Desemprego cai a 5,3% no trimestre até julho — Brasil bate recorde de ocupação
Pnad mostra queda do desemprego e recorde na massa salarial, mas emprego informal ganha força

O mercado de trabalho brasileiro atingiu um novo recorde no trimestre encerrado em julho. A população ocupada chegou a 103,3 milhões de pessoas, o maior número de toda a série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), desde 2012.
O avanço da ocupação veio acompanhado de uma taxa de desemprego de 5,3%. Na comparação com o trimestre encerrado em abril, a taxa de desocupação recuou 0,5 ponto percentual, de 5,8% para 5,3%. Frente a igual período de 2025, a queda foi de 0,3 ponto, ante 5,6% um ano antes.
O número de pessoas desocupadas ficou em 5,8 milhões, 503 mil a menos do que no trimestre anterior e 299 mil abaixo do registrado um ano antes. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira, 27, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Informalidade puxa avanço da ocupação
Apesar do recorde no total de ocupados, o mercado de trabalho mostrou comportamentos diferentes entre os tipos de vínculo. O crescimento foi puxado, principalmente, pelo emprego sem carteira assinada.
O número de trabalhadores do setor privado com carteira permaneceu praticamente estável tanto na comparação trimestral quanto na anual, em 39,4 milhões de pessoas, também o maior nível da série histórica.
Já os empregados sem carteira avançaram 3,6% em três meses, com 477 mil novas vagas, chegando a 13,8 milhões de trabalhadores.
Com o avanço da informalidade, a taxa de trabalhadores informais subiu para 37,5% da população ocupada, ante 37,2% no trimestre anterior. O contingente chegou a 38,8 milhões de pessoas.
A força de trabalho total também atingiu recorde, com 109,2 milhões de pessoas. O resultado reflete, entre outros fatores, a redução da população que havia desistido de procurar emprego.
Número de pessoas 'subutilizadas' recuou
A melhora do mercado de trabalho também apareceu nos indicadores de subutilização. A taxa composta, que reúne desempregados, subocupados por insuficiência de horas e pessoas na força de trabalho potencial, caiu para 13%, 0,8 ponto percentual abaixo do trimestre anterior.
O número de pessoas subutilizadas recuou para 14,9 milhões, uma redução de 819 mil pessoas em três meses. Já a população desalentada, formada por pessoas que desistiram de procurar emprego, ficou em 2,3 milhões. O contingente caiu 9,7% na comparação trimestral e 14,1% em um ano.
Renda fica estável, mas massa salarial bate recorde
O rendimento médio real habitual ficou em R$ 3.762, sem variação significativa em relação ao trimestre encerrado em abril. Na comparação anual, porém, houve alta de 3,3%, frente aos R$ 3.643 registrados um ano antes.
A massa de rendimento real habitual chegou a R$ 383,5 bilhões, novo recorde da série histórica. O valor cresceu 4,1% em 12 meses, um acréscimo de R$ 15,1 bilhões.
Entre os setores, Alojamento e Alimentação foi o único a apresentar variação relevante no rendimento na comparação trimestral, com queda de 5,1% ou R$ 128.
No confronto anual, Outros Serviços registraram a maior alta, de 6,6%, seguidos pela Indústria, com avanço de 4,7%. Os Serviços Domésticos tiveram aumento de 4,1% no rendimento médio, apesar da redução no número de ocupados.
Por posição na ocupação, o rendimento dos trabalhadores com carteira assinada cresceu 2,5% em um ano. Entre trabalhadores domésticos e por conta própria, a alta foi de 4,1% em ambos os casos.
Construção lidera criação de vagas
Na comparação com o trimestre anterior, o setor de Construção foi o único a registrar variação relevante no número de ocupados. Foram 371 mil vagas adicionais, alta de 5,1%.Em 12 meses, a Construção também ficou entre os setores que mais ampliaram a ocupação, com 308 mil postos adicionais.
Na sequência aparecem Transporte, Armazenagem e Correio, com 321 mil novas vagas; e Administração Pública, Defesa, Seguridade Social, Educação, Saúde e Serviços Sociais, com 438 mil postos.
Na outra ponta, os Serviços Domésticos perderam 229 mil ocupações no período de um ano, queda de 4%.
