De lavador de pratos a CEO de grupo que investe R$ 20 mi em novos restaurantes
Com seis operações e mais de 150 funcionários, Grupo Alma quer chegar a 12 casas até 2027, avançar em Santa Catarina e estrear no Jardins, em São Paulo

Aos 17 anos, Amaro Marques lavava pratos em um restaurante em São Paulo. Natural de Malta, no interior da Paraíba, ele começou na base da operação e passou por praticamente todas as funções de uma casa antes de chegar à sociedade de um grupo gastronômico em expansão.
Hoje, Amaro está à frente do Grupo Alma, que reúne seis operações em Florianópolis e na Grande Florianópolis, emprega mais de 150 pessoas e prepara um plano de crescimento com R$ 20 milhões em investimentos. A meta é chegar a 12 operações até 2027, com novos endereços em Santa Catarina e a entrada no mercado paulista.
A trajetória pessoal ajuda a explicar a forma como o executivo, que também é sócio, conduz o negócio. Antes do Alma, Amaro passou por empresas como o Rubaiyat, acumulou experiências no Brasil e no exterior e enfrentou um dos momentos mais desafiadores da carreira durante a pandemia, quando precisou encerrar um restaurante recém-inaugurado no Chile.
Quando ingressou no Grupo Alma, encontrou operações deficitárias, equipes desmotivadas e poucos processos estruturados. A resposta foi reorganizar a empresa e transformar áreas que normalmente funcionam de forma isolada — como compras, atendimento, desperdício e treinamento — em uma estrutura integrada.
“Produto e experiência precisam caminhar juntos. O que mantém um restaurante vivo é o retorno do cliente”, afirma Amaro.O modelo ajudou a sustentar o crescimento. Entre 2024 e 2026, o Grupo Alma dobrou de tamanho e agora prepara uma nova etapa de expansão.
Atualmente, o portfólio inclui a Trattoria Carbone, no Top Market; Little Carbone e Shack Steakhouse, no Floripa Shopping; Forneria Carbone, no Continente Shopping; Shima Sushi, no Villa Romana Shopping; e Fiori, em Santo Antônio de Lisboa, voltado a eventos e experiências gastronômicas.
Próxima fase
A próxima fase começa em outubro, com duas inaugurações. Em Florianópolis, o grupo abre o Empório Carbone, no Top Market, reunindo produtos como massas, molhos, vinhos, azeites, licores e drinks. No mesmo período, a Trattoria Carbone chega a Joinville, marcando a expansão da marca para o Norte catarinense.
Em dezembro, estão previstas mais três novidades. No Cacupé, será inaugurado o Alma Praya, com gastronomia do mar e inspiração nos restaurantes de Saint-Tropez, além da Fiamare Pizzaria, instalada no mesmo complexo. Em Garopaba, o grupo prepara o Tu Casa, operação dentro da Surfland.
O plano segue em 2027 com o Il Pescatore, restaurante que terá como um dos diferenciais a vista para a Ponte Hercílio Luz, e a estreia em São Paulo, com uma nova operação prevista para o bairro Jardins.
A expansão, no entanto, não será feita por franquias. O Grupo Alma decidiu crescer exclusivamente com operações próprias, estratégia que, segundo Amaro, permite preservar o controle sobre cultura, processos e padrão de atendimento. “Expandir para nós significa crescer sem perder a essência. É levar a cultura do Grupo Alma para novos lugares com o mesmo cuidado e compromisso com a qualidade”, diz.
Para sustentar esse avanço, a empresa vem reforçando sua estrutura de retaguarda, profissionalizando áreas estratégicas e internalizando atividades antes terceirizadas. O objetivo é criar uma plataforma capaz de acompanhar a abertura de novas casas sem comprometer a experiência do cliente.A ambição vai além do número de endereços. Até 2027, o grupo pretende dobrar também o volume de clientes atendidos.
O desafio reflete uma mudança no próprio mercado gastronômico. Em um segmento cada vez mais competitivo, não basta entregar um bom prato. Atendimento, ambiente, agilidade, consistência e hospitalidade passaram a compor a experiência — e podem determinar se o cliente volta.Para Amaro, há cada vez menos espaço para improviso.“O futuro da gastronomia passa por negócios mais humanos, consistentes e atentos à experiência completa do cliente. Não basta servir bem, é preciso fazer sentir”, afirma.
