De novo: Grupo Casas Bahia (BAHI3) pede recuperação judicial após prejuízo recorde
Em documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa destaca que o pedido ocorre em um contexto de deterioração das condições econômico-financeiras

A Casas Bahia está tentando se reerguer mais uma vez. Após divulgar um prejuízo recorde de R$ 10,117 bilhões ontem (16), o Grupo Casas Bahia (BAHI3) comunicou ao mercado nesta manhã (17) que o conselho de administração da empresa aprovou o pedido de recuperação judicial da companhia, em conjunto com algumas subsidiárias.
A companhia já havia pedido uma recuperação extrajudicial em 2024, com dívidas de R$ 4,1 bilhões, da qual saiu no ano passado depois de negociar com grandes bancos e emitir novas debêntures bilionárias.
De acordo com o comunicado enviado à CVM, o pedido foi protocolado no Juízo de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo (SP) e contou com aprovação do acionista controlador.
Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa destaca que o pedido ocorre em um contexto de deterioração das condições econômico-financeiras.
O Grupo Casas Bahia atribuiu a situação da companhia ao cenário atual, marcado por um ambiente macroeconômico com taxas de juros elevadas, restrição de crédito, aumento do custo financeiro e pressão sobre o consumo e o capital de giro. O documento também menciona a não concretização de alternativas de liquidez que vinham sendo estruturadas.
Além da própria companhia, as empresas que integram o pedido de recuperação judicial são:
- ASAP Log – Logística e Soluções;
- ASAP Log;
- CNT Soluções em Negócios Digitais e Logística;
- Cntlog Express Logística e Transporte;
- Globex Administração e Serviços;
- Cnova Comércio Eletrônico;
- Integra Soluções para Varejo Digital;
- Casas Bahia Tecnologia; e
- Indústria de Móveis Bartira.
Em razão da decisão, o conselho de administração também aprovou a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para apreciar a ratificação do ajuizamento, adotado “em caráter de urgência”.
O balanço do 2T26 do Grupo Casas Bahia
No balanço divulgado no domingo, a empresa já havia sinalizado a existência de "incerteza relevante" sobre a capacidade de continuidade operacional. No documento, a administração também afirmou que avaliava "medidas de reorganização formal de seus passivos e obrigações, incluindo possível nova recuperação extrajudicial ou recuperação judicial".
A gravidade da situação levou até a EY (Ernst & Young), auditora independente da companhia, a se abster de emitir conclusão sobre as demonstrações financeiras intermediárias, citando dúvidas relevantes sobre a continuidade dos negócios.
Segundo os resultados da empresa no segundo trimestre de 2026, a maior parte do rombo da Casas Bahia não veio da operação do varejo em si.
Na prática, a empresa continuou vendendo produtos. A receita líquida cresceu 1,6% em relação ao segundo trimestre do ano passado, para R$ 6,98 bilhões, enquanto a margem bruta avançou para 32,9%.
A melhora é reflexo de um mix de produtos mais rentável, como os eletrodomésticos da linha branca. Além disso, a Casas Bahia obteve melhor margem comercial de parcerias estratégicas e um aumento da receita de anúncios para a Copa do Mundo.
O problema surgiu quando a companhia revisou completamente as perspectivas em meio a um cenário que se revelou ainda mais difícil do que o esperado.
Em resumo, a administração fala em três fatores que mudaram o jogo:
- a restrição crescente de crédito para o varejo;
- o fracasso de uma captação internacional considerada estratégica;
- o enfraquecimento do consumo, com a alta dos juros e do endividamento das famílias.
Diante desse cenário, a empresa reduziu compras de estoque, fechou 298 lojas e passou a operar com uma escala menor.
*Com informações do Money Times e Broadcast.
