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Sacre Investimentos
InvestMercadosACS
08/07/2026
3 min

Depois da Argentina, vem o México: dona da Brastemp fechou mais uma fábrica

Depois da Argentina, vem o México: dona da Brastemp fechou mais uma fábrica

A Whirlpool — dona das marcas Brastemp, Consul e KitchenAid — anunciou recentemente o fechamento de sua fábrica de refrigeradores em Apodaca, Nuevo León, no México, com conclusão prevista até o segundo trimestre de 2027, como parte de uma reestruturação voltada a otimizar a eficiência operacional e reduzir custos no negócio de refrigeração.

A companhia estima um custo total de reestruturação de até US$ 165 milhões com o movimento, o que inclui aproximadamente US$ 95 milhões em baixas contábeis de ativos, US$ 30 milhões em custos relacionados a funcionários e US$ 40 milhões em outras despesas associadas

A produção de refrigeradores será gradualmente transferida para a fábrica de Ramos Arizpe, Coahuila, também no México, e para outras unidades dentro da rede de produção da Whirlpool.

“Revisamos regularmente nossa estrutura de produção para garantir que a empresa permaneça ágil, resiliente e preparada para atender consumidores e parceiros varejistas”, afirma a companhia em comunicado repercutido no portal mexicano Mexico Business News.

O objetivo da consolidação é simplificar a produção, melhorar a utilização de ativos e fortalecer a competitividade de custos no segmento.

Segundo documentos apresentados à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC), a reestruturação contempla a categoria de produtos de refrigeração. A Whirlpool detalhou que cerca de US$ 100 milhões dos custos totais serão reconhecidos em 2026.

Do montante total de US$ 165 milhões, a empresa estima que US$ 70 milhões resultarão em desembolsos de caixa futuros, sendo que US$ 15 milhões desses pagamentos devem ocorrer já em 2026.

Investimento no Brasil

A decisão ocorre em um contexto de reestruturações regionais da Whirlpool. Em maio de 2026, a empresa anunciou investimento de mais de R$ 300 milhões para transformar sua fábrica em Rio Claro, interior de São Paulo, no maior polo de manufatura de lavadoras da América Latina.

A fábrica vai operar com mais de 20 robôs industriais e, segundo a empresa, vai produzir com 95% de componentes fabricados no Brasil, reduzindo a dependência de peças importadas e torna a operação menos vulnerável a variações cambiais e interrupções logísticas, informou a empresa. A estimativa éque a expansão vai gerar 2.800 empregos diretos e indiretos na região.

Em paralelo, a companhia encerrou operações na Argentina, transferindo a linha de máquinas de lavar de abertura frontal para o Brasil, em meio a mudanças econômicas e regulatórias no país vizinho.

A fábrica de Pilar, na Grande Buenos Aires, havia sido inaugurada em 2022 com um investimento de R$ 270 milhões e capacidade para produzir 300 mil máquinas de lavar por ano. Menos de três anos depois, em novembro de 2025, a Whirlpool anunciou seu fechamento.

Em abril de 2026, a decisão foi formalizada pelo conselho da empresa, que aprovou a transferência dos ativos argentinos, avaliados em US$ 36,7 milhões (cerca de R$ 194 milhões), para reforçar a unidade paulista.

Desde que Javier Milei chegou ao poder, a Argentina adotou um programa de austeridade fiscal, abertura comercial e desregulamentação.

O setor de eletrodomésticos foi um dos mais atingidos. Dados do INDEC mostram que a produção de aparelhos de uso doméstico caiu 38% em fevereiro de 2026 na comparação anual — queda puxada principalmente pela menor fabricação de geladeiras e máquinas de lavar, em meio ao avanço de produtos importados mais baratos. Era exatamente esse o mercado em que a Whirlpool operava em Pilar.

O país vizinho continuará sendo abastecido por produtos fabricados em outras unidades do grupo e distribuídos pela operação local. Mas a manufatura que antes gerava atividade em Pilar migrou definitivamente para o Brasil.

AutorLetícia Furlan
FonteExame
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