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Sacre Investimentos
InvestMercadosBDR
06/11/2026
4 min

Depois da sangria, Wall Street volta às compras: o que sustenta a reação das bolsas dos EUA

Bolsas de Nova York recuperam parte das perdas da véspera, quando temores sobre a regulação da inteligência artificial e a expansão de data centers provocaram uma onda de vendas em Wall Street

Depois da sangria, Wall Street volta às compras: o que sustenta a reação das bolsas dos EUA

As bolsas de Nova York voltaram a subir nesta sexta-feira, 6, em uma tentativa de recuperação após a forte onda de vendas que atingiu os mercados americanos na véspera. As ações de tecnologia, que lideraram as perdas na quinta, 5, passaram a atrair compradores, em um movimento de recuperação parcial depois de o Nasdaq entrar em território de correção.

Às 15h34 (horário de Brasília), o Nasdaq avançava 1,42%, aos 24.659,17 pontos. O S&P 500 subia 0,73%, aos 7.407,26 pontos, enquanto o Dow Jones recuava 0,03%, aos 51.509,82 pontos.

A reação ocorre depois de um pregão de forte aversão ao risco. Na quinta-feira, 5, o Nasdaq despencou 5,52%, enquanto o S&P 500 recuou 4,36% e o Dow Jones caiu 3,44%. Os três principais índices registraram suas maiores perdas diárias desde abril de 2025, em uma sessão marcada por vendas concentradas principalmente em empresas de tecnologia e semicondutores.

O estopim foi o aumento das preocupações com o futuro da inteligência artificial (IA) nos Estados Unidos. A vitória expressiva dos democratas nas eleições de meio de mandato, as chamadas midterms, alimentou os receios de uma regulação mais rígida para o setor e de possíveis obstáculos à construção de data centers, infraestrutura essencial para a expansão da tecnologia.

O Texas ganhou destaque nesse debate por ser um dos principais polos de data centers do país. A governadora eleita do estado, Gina Hinojosa, defendeu a interrupção de novos projetos até que sejam estabelecidas proteções para a população.

A declaração reforçou a percepção de que a mudança no equilíbrio político americano pode trazer novos desafios para as empresas que lideram os investimentos em inteligência artificial.

Dúvidas sobre data centers e IA não desapareceram

Apesar da recuperação desta sexta-feira, o episódio deixou evidente a sensibilidade do mercado às perspectivas para o setor.

Na avaliação do UBS, a queda reflete sobretudo dúvidas sobre os custos e a velocidade de expansão dos data centers, e não uma deterioração repentina das perspectivas de longo prazo da inteligência artificial. Para o banco, o movimento representa uma redução da exposição dos investidores ao risco, e não necessariamente uma mudança estrutural nos fundamentos do setor.

A dimensão da correção também foi influenciada pela concentração dos investimentos em um grupo relativamente pequeno de companhias.

Segundo dados da Bloomberg,as Sete Magníficas, que reúne gigantes como Nvidia, Alphabet, Amazon, Meta, Microsoft, Apple e Tesla, perderam cerca de US$ 1 trilhão em valor de mercado combinado somente na quinta-feira. A forte presença de empresas de tecnologia e semicondutores nos índices americanos faz com que movimentos de queda nesses papéis tenham impacto expressivo sobre o desempenho de Wall Street.

O que explica a recuperação nesta sexta

A recuperação desta sexta-feira reflete, em parte, a volta de investidores às ações que haviam sofrido as maiores perdas. Entre os destaques estão as fabricantes de semicondutores, que recuperam parte do terreno perdido na sessão anterior.

Além das incertezas sobre a inteligência artificial, os investidores também repercutem os novos dados do mercado de trabalho americano. Os Estados Unidos criaram 165 mil vagas em outubro, bem acima das 59 mil esperadas pelo mercado. A taxa de desemprego recuou de 4,2% para 4,1%, enquanto o resultado de setembro foi revisado para cima, de 29 mil para 60 mil postos de trabalho.

Os números reforçaram a percepção de que o mercado de trabalho americano continua aquecido, o que pode dar ao Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) mais espaço para manter uma política monetária restritiva no combate à inflação.

A leitura também pressionou os títulos do Tesouro americano e deu sustentação ao dólar no exterior. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana ante uma cesta de divisas fortes, subia 0,64%, aos 102,24 pontos, enquanto o rendimento dos títulos de dez anos avançava de 4,839% para 4,868%.

Agora, parte da atenção se volta para o índice de preços ao consumidor (CPI) de outubro, previsto para a próxima semana. O indicador será importante para calibrar as expectativas sobre os próximos passos do Fed. Segundo o CIBC Economics, caso o núcleo da inflação não mostre melhora, o banco central poderá elevar os juros em 0,25 ponto percentual em dezembro.

Apesar da reação desta sexta-feira, a recuperação ainda não elimina as perdas acumuladas na semana. Os investidores seguem avaliando tanto os riscos regulatórios para a expansão da inteligência artificial quanto os efeitos de uma economia americana mais resistente sobre a trajetória dos juros.

AutorClara Assunção
FonteExame
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