Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
InvestMercados
23/07/2026
4 min

Decisão do BCE, seguro-desemprego nos EUA e balanço da Intel: o que move os mercados

Decisão do BCE, seguro-desemprego nos EUA e balanço da Intel: o que move os mercados

Os investidores iniciam esta quinta-feira, 23, com uma agenda carregada de eventos que podem influenciar os mercados globais e domésticos. No exterior, o foco está nas decisões de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), do banco central da Turquia e da África do Sul, além dos novos dados do mercado de trabalho americano.

No Brasil, a atenção se divide entre indicadores da construção civil, o leilão de títulos do Tesouro Nacional e compromissos do ministro da Fazenda, Dario Durigan, com o mercado financeiro.

A sessão também será marcada pela repercussão daforte alta do Ibovespa na véspera. O principal índice da bolsa brasileira avançou 2,44%, registrando seu melhor desempenho diário em semanas, impulsionado principalmente pelas ações da WEG, Vale e Petrobras. Agora, investidores tentam avaliar se o movimento de recuperação tem fôlego para continuar em meio a uma agenda internacional relevante e ao avanço da temporada de balanços corporativos.

O que acompanhar

O principal evento do dia acontece às 9h15, quando o Banco Central Europeu anuncia sua decisão de política monetária. A expectativa do mercado estará concentrada não apenas na definição dos juros, mas principalmente no tom adotado pela presidente Christine Lagarde, que concede entrevista coletiva meia hora depois.

As sinalizações da autoridade monetária podem influenciar as expectativas para os próximos passos da política monetária na Europa e, consequentemente, o comportamento dos mercados globais.

Nos Estados Unidos, às 9h30, serão divulgados os pedidos iniciais de seguro-desemprego referentes à semana encerrada em 17 de julho. O indicador é acompanhado de perto por investidores por oferecer um retrato atualizado das condições do mercado de trabalho americano, variável considerada decisiva para aspróximas decisões do Federal Reserve sobre os juros.

Ao longo da tarde, o Tesouro americano realiza ainda o leilão de títulos protegidos contra a inflação (TIPS) de dez anos, enquanto, no fim da noite, o Japão divulga dados de inflação ao consumidor e as leituras preliminares dos índices PMI da indústria, serviços e composto, que ajudam a medir o ritmo da atividade econômica do país.

No cenário doméstico, a agenda econômica é mais enxuta, mas traz eventos acompanhados pelo mercado.

Às 10h, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulga a Sondagem Indústria da Construção referente a julho, indicador que mede a percepção dos empresários sobre o desempenho do setor.

Pouco depois, às 11h45, o Tesouro Nacional realiza leilão de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e de NTN-F, operação monitorada pelos investidores por fornecer sinais sobre a demanda por títulos públicos e o comportamento das taxas de juros no mercado.

Na agenda política e institucional, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, terá reunião pela manhã com o presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Otto Lobo. À tarde, participa de encontro com investidores e empresários organizado pelo BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME), em São Paulo, e encerra o dia concedendo entrevista à TV Bandeirantes.

O mercado também acompanha a divulgação de uma pesquisa do instituto Real Time Big Data para o governo do Rio de Janeiro.

Intel na agenda de balanços

Na agenda corporativa, o principal destaque é a divulgação dos resultados da Intel.

O balanço ganha importância após as ações da companhia acumularem queda de 13% na semana passada, pressionadas pelo recuo nos preços dos chips.

Investidores buscarão sinais sobre a demanda por semicondutores e as perspectivas da empresa em um momento em que o setor continua no centro das atenções por causa dos investimentos ligados à inteligência artificial.

Mercado vem de sessão de forte recuperação

Os mercados iniciam o dia após umasessão bastante positiva para a bolsa brasileira. O Ibovespa encerrou a quarta-feira com alta de 2,44%, aos 177.547 pontos, interrompendo uma sequência de cinco pregões entre perdas e estabilidade.

O desempenho foi impulsionado principalmente pelas ações das blue chips e pela forte reação ao balanço da WEG. A fabricante de motores liderou os ganhos do índice ao disparar 10,05%, após divulgar resultados do segundo trimestre acima das expectativas, com receita operacional líquida de R$ 10,1 bilhões e lucro líquido de R$ 1,56 bilhão.

No câmbio, o dólar caiu 0,43%, encerrando cotado a R$ 5,051 e acumulando a terceira sessão consecutiva de queda. Segundo operadores, o movimento foi favorecido pelo fluxo estrangeiro para ativos brasileiros, pelo elevado diferencial de juros e pela alta do petróleo, fatores que sustentaram o real mesmo diante das tensões comerciais envolvendo os Estados Unidos.

No exterior, Wall Street fechou em baixa, enquanto investidores aguardavam os balanços de grandes empresas de tecnologia. Já o petróleo voltou a subir, refletindo as tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã e os riscos para o transporte de petróleo no Estreito de Ormuz, mantendo no radar preocupações com inflação e juros elevados por mais tempo.

AutorClara Assunção
FonteExame
Distribuído por