Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
Economia
30/10/2026
5 min

Desemprego cai a 5,2% no Brasil, menor taxa para um 3º trimestre desde 2012

Taxa recuou de 5,4% para 5,2% no trimestre encerrado em setembro; população ocupada atingiu recorde de 103,6 milhões de pessoas, segundo o IBGE

Desemprego cai a 5,2% no Brasil, menor taxa para um 3º trimestre desde 2012
RESUMO +

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,2% no terceiro trimestre de 2026, menor nível para o período desde o início da série histórica do IBGE, em 2012. O país tinha 5,6 milhões de desempregados e um recorde de 103,6 milhões de pessoas ocupadas. O rendimento médio do trabalho chegou a R$ 3.790.


A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,2% no trimestre encerrado em setembro de 2026, o menor nível para um terceiro trimestre desde o início da série histórica, em 2012. O resultado representa uma queda de 0,2 ponto percentual em relação ao segundo trimestre, quando a taxa estava em 5,4%.

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira, 30, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua.

Na comparação com o terceiro trimestre de 2025, quando o desemprego estava em 5,6%, houve recuo de 0,4 ponto percentual.

O Brasil encerrou setembro com 5,6 milhões de pessoas desempregadas, uma redução de 234 mil em relação ao trimestre anterior, equivalente a 4%. Em um ano, o número de desocupados caiu 6,9%, ou 417 mil pessoas.

Já a população ocupada atingiu 103,6 milhões de pessoas, o maior contingente da série histórica. O número cresceu 0,6% no trimestre, com a entrada de mais 581 mil trabalhadores, e 1,2% em relação ao mesmo período de 2025.

Construção lidera crescimento do emprego no trimestre

A construção foi o único grupamento de atividade com crescimento significativo da ocupação na comparação com o trimestre encerrado em junho.

O setor registrou alta de 2,8%, equivalente a mais 210 mil trabalhadores.

"Entre as atividades com alta na ocupação, destaca-se o crescimento no setor da Construção, que subiu 2,8% no trimestre, com mais 210 mil pessoas ocupadas", afirmou William Kratochwill, analista da pesquisa.

Na comparação anual, os maiores avanços ocorreram em transporte, armazenagem e correio, com crescimento de 6,9% e acréscimo de 411 mil trabalhadores, e no grupo que reúne administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde e serviços sociais, com alta de 2,1%, ou mais 400 mil pessoas.

O nível de ocupação, que representa a proporção de pessoas ocupadas entre aquelas em idade de trabalhar, chegou a 59%, também um recorde da série.

Número de empregadores atinge recorde de 4,5 milhões

O contingente de empregadores no Brasil chegou a 4,5 milhões de pessoas, o maior da série histórica, após crescer 4,3% no trimestre e 6,4% em um ano.

Isso representa um aumento de 184 mil empregadores em relação ao segundo trimestre e de 272 mil na comparação anual.

O número de empregados no setor público também atingiu um recorde, com 13,2 milhões de pessoas. O contingente ficou estável no trimestre, mas cresceu 2,5% em um ano, equivalente a 317 mil trabalhadores.

Segundo o IBGE, parte do avanço anual no setor público ocorreu na educação, com cerca de 45 mil trabalhadores adicionais em funções de ensino. A administração pública municipal também contribuiu para o crescimento, com aproximadamente 30 mil contratações em diferentes ocupações.

No setor privado, o número de empregados com carteira assinada, excluídos os trabalhadores domésticos, ficou em 39,4 milhões, com estabilidade tanto no trimestre quanto no ano.

Também permaneceram estáveis os contingentes de empregados sem carteira assinada (13,7 milhões), trabalhadores por conta própria (26,1 milhões) e trabalhadores domésticos (5,4 milhões).

Rendimento médio do trabalhador chega a R$ 3.790

O rendimento médio real habitual dos trabalhadores foi de R$ 3.790 no terceiro trimestre, com estabilidade em relação aos três meses anteriores.

Na comparação com o mesmo período de 2025, houve aumento de 3,6%, equivalente a R$ 131.

A massa de rendimento real habitual, que corresponde à soma dos rendimentos recebidos pelos trabalhadores, atingiu R$ 387,5 bilhões, o maior valor da série histórica.

O indicador cresceu 1,5% no trimestre, ou R$ 5,6 bilhões, e 4,7% em um ano, equivalente a R$ 17,5 bilhões.

Entre os grupamentos de atividade, o rendimento médio dos serviços domésticos avançou 3,2% no trimestre, enquanto o de outros serviços caiu 5,5%.

Desalento aumenta 7,5% apesar da queda do desemprego

Apesar da redução do desemprego, o número de pessoas que desistiram de procurar trabalho aumentou no terceiro trimestre.

A população desalentada chegou a 2,5 milhões de pessoas, alta de 7,5% em relação ao trimestre anterior, o equivalente a mais 171 mil pessoas.

Na comparação com o mesmo período de 2025, porém, houve queda de 6,8%, ou 178 mil pessoas.

Segundo William Kratochwill, o aumento trimestral do desalento reflete dificuldades para encontrar oportunidades consideradas adequadas, principalmente entre pessoas com 40 anos ou mais.

A taxa composta de subutilização da força de trabalho ficou em 13%, estável em relação aos 12,9% do segundo trimestre e abaixo dos 13,9% registrados um ano antes.

A população subutilizada somou 14,8 milhões de pessoas. Esse grupo inclui desempregados, trabalhadores que gostariam de trabalhar mais horas e pessoas que fazem parte da força de trabalho potencial.

Já a população subocupada por insuficiência de horas trabalhadas cresceu 5,2% no trimestre, para 4,3 milhões de pessoas.

Informalidade fica em 37,5% da população ocupada

A taxa de informalidade chegou a 37,5% da população ocupada, o equivalente a 38,8 milhões de trabalhadores.

No trimestre anterior, a taxa era de 37,4%, com 38,6 milhões de pessoas. No terceiro trimestre de 2025, estava em 37,8%, com 38,7 milhões.

A força de trabalho brasileira, que reúne pessoas ocupadas e desempregadas, somou 109,3 milhões de pessoas, com crescimento de 0,3% no trimestre e 0,7% em um ano.

A próxima divulgação da PNAD Contínua, referente ao trimestre encerrado em outubro, está prevista para 27 de novembro.

AutorEstela Marconi
FonteExame
Distribuído por