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NegóciosMPOL
10/09/2026
8 min

Depois de vender R$ 50 bilhões, gigante Hotmart lança IA para criar apps sem precisar programar

Nova plataforma permite criar, hospedar e vender softwares com IA e conecta os produtos ao sistema de pagamentos da empresa em 188 países

Depois de vender R$ 50 bilhões, gigante Hotmart lança IA para criar apps sem precisar programar

Belo Horizonte (MG) - A gigante mineira Hotmart cresceu vendendo uma ideia simples para quem tinha conhecimento e queria transformá-lo em negócio: colocar um produto digital na internet, encontrar compradores e receber por ele.

Em 15 anos, os PDFs deram lugar a cursos em vídeo, comunidades, mentorias e assinaturas. E nesse tempo, as vendas processadas pela plataforma já somam 50 bilhões de reais.

Agora, a empresa mineira quer ampliar o que cabe dentro dessa prateleira.

A empresa apresenta ainda nesta quinta-feira, 10, durante o Hotmart FIRE 2026, em Belo Horizonte, o Launchpad, uma plataforma que usa inteligência artificial para permitir que pessoas criem aplicativos e softwares mesmo sem saber programar. Mais do que isso, permite que os clientes já saiam com o produto pronto para ser vendido.

O lançamento marca uma nova aposta da Hotmart de acompanhar a mudança no negócio de seus próprios clientes.

Com ferramentas de inteligência artificial capazes de gerar código a partir de comandos de texto, criar um software passou a exigir menos dinheiro e conhecimento técnico. A aposta da mineira é que os criadores de conteúdo que ganham dinheiro com sua audiência e conhecimento, possam adicionar aplicativos ao mesmo portfólio em que hoje vendem cursos, consultorias e comunidades.

“O Launchpad não é só um gerador de código, ele é um gerador de produto. É um produto que sai praticamente pronto para você botar no mercado e começar a vender”, afirma João Pedro Resende, CEO e cofundador da Hotmart.

Se a aposta funcionar, a Hotmart ganha uma nova categoria de produtos para fazer circular por sua infraestrutura.

O Launchpad funcionará por planos pagos, mas a principal fonte de receita da empresa continua ligada aos pagamentos. Quanto mais softwares forem criados e vendidos dentro da plataforma, maior pode ser o volume processado pela companhia.

Como a Hotmart foi transformando o negócio

A lógica por trás do Launchpad acompanha uma transformação que Resende diz observar desde os primeiros anos da Hotmart.

Em 2011 e 2012, boa parte dos produtos adicionais comercializados por seus clientes que vendiam cursos eram PDFs e e-books. Depois vieram áreas de membros, comunidades e mentorias.

Os formatos anteriores não desapareceram. Novos produtos foram adicionados conforme a tecnologia tornou sua produção e distribuição mais simples.

Essa mudança também aumentou o valor de algumas vendas. Resende lembra que, no começo da Hotmart, havia produtos com tíquete médio próximo de 30 reais. Hoje, a plataforma abriga, por exemplo, mentorias vendidas por 10.000, 20.000 ou 30.000 reais.

Na visão da Hotmart, o software é o próximo passo dessa evolução.

Até pouco tempo atrás, lançar um aplicativo exigia contratar desenvolvedores e lidar com banco de dados, servidores, segurança e outras etapas técnicas. A inteligência artificial reduziu parte dessa barreira, mas não eliminou todo o trabalho necessário para transformar código em um produto que pode receber clientes e pagamentos.

“Seria impossível qualquer pessoa construir um aplicativo se não contratasse uma equipe de engenheiros de software, uma equipe de dados, uma equipe de cibersegurança. Era inviável para 99% das pequenas e médias empresas do Brasil construir software”, afirma Resende.

É nesse intervalo entre gerar código e colocar um negócio de pé que a Hotmart olha para dar o próximo passo.

O que dá para criar no Launchpad

O funcionamento começa com uma conversa. O usuário escreve ou fala o que pretende construir e a inteligência artificial gera uma primeira versão. Depois, pode pedir alterações, acrescentar funcionalidades e mudar o desenho da ferramenta sem escrever código.

A plataforma poderá ser usada para criar aplicativos, simuladores, quizzes, calculadoras, agendas, sites, páginas de vendas e áreas de membros personalizadas.

Um creator que venda um curso de gestão financeira, por exemplo, poderia desenvolver uma ferramenta na qual o cliente insere informações de seu negócio e recebe tarefas ou análises com base na metodologia ensinada no curso.

A aplicação fica hospedada na infraestrutura da Hotmart e já nasce conectada ao Hotpay, sistema de pagamentos da companhia.

Essa integração é o ponto que a Hotmart tenta usar para se diferenciar das ferramentas que já transformam comandos em código.

