De olho no Fed: Juro curto atinge nível mais alto em 20 meses após payroll
Os juros mais curtos dos Estados Unidos operam nas máximas do ano nesta sexta-feira (4) após dados de emprego mais fortes do que o esperado. Pela manhã, o rendimento (yield) do título do Tesouro norte-americano, Treasury, de 2 anos, de curtíssimo prazo e mais sensível à política monetária, subiu mais de 4 pontos-base, a 4,379%. […]

Os juros mais curtos dos Estados Unidos operam nas máximas do ano nesta sexta-feira (4) após dados de emprego mais fortes do que o esperado.
Pela manhã, o rendimento (yield) do título do Tesouro norte-americano, Treasury, de 2 anos, de curtíssimo prazo e mais sensível à política monetária, subiu mais de 4 pontos-base, a 4,379%. Esse é o maior nível desde janeiro de 2025.
Já nos juros longos, a reação foi tímida: o rendimento (yield) dos título do Tesouro norte-americano, Treasury, de 10 anos – referência para hipotecas, empréstimos para automóveis e dívidas de cartão de crédito – subiu 1 ponto-base, para 4,78%, após o dado.
Já o yield do título de 30 anos – referência para empréstimos imobiliários de longo prazo – ficou praticamente estável, a 5,243%.
No câmbio, o DXY, índice que compara o dólar a uma cesta de seis moedas fortes, como euro e libra esterlina, bateu máxima intradia a 99,392 (+0,49%). No Brasil, a moeda atingiu R$ 5,1407 (+0,71) logo após a divulgação dos dados de empregos. Acompanhe o tempo real.
Payroll reforça alta nos juros
A economia dos Estados Unidos abriu 162 mil vagas de emprego em agosto, segundo relatório divulgado pelo U.S. Bureau of Labor Statistics (BLS).
O resultado ficou bem acima das expectativas do mercado. Os economistas projetavam a abertura de 55 mil postos de trabalho.
O relatório, conhecido como payroll, é a principal medida do mercado de trabalho americano e um dos indicadores mais acompanhados pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) na definição da política monetária. A taxa de desemprego permaneceu em 4,1% em agosto.
O relatório mostrou ainda que a criação de empregos em meses anteriores foi revisada para cima. O resultado de junho cresceu em 11 mil, de 20 mil para 31 mil, enquanto o de julho foi revisado de fechamento de 23 mil para abertura de 21 mil vagas.
Após o dado, o mercado manteve as apostas de alta nos juros pelo Fed como majoritárias. A ferramenta FedWatch, do CME Group, aponta 60,4% de o Fed elevar a taxa referencial em 25 pontos-base na decisão do Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do próximo dia 16.
A probabilidade de manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75% é de 39,6%. Ontem (3), a chance era de 50,6%.
Na avaliação da Capital Economics, mesmo os defensores mais favoráveis a uma política monetária dovish teriam dificuldade em encontrar no payroll argumentos que justifiquem a manutenção dos juros pelo Fed neste mês.
Segundo a consultoria, a possibilidade de um aumento dos juros em setembro ainda depende principalmente dos dados de inflação que serão divulgados na próxima semana, entre eles o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês).
A mesma visão é compartilhada pelo ING. “O CPI da próxima sexta-feira (11) será, de fato, o fator decisivo, e o aumento de 0,4% na inflação geral e de 0,2% nos preços básicos (excluindo alimentos e energia), segundo as nossas previsões e do consenso, provavelmente não será suficiente para impedir que [Kevin] Warsh pressione o restante do Fomc a aprovar um aumento da taxa de juros”, avalia James Knightley, economista-chefe internacional do banco alemão.
