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Sacre Investimentos
InvestMercadosBDR
28/07/2026
3 min

Da Boeing à Verizon, empresas apostam em CEOs aposentados para sair da crise

Companhias americanas recorrem a executivos veteranos para liderar reestruturações e recuperar a confiança dos investidores

Da Boeing à Verizon, empresas apostam em CEOs aposentados para sair da crise

Conselhos de administração de grandes empresas estão recorrendo cada vez mais a executivos aposentados para assumir o comando de companhias em momentos de turbulência. Empresas como Boeing, Verizon e Cracker Barrel têm buscado ex-CEOs experientes para liderar reestruturações.

A estratégia busca transmitir credibilidade a investidores e acelerar processos de recuperação, como mostra reportagem do Wall Street Journal (WSJ). O problema é que encontrar esses executivos que já enfrentaram crises operacionais e reposicionaram negócios se tornou mais difícil.

A mais recente aposta veio da rede americana de restaurantes Cracker Barrel, que contratou David Deno, de 69 anos, ex-presidente da Bloomin' Brands, dona do Outback Steakhouse. A escolha se deu após um período de forte pressão sobre a companhia, que viu as vendas caírem com mudanças na identidade visual e no cardápio.

Nos últimos anos, Boeing e Verizon também recorreram a antigos líderes para comandar suas operações.

Experiência ganha espaço nas sucessões

O diretor de benchmarking e análise de dados do Conference Board, Matteo Tonello, explicou que muitos CEOs, na prática, nunca deixam completamente o mundo corporativo. Depois da aposentadoria, costumam ocupar cadeiras em conselhos de administração.

"Não tenho certeza se existe algo como um CEO aposentado nos EUA", disse ao WSJ. Ele vê que o número reduzido de executivos que reúnem experiência no setor e credibilidade junto ao mercado faz com que fatores como idade passem a ter menor importância no processo de seleção.

No caso da Cracker Barrel, Deno comandou a Bloomin' Brands entre 2019 e 2024. Após deixar a empresa, passou a integrar os conselhos da Krispy Kreme e da Panera Brands antes de voltar ao cargo de CEO. Para Tonello, "os CEOs não se aposentam de verdade; eles simplesmente se tornam conselheiros profissionais (nos EUA)".

Nem todo retorno garante resultados

Para especialistas em governança citados pelo jornal estadunidense, trazer um executivo conhecido ao comando também ajuda a reduzir incertezas em momentos delicados para as empresas. Mas, embora o mercado costume receber bem os nomes, a experiência anterior não assegura um desempenho melhor.

Um levantamento publicado pela Spencer Stuart em 2020, citado pelo WSJ, mostrou que quase todos os executivos com experiência anterior como CEO superaram o mercado em seu primeiro mandato. No entanto, apenas cerca de 40% conseguiram repetir esse desempenho ao assumir uma nova companhia.

A professora associada de administração da Santa Clara University, Jo-Ellen Pozner, entende que isso ocorre porque há dois perfis predominantes entre esses CEOs. Aqueles que permaneceram ativos em conselhos ou consultorias e os que decidem voltar ao trabalho por não se adaptarem à nova rotina.

"Há alguns altos executivos aposentados que simplesmente não têm mais nada para fazer. Eles estão entediados e não têm ninguém dizendo o tempo todo o quanto são incríveis", relatou ao WSJ.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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