Desmatamento cai na Amazônia e 588 áreas protegidas ficam intactas no semestre

Mais de 80% das áreas protegidas da Amazônia não registraram desmatamento no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento divulgado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Das 721 áreas monitoradas entre janeiro e junho, 588 permaneceram intactas, o equivalente a 330 terras indígenas e 258 unidades de conservação.
O resultado acompanha a menor área de floresta derrubada no primeiro semestre dos últimos oito anos. No período, as áreas protegidas responderam por apenas 97,37 quilômetros quadrados (km²) de desmatamento, o que representa 8% de toda a devastação registrada na Amazônia. Desse total, 9,38 km² ocorreram em terras indígenas e 87,99 km² em unidades de conservação.
Segundo o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Imazon, apenas uma terra indígena e sete unidades de conservação tiveram mais de 1 km² de floresta derrubada entre janeiro e junho.
O principal foco de desmatamento em áreas protegidas foi a Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, no Pará, responsável sozinha por 47,85 km² de floresta derrubada no semestre — cerca de metade de todo o desmatamento registrado nessas áreas.
Segundo o Imazon, a perda equivale a quase 5 mil campos de futebol, ou uma média de 25 campos desmatados por dia.
Também figuram entre as áreas mais afetadas a Floresta Nacional (Flona) de Altamira, com 12,51 km² desmatados, a APA do Tapajós (4,01 km²), a Reserva Extrativista (Resex) Guariba-Roosevelt (3,47 km²) e a Flona do Jamanxim (3,45 km²).
A Flona do Jamanxim ganhou destaque nas últimas semanas após o Senado aprovar um projeto de lei que reduz sua área.
"A aprovação desse projeto mostra que o Congresso Nacional está legislando para favorecer um pequeno grupo de pessoas que invadiu ilegalmente essa unidade de conservação após sua criação, em 2006", afirmou Brenda Brito, coordenadora do Programa de Direito e Sustentabilidade do Imazon.
"As unidades de conservação são importantíssimas para conter o desmatamento e combater a crise climática. Por isso, esse projeto precisa ser vetado pela Presidência."
Desmatamento recua em relação a 2025
Em toda a Amazônia, foram desmatados 1.145 km² de floresta entre janeiro e junho de 2026, uma redução de 10% em relação ao mesmo período do ano passado.
Na comparação histórica, a queda é ainda mais expressiva. Segundo o Imazon, o desmatamento do primeiro semestre de 2026 foi 76% menor do que o registrado em 2022, quando o sistema de monitoramento do instituto identificou o maior nível de devastação desde o início da série histórica, em 2008.
"Precisamos seguir nessa redução até atingirmos a meta de desmatamento zero para 2030", afirmou Larissa Amorim, coordenadora do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Imazon.
No chamado calendário do desmatamento — que considera o período entre agosto e julho por causa do regime de chuvas na Amazônia — foram registrados 2.258 km² de floresta derrubada entre agosto de 2025 e junho de 2026. O volume representa queda de 28% em relação ao ciclo anterior e de 75% frente ao período entre agosto de 2021 e junho de 2022, quando a região registrou recorde de devastação.
Em junho, isoladamente, o desmatamento caiu 5%, passando de 326 km² em 2025 para 309 km² neste ano.
Degradação florestal também diminui
Além da redução do desmatamento, o levantamento aponta queda na degradação florestal — dano causado principalmente pela extração de madeira e pelas queimadas.
Em junho, a área degradada recuou 55%, de 207 km² para 94 km². No acumulado do primeiro semestre, a redução foi de 86%, enquanto no calendário do desmatamento a queda chegou a 93%.
Apesar da redução observada na maior parte da Amazônia Legal, Pará, Mato Grosso e Amazonas continuam concentrando as maiores áreas desmatadas no período entre agosto de 2025 e junho de 2026.
O Pará lidera o ranking, com 684 km² de floresta derrubada, seguido por Mato Grosso (509 km²) e Amazonas (378 km²).
Segundo o Imazon, apenas Roraima e Maranhão registraram aumento do desmatamento no período, de 25% e 20%, respectivamente.
"Esses territórios com aumento na derrubada florestal precisam intensificar suas políticas de combate ao desmatamento com urgência, tanto federais quanto estaduais", afirmou Raíssa Ferreira, pesquisadora do Programa de Monitoramento da Amazônia do instituto.
Para Manoela Athaide, também pesquisadora do Imazon, os estados com maiores áreas desmatadas precisam ampliar as ações de fiscalização. "Apesar desses três estados terem registrado quedas no desmatamento, eles possuem grandes áreas florestais e precisam fortalecer suas ações de fiscalização e punição para evitar novas derrubadas", disse.
