De volta aos R$ 5,20: dólar avança com petróleo e de olho no Fed

O dólar ganhou força ante o real com a terceira queda consecutiva do petróleo Brent e as expectativas de um Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) mais agressivo na condução da política monetária.
Nesta quarta-feira (24), o dólar à vista terminou as negociações a R$ 5,2020, com alta de 0,28%.
O dólar seguiu o desempenho da moeda no exterior. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com alta de 0,19%, aos 101,597 pontos, no maior nível desde maio de 2025.
O que mexeu com o dólar hoje?
O mercado de câmbio acompanhou os desdobramentos no Oriente Médio, com a normalização do fluxo no Estreito de Ormuz, além das expectativas de um Fed mais “hawkish” podendo elevar os juros mais à frente.
Pela manhã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou na rede Truth Social que o Irã negou a implementação de pedágios no Estreito de Ormuz para a passagem de navios. Com isso, a commodity atingiu o menor nível desde o início do conflito no Oriente Médio.
Segundo o presidente norte-americano, o país persa disse que “não há pedágios, não há custos de seguro e nem qualquer outro tipo de cobrança sendo exigida ou recebida pelo Irã de navios que transitam pelo Estreito de Ormuz”.
- LEIA MAIS: Irã nega cobrança de pedágio em Ormuz; Trump ameaça interromper negociações
No entanto, Trump afirmou que caso a informação seja falsa, as negociações seriam “encerradas imediatamente”.
Como reflexo, os contratos futuros do petróleo Brent para setembro, referência no mercado internacional, fecharam em baixa de 3,81%, a US$ 73,87 o barril, negociados na Intercontinental Exchange (ICE) de Londres.
Além disso, o mercado segue com a leitura de que o Federal Reserve deve aumentar os juros após as sinalizações mais duras do novo chair, Kevin Warsh, e da divulgação do gráfico de projeções individuais do BC dos EUA.
“No Brasil, a perspectiva de novos cortes da Selic comprime o diferencial de juros e enfraquece o carry trade, ampliando a pressão sobre o câmbio. O mercado aguarda o Relatório de Política Monetária e o IPCA-15 de amanhã para mais clareza sobre o horizonte da política monetária”, avalia o economista sênior da Nomad, Vitor Kayo.
