, seu primeiro prédio corporativo, na mesma via. É também um retrato da estratégia recente da empresa, de apostar em torres cada vez mais altas no residencial de luxo, segmento em que diz não sentir desaceleração.

A altura é o principal argumento de venda do projeto. De acordo com Efraim Horn, CEO da Cyrela, grande parte das novas construções da região para na faixa dos 80 metros, por limitações de custo e de legislação, como a exigência de duas escadas de emergência acima dessa altura.

Acima dos 80 metros, os moradores do The One terão vista desimpedida de 360 graus. Do alto da torre, será possível ver a Serra da Cantareira, o Pico do Jaraguá, o Parque do Ibirapuera, a Universidade de São Paulo (USP) e os aviões em aproximação no Aeroporto de Congonhas.

O prédio fica em uma das regiões mais altas da capital. Por isso, em relação ao nível do mar, a torre supera edifícios de 210 metros construídos em áreas mais baixas da cidade. Nesse critério, é o segundo residencial mais alto da história da Cyrela, atrás apenas de um projeto na Rua Bela Cintra.

Para chegar a esse porte, a incorporadora precisou montar um terreno de quase 5 mil metros quadrados a partir de dezenas de casas e pequenos comércios antigos. A negociação levou entre três e quatro anos.

Das janelas da nova sede da Cyrela será possível acompanhar a construção do The One, que ainda está em fase de lançamento.

A aposta se apoia na transformação recente dos Jardins e de Pinheiros. Na avaliação de Horn, vias como a Rua Augusta, a Avenida Rebouças e a Rua dos Pinheiros mudaram após o Plano Diretor, com a chegada de um público mais jovem e de novos edifícios comerciais e residenciais.

Para o CEO, o eixo entre a Avenida Paulista e a Faria Lima se consolidou como o novo centro de gastronomia, negócios e valorização imobiliária da cidade. O The One fica justamente nesse corredor, com acesso à Linha 4-Amarela do metrô.

A diferença de preço dentro da própria Oscar Freire ajuda a explicar a escolha. Segundo Horn, o metro quadrado na altura da Rua Bela Cintra chega a R$ 55 mil. A cerca de 200 ou 300 metros do trecho tradicional, cai para menos de R$ 25 mil, com a mesma infraestrutura.

O público-alvo tem perfil variado, de casais maduros cujos filhos já saíram de casa até compradores de fora de São Paulo. Segundo o CEO, parte deles busca lazer completo sem os custos de manutenção dos prédios antigos das décadas de 1970 e 1980, comuns no entorno.

O projeto tem piscinas coberta e descoberta, spa, saunas, quadra de tênis, áreas verdes e brinquedoteca de dois andares. A novidade é a Private House, um espaço privativo com sala, cozinha, jardim e piscina próprios, que os moradores poderão alugar para festas.

No topo, um sistema de iluminação na fachada vai simular estrelas, o que deve tornar a torre visível à noite de diferentes pontos da capital.

Horn afirma que a Cyrela não registrou desaceleração nas vendas para esse perfil de cliente e segue cumprindo o planejamento anual. Na visão do executivo, o comprador de altíssimo padrão compra por desejo e exclusividade, não por necessidade imediata. Entre investidores, a procura se concentra em produtos com diferenciais de arquitetura e lazer, como a linha On the Sky.

O prédio vizinho

A poucos quarteirões dali, o Cyrela Corporate by Pininfarina, de 120 metros, receberá a sede da Cyrela a partir de janeiro de 2027, segundo a empresa. O restante do prédio foi alugado ao Nubank, que ocupará 17 andares em meio à volta ao presencial.

O último andar foi projetado para locação de eventos, como casamentos, aniversários e convenções corporativas, com hall e elevadores exclusivos.

Questionado sobre a venda do ativo, Horn afirmou que o prédio segue disponível caso surja uma proposta no valor considerado justo pela companhia.

No início do mês, porém, a EXAME apurou que o Pátria negocia a compra dos andares ocupados pelo Nubank. Procurado à época, o Pátria não comentou, alegando estar em período de silêncio.

A intenção de vender não é nova. Em março, o CFO da Cyrela, Miguel Maia Mickelberg, afirmou que a companhia não pretendia carregar o edifício no balanço por muito tempo. O motivo é financeiro: um imóvel para locação tende a dar retorno menor que o da incorporação residencial, e a Cyrela registrou retorno sobre o patrimônio (ROE) de 22,3% em 2025.

No fim de agosto, a TRX e o fundo TRXF11 desistiram de comprar um portfólio da Cyrela avaliado em R$ 2,1 bilhões, que incluía as lajes do prédio e participações em quatro galpões logísticos. O acordo havia sido firmado por memorando não vinculante e foi desfeito sem multas.

AutorLetícia Furlan
FonteExame
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