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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
23/09/2026
6 min

De montador de móveis a gestor, ele prepara empresa para faturar R$ 4 milhões

História da AC Móveis mostra como conhecer a rotina da empresa ajuda a identificar os desafios que precisam ser resolvidos antes de uma nova fase de crescimento

De montador de móveis a gestor, ele prepara empresa para faturar R$ 4 milhões

Em quatro anos, a AC Móveis saiu de um faturamento de R$ 500 mil no primeiro ano para R$ 2,1 milhões apenas no primeiro semestre de 2026. O avanço criou uma situação pouco intuitiva: a empresa tem espaço para vender mais, mas seus fundadores evitam acelerar o comercial antes de ter certeza de que a operação conseguirá acompanhar.

O faturamento, sozinho, não mostra esse tipo de obstáculo. Para entender o que limita o crescimento de uma empresa, é preciso olhar também para a rotina, os processos e as decisões que ainda dependem diretamente dos donos.

Na AC Móveis, esse percurso começa no primeiro contato com o cliente e passa pela conferência das medidas, produção no Sul do país, logística e montagem. Fundada por Henrique Borges e Andressa de Carvalho, a empresa começou em Suzano, na Grande São Paulo, e hoje está em Perdizes, na zona oeste da capital. Recebe projetos de arquitetos ou desenvolve propostas diretamente para os clientes, trabalha com uma fábrica parceira e coordena todas as etapas até a instalação.

Os contratos variam de R$ 150 mil a R$ 750 mil. O próximo passo é avançar para projetos acima de R$ 1 milhão, o que exige uma estrutura menos dependente dos fundadores.

O crescimento visto por dentro

Borges começou na montagem, aprendeu a fazer fretes, passou pela área de projetos e chegou às vendas. Agora, diz estar diante de uma nova mudança de função: deixar a execução para se dedicar à gestão.

Hoje, concentra as áreas comercial, administrativa e financeira. Andressa lidera os projetos e participa de etapas críticas da entrega, como a conferência das medidas antes de o pedido seguir para a fábrica. Em contratos de alto valor, um erro nessa fase pode afetar custos, prazos e a relação com o cliente.

A maior parte dos novos negócios chega por indicação, grupos de relacionamento e parcerias com arquitetos. Borges afirma que poderia buscar mais clientes, mas teme gerar uma demanda acima da capacidade da equipe.

“Meu maior desafio hoje é continuar crescendo, mas não destruir a gente, não destruir o casamento, não destruir quem nós somos”, diz.

O dilema da AC Móveis é comum em empresas que entram em uma nova fase de expansão: vender mais deixa de ser o único desafio. Estrutura, equipe, divisão de responsabilidades e controle financeiro passam a ter peso maior nas decisões.

Com tudo em um só lugar, o empreendedor ganha mais clareza, organização e tranquilidade para decidir. “Conheci um pouco da história de vocês, uma empresa que saiu de Suzano e veio para São Paulo, em um crescimento bem significativo. É nessas horas que a empresa percebe que o único desafio não é só vender. Agora, tem também o desafio de acompanhar e fazer a gestão”, afirma Catelan.

AC Móveis: com contratos de até R$ 750 mil, empresa se prepara para projetos acima de R$ 1 milhão (Germano Lüders/Divulgação)

Quando os números ganham contexto

Na AC Móveis, a expansão também trouxe um desafio financeiro. Henrique estima uma margem de lucro de 25%, mas reconhece que o cálculo ainda não considera um pró-labore definido para ele e Andressa. As informações estão distribuídas entre cadernos, planilhas e uma nova ferramenta em implantação.

Com mais projetos em andamento, acompanhar o caixa ficou mais complexo. “Um dia você tem R$ 500 mil na conta, outro dia tem R$ 1 milhão, outro está com R$ 150 mil. Você pensa: ‘Meu Deus, para onde vai esse dinheiro?’”, afirma Borges.

Sem separar as finanças pessoais das empresariais e registrar o pró-labore dos fundadores, a margem pode parecer maior do que realmente é. A falta de uma visão consolidada também dificulta decisões como contratar um profissional mais experiente, investir em tecnologia ou abrir um novo showroom.

Nesse contexto, a ferramenta de Gestão Financeira disponível aos clientes do Santander Empresas reúne entradas, saídas e compromissos futuros, integra dados de contas mantidas em outras instituições e permite projetar o fluxo de caixa por até 12 meses. Com todas as informações em um só lugar, o empreendedor ganha mais clareza, organização e segurança para planejar o crescimento e tomar decisões.

Para a AC Móveis, isso envolve responder a questões práticas: há recursos para ampliar o espaço sem comprometer as entregas? Qual seria o impacto de uma nova contratação? Quanto pode ser reinvestido? A margem estimada permanece a mesma quando todos os custos entram na conta?

O atendimento também combina canais digitais e a atuação do gerente, que acompanha de perto as necessidades da empresa. O Santander Empresas oferece atendimento especializado para pessoas jurídicas por WhatsApp e chat no aplicativo até as 22h, além do contato com o gerente para discutir necessidades financeiras e outros desafios do negócio.

Antes do próximo investimento

Na AC Móveis, a expansão passa por dinheiro, mas também por capacitação. Borges quer deixar de atuar em várias etapas ao mesmo tempo e se preparar para assumir a gestão. A equipe precisa ganhar autonomia para que novos contratos não ampliem a sobrecarga dos fundadores.

Uma das possibilidades apresentadas foi o Programa Avançar, plataforma com cursos sobre liderança, marketing, inteligência artificial, finanças e organização do tempo. O conteúdo também está disponível para não clientes e pode ser usado na formação dos funcionários.

O crédito permanece no horizonte. Henrique considera abrir um showroom, investir em tecnologia e atualizar equipamentos. Antes, porém, quer compreender melhor os custos fixos e variáveis, os impostos, as despesas com fábrica e montagem e a margem efetiva de cada projeto.

“Quero ter tranquilidade para bater os olhos e falar: ‘Esse é o caminho, estamos fazendo certo’”, afirma.

A AC Móveis começou 2026 com a expectativa de faturar R$ 3 milhões. Depois de alcançar R$ 2,1 milhões no primeiro semestre, passou a trabalhar com a possibilidade de chegar a pelo menos R$ 4 milhões no ano.

Para isso, a empresa terá de fazer a gestão avançar no mesmo ritmo das vendas — com números mais organizados, responsabilidades bem definidas e uma equipe capaz de assumir parte das decisões que hoje ainda passam pelos fundadores.

Assista ao episódio completo do Choque de Gestão e conheça a história da AC Móveis

AutorExame Brand Solutions
FonteExame
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