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InvestMercados
03/07/2026
4 min

Dados de emprego dos EUA impulsionam bolsas globais e mudam apostas para o Fed

Dados de emprego dos EUA impulsionam bolsas globais e mudam apostas para o Fed

As bolsas ao redor do mundo embalaram uma onda de otimismo nesta semana, puxada por dados de emprego bem mais fracos que o esperado nos Estados Unidos, que reforçaram a aposta de que o banco central Federal Reserve (Fed) vai segurar os juros por mais tempo por lá.

O movimento levou o Dow Jones a fechar em recorde histórico na quinta-feira, 2, contagiou a Europa, que também tocou máxima inédita nesta sexta-feira, 3, e turbinou a Bolsa da Coreia do Sul, que disparou 6% no pregão.

Em Nova York, o Dow Jones avançou 1,14% e fechou aos 52.900,07 pontos, depois de atingir a máxima histórica intradiária de 52.903,85 pontos. Na semana encurtada pelo feriado de Independência dos EUA, neste 4 de julho, o S&P 500 acumulou alta de 1,8%; o Dow Jones, quase 2% e o Nasdaq Composite, 2,1%.

O índice de tecnologia, porém, destoou na sessão de quinta-feira ao recuar 0,8%, pressionado pelas ações de fabricantes de semicondutores. Para analistas ouvidos pela imprensa internacional, o movimento representa muito mais uma realização de lucros do que uma mudança na tendência de alta das bolsas.

"Trata-se de uma possível rotação de capital saindo de um setor que esteve em alta intensa nos últimos meses e indo para outras áreas, mas também acredito que esteja ocorrendo uma certa reavaliação da aposta em inteligência artificial propriamente dita", pontuou o diretor de investimentos da Savvy Wealth, Anshul Sharma, em fala à CNBC.

Europa renova máxima e Ásia acompanha

O bom humor também atravessou o Atlântico. Na Europa, o Stoxx 600 chegou a renovar seu recorde histórico ao atingir 651,77 pontos durante o pregão. Apesar de perder parte dos ganhos até o fechamento, encerrou aos 648,74 pontos e registrou sua melhor semana em mais de um mês.

"O índice europeu Stoxx 600 encerrou a semana em alta expressiva, com investidores comprando avidamente ações dos setores de serviços públicos, indústria e materiais básicos", afirmou o analista da AJ Bell, Dan Coatsworth, à Reuters. O índice MSCI World, que reúne ações de diversos mercados, avançou 0,4%.

Na Ásia, o grande destaque foi a Coreia do Sul. O índice Kospi terminou o dia com valorização de cerca de 6%, impulsionado pela recuperação das fabricantes de semicondutores, em contraste com a realização de lucros observada nas empresas estadunidenses do setor.

Por outro lado, o setor de serviços do Japão voltou a crescer em junho, enquanto a demanda externa por serviços chineses avançou no ritmo mais forte em 20 meses.

Payroll muda as expectativas para o Fed

O payroll mostrou a criação de 57 mil vagas em junho, bem abaixo das 110 mil a 115 mil esperadas pelo mercado. A taxa de desemprego também recuou de 4,3% para 4,2%.

A combinação dos números fortaleceu a percepção de que o Fed poderá manter os juros inalterados por mais tempo. O rendimento dos títulos dos Treasuries de dois anos recuou logo após a divulgação dos dados.

Para o gestor da Janus Henderson Investors, Bradford Smith, o resultado reduz a pressão sobre o banco central em um momento de transição na liderança da instituição, segundo falas divulgadas pela CNBC.

"À medida que aprendemos como a função de reação do Fed se formará sob a liderança de (Kevin Warsh, presidente do Fed), essa divulgação de dados alivia um pouco a pressão sobre a instituição de combate à inflação para aumentar as taxas de juros no curto prazo", disse.

"Com a inflação dos preços do petróleo perdendo força, uma certa desaceleração no mercado de trabalho provavelmente levará o Fed a manter a política inalterada, pelo menos até a próxima reunião", acrescentou.

O FedWatch, do CME Group, indica que a probabilidade de manutenção dos juros na reunião de setembro do Fed subiu para 46,8%, ante 35,8% no dia anterior à divulgação do payroll.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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