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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
20/08/2026
5 min

De uma inquietação profissional a uma empresa de R$ 2,4 milhões

O cearense que transformou a vontade de fazer diferente em uma empresa de tecnologia que ampliou mercados, especializou sua atuação e passou a disputar contratos maiores

De uma inquietação profissional a uma empresa de R$ 2,4 milhões

Antes de abrir a própria empresa, o administrador natural do Ceará, David Rodrigues Andrade, tinha uma inquietação que se repetia recorrentemente na vida profissional. Enxergava oportunidades para melhorar processos e aplicar novos conceitos de gestão, mas nem sempre encontrava espaço para colocar suas ideias em prática.

Depois de alguns ciclos trabalhando para outras empresas, decidiu que era hora de construir o próprio negócio. No fim de 2013, nasceu, em Eusébio, no Ceará, a DTR Tecnologia, que fechou o ano passado faturando R$2,4 milhões.

Os números vêm crescendo ano a ano. Até o mês passado, a empresa já havia registrado R$2 milhões de faturamento. Especializada em tecnologia, automação e infraestrutura de redes de comunicação, a companhia atua em projetos que vão de redes de fibra óptica e monitoramento por câmeras a automação industrial, alarmes e sistemas de detecção de incêndio.

A trajetória também mostra como uma pequena empresa pode crescer a partir da combinação entre especialização, diversificação de mercado e disciplina de gestão. O negócio começou com três sócios, que seguiram juntos até 2017. No ano seguinte, Andrade assumiu sozinho a condução da empresa e começou a redesenhar a estratégia.

Até então, a DTR tinha forte concentração no mercado industrial. Em 2019, o empreendedor decidiu ampliar a atuação para projetos prediais e, ao mesmo tempo, buscar contratos industriais de maior porte.

A mudança trouxe resultado rápido: em apenas um ano, o faturamento da empresa quase triplicou. O movimento, porém, foi interrompido pela pandemia. Em 2020, a redução dos projetos provocou uma forte retração nas receitas.

A recuperação veio nos anos seguintes, com a retomada da demanda e a chegada de novos trabalhos. A empresa voltou aos patamares anteriores à crise e passou novamente a mirar projetos maiores.

Ao ampliar sua atuação, a empresa também identificou uma oportunidade em serviços mais especializados. No mercado de projetos prediais tradicionais, segundo Andrade, a concorrência costuma ser mais concentrada em preço. Para escapar dessa lógica, a DTR passou a direcionar parte da operação para instalações que exigem maior conhecimento técnico.

Um exemplo são os sistemas de detecção e alarme de incêndio. A experiência acumulada nos projetos industriais (que demandam equipamentos mais robustos e padrões técnicos elevados) ajudou a empresa a conquistar espaço nesse segmento.

“Passamos a atender parte relevante dos edifícios de alto padrão construídos em Fortaleza nesta especialidade”, conta. A especialização tornou-se, assim, uma forma de competir não apenas pelo menor preço, mas pela capacidade técnica de executar projetos mais complexos.

Com a empresa maior e novos mercados no radar, a gestão financeira ganhou mais atenção e importância. A DTR trabalha hoje com projeções financeiras de até dois anos, combina um sistema de gestão com controles internos em planilhas e conta com o apoio de uma contabilidade especializada.

A preocupação com planejamento ganhou ainda mais importância quando a empresa começou a disputar projetos fora do Ceará. Em uma oportunidade em Sergipe, por exemplo, a empresa precisaria contratar profissionais e comprar antecipadamente parte dos materiais necessários para executar o contrato.

O pagamento, porém, só aconteceria depois de uma sequência de etapas que poderia levar meses. Foi nesse tipo de situação que o crédito entrou na estratégia da empresa.

Crédito produtivo como ferramenta e não como ponto de partida

Em 2023, Andrade recorreu ao Fundo de Impacto Estímulo para financiar novos projetos e ampliar a equipe. Posteriormente, buscou novamente apoio para financiar o intervalo entre os gastos necessários para executar um contrato em Sergipe e o recebimento do cliente.

A lógica, segundo o empreendedor, é evitar que um novo projeto comprometa o caixa das operações que já estão em andamento.

Nesse contexto, o crédito orientado e produtivo aparece menos como origem do crescimento e mais como uma ferramenta para viabilizar uma expansão que já fazia sentido para o negócio. A decisão está associada a uma premissa que Andrade procura manter na gestão.

O de assumir novos projetos quando existe uma oportunidade concreta, mas entender antes quanto será necessário investir, por quanto tempo o dinheiro ficará comprometido e se a empresa terá capacidade para absorver as parcelas.

A combinação entre especialização técnica, expansão geográfica e organização financeira colocou a DTR em uma nova fase. De uma empresa inicialmente concentrada no Ceará, a companhia passou a buscar contratos de maior porte e oportunidades em outros estados.

Agora, o desafio é transformar esse movimento em escala sem perder as características de gestão que sustentaram a trajetória até aqui.

Para Andrade, crescer não significa simplesmente aceitar todo novo contrato que aparece. Significa entender a oportunidade, dimensionar os recursos necessários e garantir que a estrutura da empresa consiga acompanhar a expansão.

“É uma estratégia menos baseada em crescer a qualquer custo e mais em crescer quando o negócio está preparado para dar o próximo passo”, finaliza o empreendedor.

Este conteúdo foi produzido pelo Fundo de Impacto Estímulo - que apoia pequenos empreendedores brasileiros com crédito facilitado, capacitação e conexões - em parceria com a EXAME. Para saber mais sobre o Estímulo visite o site do projeto. Leia aqui todas as reportagens já publicadas.

AutorEstímulo
FonteExame
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