De onde vem a menta de Natura Ekos Equilibrivm, linha da Natura em parceria com a cantora Anitta
A EXAME foi à Amazônia acompanhar como a planta cultivada por uma comunidade do Pará é processada, estudada e transformada em ingrediente pela marca de beleza

Manter a floresta em pé também depende de criar oportunidades para quem vive nela. Na Comunidade Campo Limpo, em Santo Antônio do Tauá, no Pará, esse princípio pode ser acompanhado desde o cultivo de plantas amazônicas até a extração dos óleos essenciais usados pela Natura.
É de lá que vem, por exemplo, a menta amazônica utilizada na nova linha lançada em parceria com a cantora Anitta. O ingrediente percorre uma cadeia que reúne conhecimento tradicional, organização comunitária, pesquisa científica e desenvolvimento de produtos. No Dia da Amazônia, celebrado em 5 de setembro, a companhia reforça como a bioeconomia pode funcionar na prática.
A produção é conduzida pela Associação de Produtores e Produtoras Rurais da Comunidade de Campo Limpo (Aprocamp), parceira da Natura desde 2003. Além da menta amazônica, a associação fornece bioativos como pataqueira, estoraque, priprioca e capitiu.
Com forte liderança e presença feminina, a Aprocamp também tem ampliado a participação dos jovens. Entre eles há formados em química e outras profissões necessárias para a operação dos equipamentos usados para transformar as plantas cultivadas pela comunidade em óleos essenciais.
“Isso nos impacta de forma positiva porque faz com que os jovens permaneçam aqui, respeitem nossos valores e busquem conhecimento para aplicar dentro da própria comunidade”, afirma Josi Seixas, liderança da Aprocamp.
Maior geração de renda para a comunidade
Durante muitos anos, a associação comercializou principalmente os ingredientes cultivados no território. O processo mudou em 2024, com a inauguração de uma agroindústria de óleos essenciais dentro da própria comunidade.
A nova estrutura permitiu que parte do processamento passasse a ser feita pelos produtores. Em vez de vender apenas a matéria-prima, a Aprocamp começou a entregar o óleo extraído, agregando valor ao trabalho realizado localmente. Amudança aumentou em cerca de 60% a renda bruta da associação.
Além do ganho financeiro, a agroindústria ampliou as atividades realizadas em Campo Limpo. O trabalho passou a envolver não apenas o cultivo e a colheita, mas também a operação dos equipamentos e o acompanhamento da extração. Quanto maior o número de etapas realizadas localmente, maior é o valor que permanece com a comunidade.
A relação comercial segue os princípios do biocomércio ético, segundo Mauro Costa, gerente sênior de Relacionamento e Abastecimento da Sociobiodiversidade da Natura. “Trabalhamos em uma relação direta com as comunidades e negociamos com muita transparência para que a gente consiga ter uma relação de ganha-ganha”, afirma.
O preço dos ingredientes é definido em uma negociação que começa ainda na etapa de pesquisa. Nesse processo, são considerados os custos de produção, logística e impostos até chegar ao valor final.
A Natura não mantém contratos de exclusividade. As comunidades podem negociar com outras empresas e organizações. Segundo o executivo, essa liberdade, somada ao relacionamento direto e de longo prazo, contribui para o desenvolvimento e a autonomia dos fornecedores.
Da agroindústria ao laboratório
Depois da extração na comunidade, o óleo segue para o Ecoparque da Natura, em Benevides, na Região Metropolitana de Belém. Instalado desde 2014, o complexo ocupa uma área de 172 hectares e reúne produção, pesquisa de ativos e desenvolvimento de negócios relacionados à biodiversidade.
No laboratório, amostras da menta são analisadas para que as equipes conheçam suas características e estudem suas possibilidades de aplicação. A pesquisa permite avaliar o potencial olfativo da planta e a obtenção do óleo essencial usado na perfumaria.
“A menta vem para o laboratório e passa pelos testes de extração, no caso da hidroextração. Assim, conseguimos avaliar seu potencial olfativo e retirar o óleo essencial que vai para as produções”, explica Francy Nava, gerente de Inovação Amazônia da Natura.
Na hidroextração, água e vapor são usados para separar da planta os compostos que formam o óleo essencial. A partir desse material, as equipes responsáveis pela inovação avaliam como as características do ingrediente podem ser incorporadas às fragrâncias e formulações.
Quando o bioativo chega ao produto
Uma das aplicações mais recentes do ingrediente está em Natura Ekos Equilibrivm Menta Amazônica, linha lançada em parceria com a Anitta, que participou diretamente da escolha do bioativo. Em edição limitada, a coleção é composta por creme hidratante para o corpo, cremes para as mãos e sabonete cremoso em barra, e oferece um verdadeiro ritual de reconexão entre corpo e natureza, promovendo até 72 horas de hidratação. A colaboração aproxima a biodiversidade brasileira da cultura pop, mas o caminho do produto começa muito antes.
Por trás da formulação estão a planta cultivada em Campo Limpo, o óleo processado pela comunidade e a pesquisa realizada no Pará. A menta amazônica, portanto, não aparece apenas como inspiração para o nome ou o aroma. Trata-se de um ingrediente que percorre uma cadeia produtiva até chegar ao cosmético.
O lançamento materializa uma das propostas de Natura Ekos de desenvolver produtos a partir de bioativos amazônicos e gerar valor nos territórios de origem.
Bioeconomia como estratégia de negócio
A experiência de Campo Limpo faz parte de uma jornada iniciada pela Natura em 2000. Desde então, a companhia apoiou a implantação de 20 agroindústrias voltadas à produção de óleos e manteigas em comunidades da região.
Para Angela Pinhati, diretora de Sustentabilidade da Natura, o modelo funciona porque a compra dos ingredientes está ligada ao crescimento do próprio negócio.
“A gente transforma isso por meio do negócio. Os bioativos estão em mais de metade do portfólio da Natura. Quanto mais os clientes pedem os produtos,mais insumos da sociobiodiversidade da Amazônia utilizamos. Isso forma uma cadeia muito forte de fornecimento, em que todo mundo prospera junto ao mesmo tempo em que conserva a floresta”, afirma.
Hoje, a operação envolve 46 comunidades no Brasil e mais de 10 mil famílias, que ajudam a proteger mais de 2,2 milhões de hectares de floresta. Em 2025, a Natura investiu R$ 62 milhões na Amazônia, segundo informações da empresa.
Como o impacto é medido
A companhia utiliza o Integrated Profit & Loss (iP&L) para atribuir valor monetário aos impactos positivos e negativos de suas atividades. Além dos resultados financeiros, a metodologia considera dimensões como capital natural, social e humano.
Na Amazônia, entram no cálculo fatores como a renda gerada para as famílias, a conservação da floresta e os investimentos em infraestrutura nas comunidades. Em 2025, para cada R$ 1 de receita, a Natura calculou o equivalente a R$ 4 em benefícios para a sociedade e o meio ambiente. O impacto positivo total foi estimado em R$ 86,85 bilhões.
O caminho da menta mostra como essas dimensões estão conectadas. O cultivo garante a origem do ingrediente, a agroindústria mantém mais valor na comunidade, o laboratório transforma as características da planta em conhecimento científico e o produto leva o bioativo ao consumidor.
“Queremos continuar prosperando na Amazônia, crescendo e gerando impacto positivo, tanto no capital natural, por meio da conservação e da regeneração das florestas, quanto nos capitais social e humano, compartilhando a riqueza com todos que estão nessa cadeia”, conclui Angela.
