Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
Bolsa e dólarACS
03/11/2026
4 min

Depois de tombo de 10%, XP fica mais cautelosa com a bolsa brasileira, mas aponta 10 ações para investir

Para XP, a bolsa segue atrativa, mas três fatores macroeconômicos acendem sinal de alerta para renda variável no curto prazo

Depois de tombo de 10%, XP fica mais cautelosa com a bolsa brasileira, mas aponta 10 ações para investir

O aumento da preocupação com as contas públicas após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a perspectiva de juros elevados por mais tempo foi o pano de fundo para uma forte reprecificação dos ativos brasileiros. O Ibovespa (IBOV), por exemplo, teve um tombo de 10% em reais e de 14% em dólares.

Esses fatores também pesaram na visão da XP sobre a bolsa brasileira no curto prazo. A corretora de investimentos rebaixou a recomendação para bolsa de compra para neutra e prevê o Ibovespa aos 200 mil pontos no fim de 2027, o que implica em um potencial de valorização de 19% sobre os níveis atuais. O potencial de retorno, porém, é parecido com o da renda fixa local.

“Em nossa visão, estamos perto de entrar em um regime macro desafiador para a bolsa e vemos riscos de queda para as estimativas de lucro do consenso para 2027, com a economia desacelerando”, destacaram os estrategistas Fernando Ferreira, Raphael Figueiredo, Caio Souza e Antonio Mello, em relatório divulgado nesta terça-feira (3).

Outro ponto que contribuiu para a revisão é a postura do investidor em relação à bolsa. O Índice de Sentimento XP voltou aos níveis pessimistas e não dá sinais de “Compra” no curto prazo.

Bolsa está barata, mas ainda não é hora de comprar

Os estrategistas da XP concordam que a bolsa está barata, ainda mais após a forte reprecificação de outubro. Em números, o múltiplo de preço sobre lucro (P/L) projetado caiu para 8,2 vezes, ante a média histórica de 10x vezes nos últimos 10 anos.

O prêmio de risco também melhorou para 4,5%, abaixo da média histórica de 5,3%. Em linhas gerais, quanto mais alto o índice, melhor.

Apesar do valuation atrativo, a equipe vê pelo menos três motivos para manter cautela adiante. O primeiro deles é a perspectiva de que estamos perto de entrar em um regime macroeconômico mais desafiador para a bolsa, com inflação e juros em alta – o que é historicamente o pior cenário para os retornos da bolsa.

"Desde 2002, esse foi o pior regime para a bolsa, com retorno real médio do Ibovespa de -17,5% ao ano", destacaram os estrategistas.

Diante disso, a economia tende a desacelerar, colocando em risco os lucros nos próximos meses, principalmente em 2027 – o segundo motivo apontando pelos estrategistas. No cenário mais pessimista, eles calculam uma queda de 13% no lucro líquido do Ibovespa no próximo ano, o que levaria o múltiplo de P/L para 9,3 vezes, próximo da média histórica.

O Índice de Sentimento XP também entra na conta. O índice chegou ao otimismo extremo, 100 pontos, em 9 de outubro precificando uma eventual mudança de governo com o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais. Naquele momento, Flávio Bolsonaro (PL), mais alinhado às expectativas do mercado, ficou à frente de Lula com uma vantagem de 2,2 milhões de votos.

Contudo, com a reeleição do petista, o índice caiu para 18, em um forte e rápida correção da bolsa.

Como se posicionar?

Embora os cíclicos domésticos pareçam muito atrativos em valuation, os estrategistas seguem preferindo empresas de alta qualidade, boas pagadoras de dividendos e exportadoras. “Evitamos empresas muito alavancadas.”

Segundo eles, a incerteza segue alta. Mesmo assim, a reprecificação recente abriu uma “janela de oportunidades” em nomes de alta qualidade como Sabesp (SBSP3), Rede D'or (RDOR3), Totvs (TOTS3), Itaú (ITUB4) e Cury (CURY3).

“Nossos analistas setoriais veem hoje como potenciais oportunidades em três grupos: nomes cujo valuation ficou bem mais atrativo depois da correção; nomes de alta qualidade que devem se mostrar resilientes no ambiente macro atual; e nomes defensivos com exposição ao dólar, que devem se sair melhor em um cenário de risk-off doméstico”.

Confira a lista completa de nomes para acompanhar depois da queda do mercado:

Ticker Empresa Setor Retorno no mês Score qual. P/L 2027 projetado
VTRU3 Vitru Educação -22,2% 81 3,0x
RDOR3 Rede D’Or Saúde -17,3% 96 11,6x
MOTV3 Motiva Transportes -16,4% 51 9,2x
ITUB4 Itaú Unibanco Bancos -12,6% 67 8,1x
SBSP3 Sabesp Saneamento -10,0% 83 10,3x
CURY3 Cury Constr. Civil -6,6% 100 5,8x
TOTS3 TOTVS TMT -4,3% 77 16,7x
WEGE3 WEG Bens de Capital -2,2% 75 28,1x
EMBJ3 Embraer Bens de Capital 2,4% 88 20,3x
PETR4 Petrobras Óleo & Gás 7,3% 66 7,0x
Fonte: XP

AutorLiliane de Lima
FonteSeu Dinheiro
Distribuído por