DHL investe R$ 270 milhões para dobrar rede no Brasil e já entrega nos EUA em 48 horas
Empresa já tem 42 pontos de atendimento no país e vê espaço para crescer com remessas internacionais de pessoas e microempresas

RESUMO +
A empresa de transporte expresso internacional DHL Express quer ampliar sua rede no Brasil de 42 pontos, alcançados em setembro, para 45 até o fim de 2026 e 75 lojas até 2030. A expansão mira consumidores e pequenos negócios exportadores, com foco no Nordeste. O plano prevê mais de R$ 270 milhões para infraestrutura local.
A DHL Express quer quase dobrar sua presença física no varejo brasileiro nos próximos quatro anos. A empresa, que chegou a 42 pontos de atendimento no país em setembro, pretende abrir mais três unidades até o fim de 2026 e alcançar 75 lojas até 2030.
O crescimento físico é respaldado por um plano de investimentos de mais de R$ 270 milhões para aprimorar a infraestrutura de rede local.
A expansão mira principalmente consumidores e pequenos negócios que precisam enviar mercadorias para o exterior. A estratégia faz parte de um movimento maior da companhia para ficar mais próxima dos clientes e ampliar o acesso a serviços de transporte internacional.
“Brasil é um dos maiores mercados da América Latina. Existe uma enorme oportunidade de acelerar o crescimento no país e dar a todos os nossos clientes a possibilidade de enviar internacionalmente, que é o nosso negócio principal”, afirma Sara Garcia, head de varejo da DHL para as Américas.
A companhia também vê espaço para avançar em regiões ainda menos atendidas por sua rede, especialmente no Nordeste. Há cerca de um ano, a DHL tinha entre 20 e 21 pontos no Brasil. Desde então, praticamente dobrou a quantidade de unidades.
A estratégia de expansão das lojas não está voltada apenas para grandes empresas. A DHL quer capturar uma demanda que começa em operações muito menores, de pessoas físicas a empreendedores que fazem suas primeiras vendas internacionais.
A lógica é usar a estrutura física como uma porta de entrada para o comércio exterior. Um pequeno empresário pode chegar a um ponto da DHL com uma mercadoria e receber orientação sobre documentação, alfândega e requisitos para enviá-la a outro país.
“Uma das principais diferenças ou competências da DHLsão nossas pessoas. São especialistas internacionais treinados, que entendem de alfândega e dos processos de ponta a ponta. O cliente chega ao ponto de atendimento e diz ‘quero enviar isso para esse lugar’, e nós fazemos toda a parte por trás para levar a remessa da origem ao destino”, explica Garcia.
A DHL afirma que consegue atender clientes em mais de 220 países e territórios.
O movimento também acontece em um momento em que a empresa vê o Brasil como uma oportunidade relevante de crescimento. Em março, o CEO da DHL no país, Eric Brenner, afirmou à EXAME que mudanças no comércio internacional e a chegada de empresas estrangeiras estavam alterando o papel do Brasil nas cadeias de distribuição.
A companhia passou a enxergar aeroportos como Guarulhos e Viracopos como hubs para distribuição de mercadorias diretamente a outros países da América Latina.
A expansão física da DHL também começa a mudar a distribuição geográfica da rede. Segundo Garcia, parte das novas unidades abertas no último ano está no Nordeste, região que continuará entre os focos da companhia na próxima etapa.
“Essa é uma área importante para nós. Definitivamente consideramos o Nordeste como parte da nossa expansão porque vemos muita oportunidade ali, e no próximo ano ele estará entre as principais regiões de foco”, afirma. A empresa não detalha, no entanto, quantas das 33 novas lojas previstas até 2030 ficarão na região.
Garcia também não considera a operação no Nordeste um desafio específico de logística. Segundo ela, a decisão de abrir um ponto é tomada quando a DHL já possui uma rede capaz de sustentar a coleta e o transporte das remessas.
“Quando decidimos começar a operar um ponto de atendimento, é porque temos uma rede da DHL para dar suporte àquela região”, diz.
A expansão coloca a DHL em uma disputa que inclui empresas como Correios e Loggi, mas a companhia afirma que não pretende competir apenas por preço.
O principal argumento é a velocidade do serviço expresso internacional. “A DHL é uma empresa expressa. Nosso principal diferencial são os tempos de trânsito. Como uma companhia expressa, nosso principal diferencial é a velocidade”, afirma Garcia.
Segundo ela, uma das principais rotas da empresa é entre Brasil e Estados Unidos, com entregas que podem ocorrer em cerca de 48 horas. A estratégia é particularmente relevante para pequenos negócios que começam a vender fora do país e precisam cumprir prazos de entrega mais próximos dos padrões do comércio eletrônico internacional.
A expansão acontece também em meio às mudanças nas regras comerciais entre Brasil e Estados Unidos, que afetaram exportadores de diferentes portes.
Segundo Garcia, as alterações tarifárias aumentaram a complexidade das operações, mas também reforçaram a importância do serviço de orientação prestado pela DHL.
“Mesmo com essa situação e as mudanças nas tarifas, continuamos crescendo dois dígitos no Brasil e acelerando o crescimento”, afirma.
A executiva diz que os clientes têm buscado a empresa para entender quais documentos, licenças e exigências precisam ser cumpridos para cada remessa.
“Os clientes valorizam o aconselhamento. Com a orientação correta, dizemos a eles: a partir desta data, estas são as novas regras e exigências para enviar aos Estados Unidos”, afirma.
O varejo é só parte da aposta
A expansão das lojas acontece em paralelo a investimentos em infraestrutura e em novos segmentos da logística internacional.A DHL vê o Brasil deixando de ser apenas destino de mercadorias para assumir um papel maior na distribuição regional.
Mudanças regulatórias permitiram que aeroportos como Guarulhos e Viracopos operem cargas em trânsito, possibilitando consolidar ou separar mercadorias no próprio país antes de enviá-las para outros mercados da América Latina, sem que elas precisem entrar formalmente no Brasil.
O movimento também acompanha a expansão de empresas chinesas no país. Montadoras como BYD e Great Wall Motors ampliam a produção local, enquanto plataformas de comércio eletrônico como Alibaba, Shein e Temu aumentam a presença no mercado brasileiro.
A mudança também abre novas frentes, como a logística especializada para data centers, que exige transporte de servidores e outros equipamentos sensíveis. A DHL prepara um centro de competência no Brasil para atender esse mercado.
