De estagiário a CEO: como ele levou esta empresa de tecnologia de MG a superar os R$ 100 milhões

Após trocar duas vezes de curso na faculdade, o mineiro André Xavier entrou na BHS, em 2002, em busca de uma oportunidade de estágio na área de tecnologia. Mais de duas décadas depois, ele comanda a empresa — que ultrapassou R$ 100 milhões em faturamento em 2025. Agora, projeta encerrar 2026 com receita entre R$ 120 milhões e R$ 125 milhões.
Desde 2017, quando assumiu a presidência, a empresa multiplicou seu faturamento em quase cinco vezes, saindo de R$ 25,6 milhões para mais de R$ 100 milhões.
O quadro de funcionários também cresceu, de 192 para 265 pessoas. Hoje, a companhia atende mais de 2 mil clientes e aposta na inteligência artificial como uma de suas principais avenidas de crescimento.
"A minha história dentro da BHS mostra que crescimento sustentável começa pelas pessoas. Entrei como estagiário, tive experiências fora da empresa, retornei como sócio e hoje lidero uma organização que continua acreditando no desenvolvimento dos talentos", afirma Xavier.
Como Xavier começou sua carreira empreendedora
Xavier começou a vida acadêmica em 1997, no curso de engenharia de controle e automação. Não demorou para perceber que aquele não era o caminho que desejava seguir.
Ele abandonou a faculdade, fez testes vocacionais e decidiu retornar ao curso de engenharia. Alguns anos depois, enquanto buscava um estágio, surgiu uma oportunidade em tecnologia da informação dentro de uma empresa de engenharia. O contato com o desenvolvimento de software foi suficiente para mudar seus planos.
"Quando entrei na TI, me apaixonei pela área. Entendi que meu caminho era realmente a tecnologia", diz.
A mudança foi tão definitiva que ele abandonou novamente a engenharia e migrou para a área de computação. Enquanto estudava, começou a trabalhar com desenvolvimento de software em um período em que a internet comercial ainda dava seus primeiros passos no Brasil.
Em 2002, entrou na BHS como estagiário.
Como Xavier foi de estagiário a sócio da BHS
A primeira passagem pela BHS durou dois anos. Xavier diz que se identificava com a cultura da companhia, marcada pela proximidade entre lideranças e funcionários e pela flexibilidade no trabalho.
Uma mudança interna, porém, o fez acreditar que aquele ambiente estava se perdendo. A experiência foi tão marcante que ele saiu da empresa convencido de que jamais voltaria.
Após a formatura, em 2004, decidiu trocar a festa de graduação por um mochilão pela Europa. Passou um período estudando espanhol na Espanha e percorreu o Caminho de Santiago de Compostela.
De volta ao Brasil, ingressou na área de gestão de projetos. Dois anos depois, fundou a própria empresa, a Sotis Consultoria, especializada na implementação do Project Server, ferramenta de gestão de projetos da Microsoft.
O negócio cresceu, ganhou clientes e se aproximou da própria Microsoft. O acaso, porém, o levou novamente para perto da BHS. A Sotis mudou de escritório e passou a operar ao lado da empresa onde Xavier havia iniciado sua carreira.
A proximidade gerou uma parceria comercial que, posteriormente, evoluiu para uma fusão. Xavier retornou à companhia, desta vez como sócio e diretor.
Como a BHS cresceu na nova gestão
Depois de voltar para a BHS, Xavier foi encarregado de abrir a operação de São Paulo. A experiência o colocou em contato com diferentes áreas da empresa e acabou servindo como preparação para voos maiores.
Em 2016, o fundador Gilberto, que comandava a companhia desde sua criação em 1994, decidiu se afastar da operação e estruturar um conselho de administração. Xavier passou por um processo de transição de um ano e assumiu a presidência em 2017.
Desde então, a companhia acelerou seu crescimento.
Além de incorporar a própria Sotis, a empresa adquiriu a Axter, agregando competências em Microsoft 365 e soluções em cloud, e realizou uma operação envolvendo a Nowcy em 2025, dentro de sua estratégia de fortalecimento das soluções baseadas em tecnologias Microsoft e expansão em transformação digital.
"A confiança é a base de tudo. Não adianta contratar adultos e tratá-los como crianças. Para crescer, você precisa dar autonomia e responsabilidade às pessoas", afirma.
O que faz a BHS hoje
Ao longo de mais de 30 anos de existência, a BHS deixou de ser uma empresa focada em desenvolvimento de software e infraestrutura de TI para se tornar uma fornecedora de soluções de transformação digital.
Hoje, atua em cloud, outsourcing, cibersegurança, dados, automação de processos, compliance e inteligência artificial. Entre essas áreas, cloud e outsourcing são atualmente as que mais contribuem para a receita da companhia.
"Muitas vezes as empresas ficam tentando inventar a próxima inovação e esquecem de escutar o cliente. Quando você resolve uma dor real, a inovação acontece de forma muito mais rápida."
Foi dessa maneira que surgiu, por exemplo, o AuditorIA, plataforma baseada em inteligência artificial para monitoramento de comunicações corporativas, capaz de identificar riscos regulatórios e problemas relacionados a assédio, discriminação e violações de políticas internas.
Como a empresa quer crescer com inteligência artificial
A inteligência artificial deve se tornar um dos principais motores de expansão da BHS nos próximos anos.
A expectativa é que entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões da receita projetada para 2026 venha de projetos relacionados à IA, seja por meio de produtos proprietários, seja pela incorporação da tecnologia às soluções já oferecidas aos clientes.
O restante do crescimento deverá continuar apoiado nas áreas de cloud, outsourcing, dados e segurança.
Para Xavier, o atual momento tecnológico se assemelha a uma mudança de ciclo capaz de redefinir o mercado.
"No começo, a inteligência artificial me assustou um pouco. Hoje, estou super animado. Estamos vivendo um momento que traz muitas oportunidades para as empresas que conseguirem se adaptar."
