Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
TecnologiaBDR
13/07/2026
3 min

Da 'guerra termonuclear' de Jobs à OpenAI: o novo capítulo da guerra da Apple por seus segredos

Da 'guerra termonuclear' de Jobs à OpenAI: o novo capítulo da guerra da Apple por seus segredos

A Apple anunciou na sexta-feira, 10, que está processando a OpenAI, dona do ChatGPT, por roubo de segredos comerciais ligados ao hardware da companhia.

A briga, inflamada pela parceria entre as duas empresas, tem um ar quase de déjà vu— não é a primeira guerra que a fabricante do iPhone declara contra alguém que, supostamente, roubou suas ideias.

A mais célebre delas começou há mais de 15 anos. Steve Jobs, cofundador da Apple, prometeu uma "guerra termonuclear" contra o Google por causa do Android, o sistema operacional que, segundo ele, havia sido construído com ideias roubadas do iOS, sistema do iPhone.

O relato está na biografia escrita por Walter Isaacson. Segundo o autor, Jobs ficou furioso em janeiro de 2010, quando a HTC lançou um celular com Android que trazia recursos populares do iPhone.

A Apple processou a unidade do Google responsável pelo sistema operacional, e Jobs classificou a manobra da gigante de Mountain View como um "grande roubo".

"Vou gastar até meu último suspiro, se for preciso, e cada centavo dos US$ 40 bilhões que a Apple tem no banco, para corrigir esse erro", disse Jobs, segundo a biografia escrita por Isaacson. "Vou destruir o Android, porque é um produto roubado. Estou disposto a uma guerra termonuclear."

Em palestra em 2012, Walter Isaacson, autor da biografia de Jobs, mencionou que, além da declaração de guerra, o objetivo de Jobs era ainda mais intenso do que apenas receber créditos. “Não é uma questão de dinheiro. Eles não podem me pagar. Eu quero é destruí-los."

A mágoa tinha raízes antigas. Jobs já acusava a Microsoft de ter copiado o sistema do Mac para criar o Windows, e via na expansão do Android a mesma história se repetindo — agora no terreno dos smartphones. Ver o sistema do Google assumir a liderança do mercado o enfurecia, segundo Isaacson.

Em maio de 2014, já sob o comando de Tim Cook, Apple e Google concordaram em encerrar todos os processos que mantinham entre si. Não houve licenciamento de tecnologia nem vencedor declarado. A "guerra termonuclear" prometida por Jobs terminou não com uma explosão, mas com um arquivamento.

O inimigo agora é outro

Mais de uma década depois, o inimigo mudou, mas o roteiro é parecido. No lugar do Android, um aparelho de inteligência artificial (IA) que a OpenAI desenvolve em segredo; no lugar do Google, uma parceira que virou rival.

A Apple acusa a dona do ChatGPT de ter usado ex-funcionários para levar segredos de hardware — e a OpenAI nega.

A ironia é que a OpenAI não era uma rival distante, como o Google em 2010. Desde 2024, o ChatGPT está integrado ao iPhone, e o presidente-executivo da OpenAI, Sam Altman, chegou a ir à sede da Apple para anunciar a parceria.

A relação esfriou quando a empresa de Altman decidiu construir o próprio hardware — comprando, em 2025, a startup do lendário ex-designer da Apple Jony Ive por US$ 6,4 bilhões. De parceira, virou ameaça ao produto mais provável de suceder o iPhone.

O processo tem ainda outro peso simbólico. Ele deve ser um dos últimos grandes atos de Cook à frente da Apple, que já prepara sua saída do comando após mais de uma década no cargo.

Se Steve Jobs abriu sua guerra para proteger o iPhone no auge, Cook encerra a própria gestão movendo uma batalha para defender a Apple daquilo que pode torná-la obsoleta.

AutorTamires Vitorio
FonteExame
Distribuído por