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24/08/2026
4 min

Das florestas à usina: como a Aperam transformou o agro em base para um aço de baixo carbono

Ao substituir coque por carvão vegetal renovável, a maior produtora de inox da América Latina construiu um modelo agroindustrial sustentável, que conecta silvicultura, tecnologia e competitividade

Das florestas à usina: como a Aperam transformou o agro em base para um aço de baixo carbono

A siderurgia mundial vive um dos maiores processos de transformação de sua história, impulsionada pela urgência da descarbonização. Em Minas Gerais, a Aperam South America, principal produtora de aços inox e elétricos da América Latina, desenvolveu um modelo industrial que reposiciona o aço como um produto de origem renovável, ao integrar o agronegócio sustentável à produção siderúrgica. A substituição do coque - responsável por cerca de 90% das emissões da siderurgia global - por carvão vegetal, deu origem ao Aço Verde Aperam®, produzido a partir de florestas renováveis de eucalipto.

O impacto desse modelo é mensurável. Considerando as emissões evitadas tanto na produção do carvão vegetal quanto no processo siderúrgico, a Aperam evitou, em média, cerca de 250 mil toneladas de CO₂ por ano nos últimos três anos. Como resultado, a usina de Timóteo (MG) produz aços - especialmente inoxidáveis e elétricos - com uma pegada de carbono significativamente inferior à média mundial do setor.

“A sustentabilidade não é um departamento isolado na empresa. Ela está no centro da nossa estratégia e orienta toda a cadeia produtiva. O futuro da siderurgia passa, inevitavelmente, pelo campo”, aponta Rodrigo Villela, CEO da Aperam South America.

Esse modelo começa no campo, mais precisamente no Vale do Jequitinhonha (MG), onde está instalada a Aperam BioEnergia. A unidade florestal produz anualmente cerca de 440 mil toneladas de carvão vegetal, a partir de florestas plantadas de eucalipto manejadas de forma responsável e com tecnologia 100% brasileira. “Criamos um modelo de silvicultura avançada, com soluções agroindustriais próprias, fornos de carbonização automatizados e queimadores de gases”, frisa Villela. São aproximadamente 150 mil hectares entre mata nativa e floresta plantada.

O modelo também é apoiado por mais de 45 patentes, que incluem tecnologia industrial e clones de eucalipto desenvolvidos para maior produtividade, resistência a pragas e adaptação climática.

Baixa pegada de carbono

Com emissões médias de 0,4 tonelada de CO₂ equivalente por tonelada de aço produzido (Escopos 1 e 2), a Aperam figura entre os produtores com menor intensidade de carbono do setor no mundo. O resultado representa aproximadamente metade da média dos produtores de aço inox, estimada em 0,9 tonelada de CO₂ equivalente por tonelada produzida, de acordo com dados da World Stainless.

Ao longo de sete anos, cada árvore captura CO₂ da atmosfera, fixando carbono na madeira. Quando transformada em carvão, este processo completa um ciclo, certificado por protocolos internacionais como o Greenhouse Gas Protocol (GHG Protocol).

A eficiência energética também é determinante para a baixa pegada de carbono. Entre as soluções adotadas estão o reaproveitamento quase integral dos gases gerados na produção do aço, a substituição do GLP por gás natural e a adaptação do Alto-Forno 2 da Usina de Timóteo (MG), que permitiu que os dois altos-fornos passassem a operar exclusivamente com energia renovável - carvão vegetal - na produção de gusa.

Onde está o Aço Verde Aperam®?

O Aço Verde Aperam® está presente no dia a dia da sociedade, da infraestrutura urbana à mobilidade elétrica. Os aços elétricos são usados em veículos elétricos, transformadores, motores e geradores elétricos, onde a eficiência energética é essencial. Já os aços inoxidáveis estão em eletrodomésticos, equipamentos hospitalares, construção civil, indústria alimentícia e setor automotivo. “O aço inox é essencial demais para não ser sustentável. Ele está presente em muito mais aplicações do que imaginamos e conseguimos identificar”, afirma Villela.

Bioeconomia

Além do aço, a base florestal da Aperam viabiliza novos produtos alinhados à bioeconomia. A partir da carbonização da madeira, a empresa produz bio-óleo, combustível de origem 100% renovável que substitui derivados fósseis em processos industriais, e biochar, coproduto rico em carbono.

O biochar deu origem aos primeiros contratos de certificados de créditos de remoção de carbono da América Latina. A Aperam BioEnergia está entre os maiores players globais na comercialização de créditos de remoção de carbono de biochar. Além da remoção de CO₂ da atmosfera por centenas de anos, o produto oferece benefícios agronômicos, como maior retenção de água no solo e permeabilidade do solo.

Essa estratégia reflete a visão da Aperam de ser líder na criação de valor na economia circular de materiais infinitos, com impacto global, combinando inovação industrial, responsabilidade ambiental e geração de valor ao longo de toda a cadeia.

Responsabilidade compartilhada

Em 2025, a Aperam South America iniciou uma série de workshops com fornecedores para acelerar a descarbonização da cadeia de valor. Hoje, cerca de 78% das emissões totais da companhia estão concentradas no Escopo 3, que reúne as emissões indiretas. A estratégia busca engajar parceiros e alinhar toda a operação a metas ambientais mais ambiciosas. “Reduzir nossas próprias emissões é fundamental, mas avançar na descarbonização de toda a cadeia produtiva é uma responsabilidade compartilhada”, conclui Villela.

AutorExame Brand Solutions
FonteExame
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