De mineradora cripto à empresa de IA, Nscale já vale US$ 14 bi e prepara IPO

A britânica Nscale virou um dos casos de transformação mais rápidos da corrida global por infraestrutura de inteligência artificial. Em menos de três anos, a empresa saiu do setor de mineração de criptomoedas para se transformar em uma das chamadas "neoclouds" mais valiosas da Europa — acumulando bilhões em investimentos, adquirindo operadores menores de data centers e se preparando para uma possível abertura de capital nos Estados Unidos.
A velocidade da expansão chama atenção. A Nscale surgiu oficialmente em 2024, após se desmembrar de uma operação ligada ao setor cripto. Até então, a empresa atuava em infraestrutura voltada para mineração de moedas digitais. Com a explosão da demanda por inteligência artificial, a companhia mudou completamente de estratégia e passou a focar em capacidade computacional para IA.
Desde então, os aportes dispararam. Em março, a empresa levantou US$ 2 bilhões em rodada de financiamento para a expansão de data centers, o que elevou sua avaliação para cerca de US$ 14,6 bilhões. Antes disso, a Nscale já havia captado cerca de US$ 1,5 bilhão em 2025. Agora, a companhia trabalha na consolidação do setor por meio da aquisição de operadores menores de infraestrutura digital, com o objetivo de ganhar escala rapidamente antes de um possível IPO, previsto para o fim de 2026, segundo declarações do CEO Josh Payne ao Financial Times.
A nova corrida bilionária da infraestrutura de IA
A Nscale faz parte de um grupo de empresas conhecidas como "neoclouds" — companhias que alugam capacidade computacional voltada especificamente para inteligência artificial. Na prática, elas surgem para suprir um problema enfrentado pelas gigantes de tecnologia: a escassez global de poder computacional.
Desde a explosão da IA generativa, empresas como Microsoft, OpenAI e Meta passaram a disputar acesso a chips da Nvidia e espaço em data centers capazes de processar modelos de linguagem em larga escala. Como os hiperescaladores tradicionais não conseguem expandir infraestrutura na mesma velocidade da demanda, empresas especializadas passaram a ocupar esse espaço alugando capacidade de computação baseada em GPUs — movimento que transformou infraestrutura de IA em um dos segmentos mais valorizados do mercado de tecnologia.
A estratégia da Nscale envolve construir e operar seus próprios data centers voltados para IA, além de fechar acordos com empresas de hardware e software do setor. Entre os parceiros estão a Nvidia, fabricante dos chips mais disputados da indústria, além de OpenAI e Microsoft. Em outubro, a Nscale anunciou planos para implantar cerca de 200 mil chips da Nvidia em data centers na Europa e nos Estados Unidos para atender clientes de IA.
A aposta europeia contra a dependência dos EUA
Outro elemento central da estratégia da Nscale é geopolítico. A empresa tenta se posicionar como uma alternativa europeia à infraestrutura controlada pelas gigantes norte-americanas de nuvem, em um momento em que o continente acelera investimentos em soberania digital.
Por isso, a companhia concentra projetos em regiões com energia renovável abundante e custo mais baixo, como Noruega e Portugal. O modelo busca reduzir custos energéticos — um dos principais desafios da indústria de IA — enquanto oferece capacidade computacional localizada dentro da Europa.
A empresa já firmou acordo com a Microsoft para a construção de um data center avaliado em cerca de US$ 10 bilhões em Portugal, além de uma parceria de cerca de US$ 1 bilhão com OpenAI e Aker para construção de um grande centro de dados de IA na Noruega — país que também abriga o primeiro grande projeto do Stargate na Europa, a iniciativa de infraestrutura de IA da OpenAI.
