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InvestMercados
16/09/2026
5 min

Decisões de juros no Brasil e nos EUA e prévia do PIB: o que move os mercados

Mercado acompanha dados de atividade e decisões de juros nesta super quarta, 16, enquanto caso Moraes e Vorcaro mantém Brasília no radar

Decisões de juros no Brasil e nos EUA e prévia do PIB: o que move os mercados

Os mercados chegam à quarta-feira, 16, diante de uma das agendas mais importantes do mês. No Brasil e nos Estados Unidos, os bancos centrais decidem o rumo dos juros na chamada super quarta, enquanto uma série de indicadores de atividade, inflação e comércio exterior pode ajudar a formar as expectativas dos investidores ao longo do dia.

No cenário doméstico, o mercado ainda acompanha o ambiente político e os desdobramentos no Supremo Tribunal Federal (STF).

A atenção estará concentrada principalmente nas decisões do Federal Reserve (Fed), às 15h, e do Comitê de Política Monetária (Copom), às 18h30.

O que acompanhar

Nos Estados Unidos, a taxa de juros está atualmente na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. A projeção indicada na agenda aponta para uma alta, levando os juros a 4%. No Brasil,a Selic está em 14% ao ano e o mercado projeta uma redução de 0,25 ponto percentual, para 13,75%.

Além da decisão do Fed, os investidores terão acesso ao Sumário de Projeções Econômicas, divulgado às 15h, e, meia hora depois, à coletiva de imprensa do presidente da autoridade monetária, Kevin Warsh, após a reunião. Os documentos e a fala do dirigente serão acompanhados em busca de sinais sobre os próximos passos dos juros americanos.

A decisão do Fed também pode mexer diretamente com o dólar, os juros futuros e o fluxo de recursos para mercados emergentes. No Brasil, a combinação entre a decisão americana e a decisão do Copom deve concentrar as atenções sobre câmbio, renda variável e mercado de juros.

Antes dos bancos centrais, porém, a agenda econômica começa cedo. Às 3h, o Reino Unido divulga o índice de preços ao consumidor (CPI) de agosto. Em julho, a inflação ficou em 0,3% na comparação mensal e em 2,9% em 12 meses.

Na zona do euro, às 6h, a Eurostat divulga os dados de produção industrial de julho. Em junho, o indicador ficou estável na comparação mensal e avançou 0,1% em 12 meses. Para julho, a projeção é de queda de 0,2% na margem e de 0,3% na comparação anual.

No Brasil, o primeiro indicador relevante do dia sai às 8h. A Fundação Getulio Vargas (FGV) divulga o IGP-10 de setembro. O índice registrou queda de 0,51% em agosto, e a projeção indicada é de alta de 1,3% neste mês. O IGP-10 acompanha a variação de preços de produtos e serviços entre o décimo primeiro dia do mês anterior e o décimo dia do mês de referência.

Às 9h, o Banco Central divulga o IBC-Br de julho, considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB). Em junho, o indicador caiu 0,64%, e a projeção para julho é de queda de 0,10%. O número será observado em um momento em que os dados recentes apontam para uma perda de força da atividade econômica brasileira.

Nos Estados Unidos, às 9h30, saem os dados de vendas no varejo de agosto. Em julho, o indicador caiu 0,6% na comparação mensal, enquanto o acumulado em 12 meses registrou alta de 5%. Para agosto, a projeção é de crescimento de 0,8%.

Também será divulgado o núcleo das vendas no varejo, que exclui alguns componentes mais voláteis. Em julho, o indicador caiu 0,3% e a projeção para agosto é de alta de 0,5%.

No mesmo horário, os Estados Unidos divulgam os preços de bens exportados e importados em agosto, indicadores que ajudam a medir a inflação dos produtos comercializados pelo país. Em julho, os preços de bens exportados caíram 1,3%, enquanto os preços dos importados recuaram 0,4%. As projeções para agosto apontam para altas de 0,5% e 0,4%, respectivamente.

Outro dado que pode mexer com os mercados aparece às 11h30, quando a Energy Information Administration (EIA) divulga os estoques de petróleo bruto referentes à semana encerrada em 11 de setembro. Na última divulgação, os estoques recuaram 391 mil barris.

O petróleo ganhou destaque no pregão anterior. O Brent, referência global, subiu 2,90%, a US$ 108,75 por barril, enquanto o WTI avançou 4,38%, a US$ 105,83. O movimento ajudou a sustentar as ações da Petrobras na bolsa brasileira.

Às 14h30, o Banco Central divulga os dados semanais do fluxo cambial até 11 de setembro. Na semana anterior, o saldo havia sido negativo em US$ 7,511 bilhões. O número será acompanhado pelos investidores em meio à atenção sobre o comportamento do capital estrangeiro no mercado brasileiro.

Política também está no radar

Além da agenda econômica, o mercado acompanha os acontecimentos em Brasília. O STF analisa nesta quarta-feira um recurso que discute a possibilidade de reajuste do valor de planos de saúde conforme a idade do beneficiário, após os 60 anos, em contratos firmados antes da vigência do Estatuto da Pessoa Idosa.

Também permanece no radar o julgamento envolvendo o relatório da Polícia Federal que apontou o ministro Alexandre de Moraes como interlocutor do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. A sessão que analisava o caso foi suspensa após pedido de vista do ministro Flávio Dino.

O decano Gilmar Mendes pediu o adiamento do julgamento para que o caso seja analisado junto ao processo que envolve supostas irregularidades por parte de André Mendonça, no dia 23. No resultado temporário proclamado pelo ministro Edson Fachin, o placar ficou em 4 a 3 para que os casos não sejam julgados conjuntamente.

O calendário político também prevê a divulgação de pesquisas eleitorais, além de entrevistas dos candidatos à Presidência Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) à TV Record.
AutorClara Assunção
FonteExame
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