Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
Mundo
04/06/2026
5 min

Democratas avançam com nomes moderados em primárias nos EUA, em meio a disputas internas no partido

Democratas avançam com nomes moderados em primárias nos EUA, em meio a disputas internas no partido

Os resultados iniciais das primárias realizadas nesta semana nos Estados Unidos indicam que o Partido Democrata aposta em candidatos mais moderados para tentar ampliar suas chances de derrotar aliados do presidente Donald Trump nas eleições legislativas de novembro.

Ao mesmo tempo, os embates revelam que a divisão entre a ala centrista e os grupos mais progressistas da legenda continuam longe de ser resolvida — um aspecto que pode limitar a dimensão de uma eventual "onda azul", como são chamadas as grandes vitórias democratas no país.

As prévias ocorreram em seis estados e funcionam como uma espécie de laboratório para medir o humor do eleitorado antes das eleições de meio de mandato, quando estarão em jogo todas as cadeiras da Câmara dos Representantes, parte do Senado e diversos governos estaduais. Os resultados também começam a desenhar o cenário para a corrida presidencial de 2028.

Califórnia: centro ganha força em estado-chave

O principal teste da semana aconteceu na Califórnia, maior estado americano e tradicional reduto democrata. O sistema eleitoral local permite que todos os candidatos concorram na mesma votação, independentemente do partido. E então, os dois mais votados avançam para a eleição de novembro.

Com a apuração ainda em andamento, o democrata Xavier Becerra desponta como favorito para enfrentar o republicano Steve Hilton pelo governo estadual. Ex-secretário de Saúde do governo Joe Biden e ex-procurador-geral da Califórnia, Becerra representa a ala mais tradicional de seu partido e é visto como um nome capaz de unir diferentes grupos da legenda.

Sua ascensão também é interpretada como uma escolha pragmática dos eleitores democratas. Em vez de apostar em nomes mais ideológicos, parte significativa do eleitorado parece ter priorizado um candidato considerado mais competitivo contra os republicanos e contra o movimento político liderado por Trump.

Se eleito, Becerra poderá se tornar o primeiro governador latino da história do estado, onde cerca de um terço da população tem origem hispânica. E o embate ganhou ainda mais relevância porque a Califórnia é vista também como um dos principais centros de poder do país.

Os republicanos, por sua vez, pretendem explorar temas que têm desgastado a administração democrata local nos últimos anos, como a crise habitacional, o aumento da população em situação de rua e os desafios enfrentados pelo estado no combate aos incêndios florestais.

O cálculo político de Gavin Newsom

Os resultados também representam um alívio para o atual governador da Califórnia, Gavin Newsom. Impedido de buscar um terceiro mandato consecutivo, ele optou por não apoiar nenhum sucessor durante as prévias.

A estratégia visava preservar sua posição dentro do partido e evitar atritos com diferentes correntes democratas, especialmente diante das especulações sobre sua possível candidatura presidencial em 2028.

O plano, porém, quase produziu um efeito indesejado. Pesquisas chegaram a apontar a possibilidade de dois republicanos avançarem para a fase decisiva da eleição estadual, cenário que representaria um constrangimento para os democratas em seu principal bastião eleitoral.

Com o avanço de Becerra, esse risco parece estar controlado.

Novo México: moderados dominam as prévias

O mesmo movimento apareceu em outros estados tradicionalmente alinhados aos democratas.

No Novo México, o senador Ben Ray Luján venceu com ampla vantagem o confronto interno do partido. Na corrida para o governo estadual, a ex-secretária do Interior Deb Haaland também obteve uma vitória expressiva.

Embora represente pautas progressistas em algumas áreas, Haaland foi tratada durante a campanha como uma candidata capaz de dialogar com setores mais amplos do eleitorado, reforçando a tendência de fortalecimento de nomes considerados mais moderados ou pragmáticos.

Caso seja eleita, ela poderá se tornar a primeira indígena a governar o estado.

Nova Jersey: disputa interna continua aberta

Em Nova Jersey, a democrata moderada Rebecca Bennett, militar da reserva, venceu as prévias e concorrerá a uma cadeira na Câmara dos Representantes contra o republicano Thomas Kean Jr. A corrida ganhou contornos incomuns após o desaparecimento do congressista da vida pública.

Kean Jr. não é visto no Capitólio desde março e só voltou a se manifestar nesta semana, ao afirmar que está bem e que divulgará nos próximos meses detalhes sobre a doença que enfrenta. Apesar da ausência prolongada e das incertezas sobre seu estado de saúde, o parlamentar segue contando com o apoio de Donald Trump para buscar a reeleição.

Iowa: derrota rara para Trump chama atenção

Se entre os democratas a principal questão é o confronto entre centro e esquerda, entre os republicanos um resultado específico chamou atenção.

Em Iowa, o fazendeiro Zach Lahn derrotou Randy Feenstra, candidato identificado com o movimento Make America Great Again (Maga) e apoiado por Trump.

O episódio é considerado particularmente relevante porque derrotas de candidatos endossados pelo presidente em disputas estaduais ou para governos locais se tornaram raras nos últimos anos. A votação sugere que parte do eleitorado conservador pode estar buscando alternativas ao grupo tradicionalmente alinhado à liderança de Trump.

Ao mesmo tempo, os republicanos seguem competitivos em estados decisivos e pretendem transformar a eleição de novembro em um julgamento dos governos democratas, explorando temas como custo de vida, inflação, imigração e segurança pública.

AutorRebecca Crepaldi
FonteExame
Distribuído por