Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
ESGESGCMDT
25/06/2026
6 min

Danone mira menos açúcar e mais agricultura regenerativa em nova jornada de impacto

Danone mira menos açúcar e mais agricultura regenerativa em nova jornada de impacto

Tem lugares no Brasil onde o iogurte Danone nunca chegou pelo varejo tradicional. É aí que entram as kiteiras, cerca de 3 mil mulheres que atuam como revendedoras em comunidades carentes de seis estados, levando produtos de nutrição onde o acesso ainda é limitado.

Para cada emprego na Danone, o modelo gera renda para uma mulher kiteira.

O programa é um dos símbolos mais concretos do que a gigante de lácteos entende como jornada de impacto e que acaba de entrar em uma nova fase, com metas ESG ampliadas até 2030.

"Quando melhoramos a nutrição de uma pessoa, melhoramos sua saúde integral. E para levar saúde às pessoas, dependemos também de uma natureza saudável", disse Taisa Costa, Gerente Sênior de Sustentabilidade da Danone Brasil, durante conversa com jornalistas em São Paulo.

A lógica que a executiva descreve organiza os três pilares da estratégia: saúde, natureza e pessoas. Após cumprir as metas previstas para 2025, o desafio da Danone agora é dar escala ao que funciona.

O ponto de partida da nova fase é o portfólio. A empresa já havia cumpridoa meta de reduzir o teor de açúcar do Danoninho, carro-chefe da linha infantil no Brasil, de 11,5% para 10%. Agora, o foco se volta para os adultos.

A ambição é que 88% do volume vendido de produtos lácteos e de base vegetal tenha 10g ou menos de açúcares totais por 100g até o final da década.

Danone

No Brasil, essa agenda é liderada pelas marcas Danone e Activia. Lançamentos recentes como o Danone 5 Zeros, o YoPRO UHT Sabor Cheesecake de Frutas Vermelhas e o Activia Triplo Zero Frutas Vermelhas já chegam ao mercado sem açúcar adicionado e combinam inovação com validação junto aos consumidores.

Tudo começa no campo

Se a saúde começa no prato, antes ainda vem o campo. É essa a premissa que sustenta a Jornada Flora, iniciativa de agricultura regenerativa voltada à cadeia do leite fresco e um dos pilares centrais da estratégia brasileira.

Os resultados acumulados desde 2020 são expressivos: redução de 50% no fator de emissão de CO₂ e de 43% no fator de emissão de metano.

O programa já alcança cerca de 60% da captação de leite do negócio e capacitou 148 agricultores, com mais de 900 treinamentos sobre bem-estar animal realizados.

Para além dos benefícios ambientais, entra o desenvolvimento econômico: para cada R$ 100 investidos no campo, os produtores parceiros obtêm, em média, R$ 116 de retorno ao ano.

Para viabilizar a transição para práticas de regeneração no setor que é responsável por mais da metade das emissões brasileiras, uma parceria com o Banco do Brasil já mobilizou R$ 175 milhões em crédito rural.

Plástico, água e carbono: o que vem depois da fazenda

A descarbonização da cadeia produtiva é apenas uma frente da agenda de natureza. Globalmente, a Danone prevê ter 45% dos ingredientes-chave provenientes de agricultura regenerativa até 2030 e zerar as emissões líquidas até 2050.

No pilar hídrico, a meta é garantir acesso a água potável segura para 30 milhões de pessoas por ano até 2030, além de manter cobertura de preservação ou restauração em 95% das captações localizadas em áreas de estresse hídrico.

Em embalagens, as metas são igualmente ambiciosas: 95% desenhadas para reciclagem até 2030, redução de 17% do plástico virgem em relação a 2019 e recuperação de 95% das embalagens plásticas colocadas no mercado até 2040. A companhia também mira reduzir o desperdício alimentar à metade até 2030.

Impacto que vai além da operação

O terceiro pilar da jornada de impacto é o de pessoas e este ultrapassa os limites dos muros das fábricas. Além das kiteiras nas comunidades, a Danone tem cerca de 3 mil trabalhadores diretos na cadeia produtiva no Brasil.

Internamente, após atingir 52% de mulheres em posições gerenciais, a empresa mira agora manter entre 40% e 60% de representação feminina em todos os níveis de gestão.

No mundo a meta é capacitar 10 mil produtores e trabalhadores do campo até 2030 e direcionar 30% das horas de formação para habilidades do futuro, incluindo pensamento crítico e inteligência artificial.

Segundo Taisa, a nova fase reforça o compromisso do negócio em gerar valor por meio do desenvolvimento social e do fortalecimento da cadeia de fornecimento.

"A evolução da estratégia no Brasil consolida uma agenda que integra desempenho, sustentabilidade e construção a longo prazo", concluiu a executiva.

AutorSofia Schuck
FonteExame
Distribuído por