“A maioria das IAs vai conseguir gerar bastante código para você e gera um código muito bem”, afirma Resende. Segundo ele, a dificuldade aparece depois, quando é preciso lidar com banco de dados, servidores, hospedagem, segurança e pagamentos.

O Launchpad reúne essas etapas dentro da mesma plataforma.

Qual é o modelo de negócio

A estratégia também ajuda a explicar como a Hotmart pretende competir em um mercado que já tem uma lista crescente de ferramentas capazes de criar aplicativos com IA.

O Launchpad será liberado inicialmente em um plano gratuito para participantes do Hotmart FIRE e clientes cadastrados na plataforma. Depois de determinado limite de uso da inteligência artificial, haverá planos pagos.

Mas a companhia não depende apenas dessa assinatura para ganhar dinheiro com o produto.

O principal modelo de negócios da Hotmart é baseado em uma taxa cobrada sobre o volume de pagamentos processados. A empresa também obtém receita com produtos como antecipação de recebíveis, parcelamento e serviços ligados à sua infraestrutura.

Resende afirma que essa estrutura permite à companhia cobrar menos pelo próprio construtor de software e monetizar o cliente em outros pontos.

“Eu posso não cobrar o mais alto possível nesses planos pagos porque consigo monetizar isso em outras frentes também”, afirma.

O Hotpay aceita mais de 40 métodos de pagamento em 28 moedas e pode processar compras de consumidores de 188 países, segundo a Hotmart. A ideia é que um aplicativo criado por um empreendedor brasileiro possa nascer conectado a essa estrutura.

E qual é a mudança de posicionamento

O Launchpad também marca uma mudança no discurso da Hotmart sobre o próprio negócio.

A empresa quer deixar de ser associada principalmente à venda de cursos, e-books e outros infoprodutos para se apresentar como uma plataforma de monetização. A lógica é ampliar o tipo de negócio que pode rodar sobre sua infraestrutura: além de conteúdo, entram softwares, aplicativos, serviços, assinaturas e produtos físicos.

A mudança acompanha a estratégia de fazer dos pagamentos a base para novas frentes de crescimento.

Resende afirma que o principal modelo de negócios da Hotmart continua ligado ao volume financeiro processado pela companhia. Sobre essa estrutura, a empresa adiciona ferramentas de criação, hospedagem, streaming e, agora, desenvolvimento de software com inteligência artificial.

“A gente tem uma fundação, que são os pagamentos. Em cima, a gente coloca valor agregado de outras camadas”, afirma Resende.

Qual o desafio do novo negócio

A inteligência artificial reduz o custo para colocar um aplicativo de pé, mas cria outro problema: se qualquer pessoa consegue produzir software, a oferta também tende a aumentar.

Para um creator, portanto, gerar a ferramenta é apenas parte do trabalho. Ainda será preciso criar algo que resolva um problema e convença consumidores a pagar por ele.

O próprio Resende reconhece que a tecnologia sozinha não substitui o conhecimento de quem está por trás do produto.

Ao falar sobre ferramentas que geram conteúdo, ele afirma que o resultado se torna mais relevante quando o especialista fornece à inteligência artificial suas próprias informações e metodologia.

É uma dinâmica parecida com a que ajudou a construir a Hotmart. A plataforma pode reduzir a barreira para publicar e cobrar. O produto que encontra comprador ainda depende de quem o criou.

Hotmart Fire

O Launchpad é apresentado durante a 11ª edição do Hotmart FIRE, evento da companhia voltado à Creator Economy, a economia de criadores que transforma conteúdo, audiência e conhecimento em negócios.

Realizado entre esta quinta-feira e sábado, 12, no Expominas, em Belo Horizonte, o festival reúne cerca de 10 mil participantes, mais de 140 palestrantes, cinco palcos e mais de 100 horas de programação.

A inteligência artificial ocupa uma parte central da agenda de 2026. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, produtos digitais relacionados ao tema movimentaram mais de 200 milhões de reais em GMV, o volume bruto de vendas processadas, dentro do ecossistema da Hotmart.

Segundo a empresa, o valor representa uma alta de 354% em relação aos dois anos anteriores. No período, mais de 5.500 empreendedores venderam produtos sobre IA para 550 mil compradores únicos.

O crescimento do FIRE também acompanha a expansão desse mercado. Ao longo de 11 edições, o evento já recebeu presencialmente mais de 42 mil participantes e 770 palestrantes.

Em 2026, pessoas de mais de 30 países participam do encontro, que reúne ainda mais de 70 marcas. Entre os nomes da programação estão Terry Crews, Ryan Deiss e Giovanna Antonelli.

AutorDaniel Giussani
FonteExame
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