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InvestMercados
02/07/2026
3 min

Desaceleração do emprego nos EUA não garante que Fed não subirá juros, dizem analistas

Desaceleração do emprego nos EUA não garante que Fed não subirá juros, dizem analistas

O mais recente relatório de emprego dos Estados Unidos, o payroll, confirmou que a maior economia do mundo está perdendo tração no mercado de trabalho. A criação de 57 mil vagas não agrícolas em junho ficou abaixo das projeções do mercado, que esperavam algo em torno de 110 mil a 115 mil novos postos.

Mais do que o dado isolado do mês, as revisões para baixo dos meses anteriores cortaram outras 74 mil vagas do mapa. Essa deterioração na margem fez a média móvel de três meses despencar de 188 mil para 111 mil contratações, desenhando um cenário de desaquecimento.

Apesar do recuo na criação de vagas, a taxa de desemprego caiu de 4,3% para 4,2%. E analistas já alertam que essa aparente melhora esconde uma "armadilha" de retração da força de trabalho. O economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung, pondera sobre a "leitura mais fraca" dos números.

"O movimento foi acompanhado por queda de 0,3 ponto percentual na taxa de participação da força de trabalho, que atingiu 61,5%. Parte da melhora reflete, portanto, uma retração da oferta de trabalho, e não uma absorção mais forte de mão de obra", explica.

O fator imigração e o tombo em serviços

A explicação por trás do encolhimento da força ativa, com 1,2 milhão de pessoas deixando o mercado em junho, passa diretamente por questões regulatórias. O economista sênior do Inter, André Valério, conecta esse indicador às políticas imigratórias na Casa Branca.

"Com o forte controle imigratório imposto pelo governo Trump, a oferta de trabalho tem reduzido", avalia Valério, apontando que o aperto na fronteira justifica o desemprego mais baixo mesmo com a economia contratando menos.

Pelo lado dos setores, o detrator do mês foi o segmento de lazer e hospitalidade, que extinguiu 61 mil postos. O economista da Rio Bravo Investimentos, José Alfaix, vê que essas vagas haviam sido "provavelmente infladas em maio pela Copa e pelo Memorial Day".

"O payroll de maio dava cobertura para (o presidente do Federal Reserve, Kevin) Warsh manter juros ou subir. O de junho tira. E a inflação não cedeu. Atividade enfraquecendo com preços ainda pressionados não é o tipo de cenário que se resolve com uma direção só", detalhou Alfaix.

Juros e o dilema sem saída do Fed

A grande divergência entre as casas de análise está em como o Fed irá reagir. O relatório reduz a pressão por juros ainda mais restritivos, mas o ganho salarial de 3,5% em termos anuais ainda sinaliza uma inflação de serviços persistente e sem ganho real para os trabalhadores, conforme os especialistas.

O CEO da Azumi Investimentos, Edgar Araujo, detalha que, para o banco, "o dado aumenta a pressão por uma postura menos dura, mas ainda não resolve o dilema dos juros."

"O mercado de trabalho já mostra fissuras, mas ainda não enfraqueceu o bastante para garantir uma virada clara na política monetária. Para os ativos de risco e mercados emergentes, incluindo o Brasil, isso tende a manter a volatilidade elevada", acrescentou.

Enquanto o Inter espera a manutenção dos juros até dezembro, condicionando o corte aos próximos dados de inflação, a Suno Research adota uma postura similar, projetando juros inalterados até o fim de 2026 e relatando que o comitê aguarda por sinais mais claros de estabilidade de preços.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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