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Sacre Investimentos
EconomiaFII
09/09/2026
4 min

Daniel Vorcaro é condenado por fraude pela primeira vez e terá que pagar R$ 20 milhões em multa — mas não pelo motivo que você pensa

Embora siga em prisão preventiva por fraudes financeiras e esquema de lavagem de dinheiro ligados ao Banco Master, a condenação do ex-banqueiro não veio pela investigação do caso

Daniel Vorcaro é condenado por fraude pela primeira vez e terá que pagar R$ 20 milhões em multa — mas não pelo motivo que você pensa

A primeira condenação de Daniel Vorcaro por fraude saiu na terça-feira (8), mas não pelo motivo que a maioria esperava. O colegiado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) condenou, em unanimidade, o ex-banqueiro e outros 15 acusados por fraude em transações relacionadas à terceira emissão de cotas do fundo imobiliário Brazil Realty (BZLI11). 

O então dono do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, entrou na mira da CVM em 2020. Segundo a investigação, Vorcaro e membros da família do ex-banqueiro teriam inflado valores do FII. 

O fundo, gerido pela Iron Capital, era voltado exclusivamente a investidores qualificados e possuía prazo indefinido. 

Com a decisão, Vorcaro terá que pagar multa de R$ 20 milhões. Como o Banco Master esteve envolvido nas atividades ilícitas, também recebeu multa de R$ 12,5 milhões.  

Ao todo, sete pessoas e nove empresas foram punidas. Além de Daniel Vorcaro e a instituição financeira, foram condenados: 

  • Henrique Moura Vorcaro, pai do ex-banqueiro; 
  • Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro; 
  • Viking Participações, de propriedade do ex-banqueiro; 
  • Entre Investimentos; Antônio Carlos Freixo Júnior, que era diretor responsável da Entre; e 
  • Benjamim Botelho de Almeida, dono da Sefer Investimentos.  

Já as multas aplicadas pela fraude chegam a R$ 201 milhões. 

No processo, Elisangela Katia Capassi, David Abdala e Aluizio Moizinho, ex-diretores da Sefer, foram absolvidos. 

O esquema de Vorcaro no FII BZLI11 

Segundo a CVM, o grupo participou da terceira emissão do BZLI11, realizada em 2018. Para adquirir as cotas, os condenados pagaram a maior parte do valor com imóveis físicos. O problema é que os empreendimentos não passaram por avaliação adequada. 

"Os laudos de avaliação que fundamentavam os preços teriam sido forjados ou inconsistentes. Com isso, o patrimônio do fundo inchou artificialmente no papel", afirmou a autarquia. 

Ou seja, o fundo recebeu ativos que tinham preços menores do que diziam valer, fazendo com que o patrimônio do FII aumentasse apenas na teoria. Porém, na prática, ele diminuiu. 

A CVM revelou que um dos ativos teria sido avaliado por R$ 146,6 milhões. Na prática, correspondia a R$ 90,32 milhões. 

Em seguida, para justificar os valores das cotas que apareciam no papel, as empresas do próprio grupo compraram e venderam BZLI11 entre si.  

A Entre Investimentos foi uma das companhias que participou da intensa negociação das cotas na bolsa, realizando 177 operações, com cerca de R$ 351 milhões em compras e R$ 358 milhões em vendas. 

Vale lembrar que a Entre Investimentos está sendo investigada pela Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura as fraudes do Banco Master, incluindo a emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) sem respaldo em ativos reais. Além disso, a empresa seria intermediária de recursos do Master para o filme Dark Horse, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro

Com as intensas negociações de BZLI11, o grupo deu a aparência de que o ativo tinha liquidez na bolsa e que os preços tinham a credibilidade geral do mercado. 

Porém, no final, os investidores que compraram e ficaram com as cotas embolsaram o prejuízo, já que esses papéis representavam um patrimônio que valia muito menos do que os acusados faziam aparecer. 

Segundo a CVM, os fundos afetados pela fraude ficaram com um rombo de R$ 5,8 milhões. A investigação ainda revelou que parte desses compradores eram fundos ligados à previdência de servidores. 

Já os fraudadores obtiveram milhões de reais de lucro ao enganar os investidores para adquirir as cotas infladas do BZLI11. 

Caso quase terminou em acordo 

A investigação da CVM, que durou seis anos, quase acabou em acordo. As primeiras propostas foram apresentadas em 2021 e 2022, Vorcaro e duas das suas instituições, Master e a Viking, ofereceramo R$ 1 milhão para encerrar o caso. Porém, as ofertas foram rejeitadas. 

Após uma série de negociações, a autarquia considerou que as propostas finais, no valor total de R$ 21 milhões, alcançaram patamares suficientemente altos para justificar o encerramento das investigações. 

Já em 2025, com a liquidação do Master, João Accioly, diretor da CVM, pediu vista do caso, que foi reaberto. 

O que diz a defesa de Vorcaro e os próximos passos na investigação 

A defesa do ex-banqueiro negou que existem provas individualizadas de uma conduta irregular atribuível a Vorcaro. 

Durante o julgamento, a advogada Ana Paula Casagrande questionou a existência de elementos concretos que demonstrassem que o ex-empresário teria utilizado meios fraudulentos para induzir investidores ao erro. 

Os acusados também contestaram as irregularidades demonstradas no processo e sustentaram que as operações seguiram as regras do mercado. 

Já a CVM considerou que os documentos reunidos no processo eram suficientes para caracterizar a operação fraudulenta e responsabilizar os envolvidos. Contudo, os condenados ainda podem recorrer da decisão ao Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional (CRSFN).

AutorDani Alvarenga
FonteSeu Dinheiro
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