De fábrica de alfajores a marca global: a história da Havanna, que está em recuperação extrajudicial
A primeira fábrica e loja da marca abriu as portas em 6 de janeiro de 1948

Fundada em Mar del Plata, na costa atlântica argentina, a Havanna se transformou ao longo de quase oito décadas em uma das marcas mais reconhecidas do país, associada sobretudo à produção de alfajores e doce de leite. Hoje, seus produtos são vendidos em diversos mercados internacionais e a empresa opera uma ampla rede de cafeterias dentro e fora da Argentina.
O Brasil tornou-se um dos principais mercados da expansão internacional da marca. A entrada ocorreu em 2006, com a abertura de cafeterias e lojas especializadas. Apesar do sucesso, a operação brasileira da rede está em recuperação extrajudicial. O pedido foi feito ainda no final do ano passado, mas o plano foi apresentado no primeiro semestre deste ano.
Origem da Havanna
A origem da companhia remonta a 1947, quando os empreendedores Benjamín Sisterna, Demetrio Elíades e Luis Sbaraglini desenvolveram uma nova fórmula de alfajor em Mar del Plata. A primeira fábrica e loja da marca abriu as portas em 6 de janeiro de 1948, em um sistema que permitia aos consumidores acompanhar a produção dos doces.
Nas décadas seguintes, a Havanna consolidou sua reputação entre os turistas que visitavam Mar del Plata, um dos principais destinos de verão da Argentina. Os alfajores cobertos com chocolate tornaram-se símbolo da cidade. Na década de 1990, a empresa já contava com dezenas de pontos de venda na costa argentina e iniciou um processo de expansão mais estruturado pelo país.
Lançamento das cafeterias
Um dos marcos dessa evolução ocorreu em 1995, quando a companhia lançou o conceito das Cafeterias Havanna. A estratégia permitiu à marca diversificar sua atuação para além dos produtos embalados, criando espaços para o consumo de cafés, doces e refeições rápidas. A iniciativa serviu como plataforma para o crescimento nacional e internacional da empresa.
A trajetória, contudo, não foi livre de dificuldades. Em 1998, a Havanna foi comprada pelo grupo de investimentos Exxel Group em uma operação avaliada em cerca de US$ 85 milhões. Poucos anos depois, a empresa enfrentou problemas financeiros agravados pela crise econômica argentina do início dos anos 2000, acumulando dívidas significativas.
Em 2003, o controle passou para o grupo DyG (Desarrollo y Gestión), formado por investidores ligados ao setor financeiro, que conduziu um processo de reestruturação dos negócios.
Expandindo fronteiras
A recuperação abriu caminho para uma nova fase de crescimento. A partir dos anos 2000, a Havanna acelerou sua internacionalização, levando suas cafeterias e produtos para países da América Latina, além de mercados da Europa e dos Estados Unidos. Atualmente, a empresa exporta para diversos destinos e mantém presença em países como Brasil, Chile, Paraguai, Peru, Espanha e Estados Unidos, entre outros.
Outro passo importante ocorreu em 2016, quando a Havanna abriu parte de seu capital na Bolsa de Comércio de Buenos Aires, tornando-se uma das poucas empresas argentinas a realizar uma oferta pública de ações naquele período. No mesmo ano, a companhia inaugurou uma nova fábrica na província de Buenos Aires para ampliar sua capacidade produtiva.
