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14/10/2026
4 min

Dia do lixo eletrônico: na Vivo, aposta é escalar o 'trabalho de formiguinha'

Programa criado em 2006 já recolheu 232 toneladas de resíduos; nova campanha busca enfrentar a baixa adesão à reciclagem de aparelhos no país

Dia do lixo eletrônico: na Vivo, aposta é escalar o 'trabalho de formiguinha'

Um MP3 player antigo atravessa a cidade carregado por um grupo de formigas até chegar a uma loja da Vivo. É a imagem escolhida pela operadora para tentar colocar um problema ambiental pouco visível no cotidiano do consumidor no centro da conversa: o que fazer com celulares, carregadores e outros eletrônicos depois que deixam de ser usados.

Nesta quarta-feira, 14 de outubro, Dia Internacional do Lixo Eletrônico, a Vivo lança uma campanha para marcar os 20 anos do Vivo Recicle, programa de coleta de resíduos eletroeletrônicos da companhia.

Com o conceito “O trabalho é de formiguinha, mas o resultado é gigante”, a ação troca a linguagem técnica da economia circular por uma animação inspirada na cultura pop e na estética dos anos 2000.

A campanha parte de um problema ainda distante da rotina de parte dos consumidores. Segundo dados da Green Eletron, a maioria brasileiros ainda não sabem como descartar equipamentos eletrônicos antigos, enquanto 25% acreditam não ter responsabilidade sobre esse processo.

Ao mesmo tempo, pouco mais de 3% do resíduo eletrônico gerado no Brasil é reciclado, segundo dados do setor apresentados pela companhia.

A aposta da Vivo é colocar a ação individual no centro da comunicação.

“As pessoas querem ajudar, mas falta saber por onde começar. Nossa campanha mostra que cada gesto individual gera uma transformação gigante”, afirma Sabrina Romero, diretora de Marca e Comunicação da Vivo.

A executiva diz que a iniciativa faz parte da estratégia de sustentabilidade da empresa. Na prática, a campanha tenta reduzir uma das barreiras da circularidade: fazer o consumidor entender que o fim da vida útil de um aparelho também envolve uma decisão sobre seu destino.

Da nostalgia dos anos 2000 ao descarte eletrônico

Criada pela Africa Creative, a campanha apresenta um grupo de formigas que transporta um MP3 player até uma loja da Vivo, onde o equipamento é encaminhado para descarte.

O aparelho também funciona como referência ao período em que o próprio programa começou. O Vivo Recicle foi criado em 2006, antes da implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos. “Sabíamos que, para falar de reciclagem eletrônica, precisávamos criar uma narrativa capaz de despertar curiosidade e encantamento”, afirma Heloisa Pupim, co-COO da Africa Creative.

Segundo ela, a escolha foi criar personagens com personalidades, humor e até um idioma próprio para tornar o tema mais acessível. A estratégia não fica restrita ao filme. A campanha será distribuída em cinema, televisão, redes sociais e lojas da operadora, que também funcionam como pontos de coleta do programa.

Nas redes, um dos formatos previstos é o “Formiguinha Responde”, série de conteúdos em que os personagens explicam dúvidas relacionadas à reciclagem e à economia circular, modelo baseado na redução de resíduos e no reaproveitamento de materiais ao longo da cadeia produtiva.

232 toneladas recolhidas em duas décadas

Desde a criação do programa, a Vivo afirma ter coletado mais de 5,3 milhões de itens, equivalentes a 232 toneladas de resíduos eletrônicos.

Somente em 2025, foram recicladas 45 toneladas. Segundo a empresa, os materiais recolhidos são processados e transformados em matéria-prima para a indústria.

A companhia também estabeleceu uma meta voluntária de atingir 375 toneladas de resíduos eletroeletrônicos coletados até 2035.

O número evidencia, ao mesmo tempo, a escala acumulada pelo programa e o tamanho do desafio de ampliar esse tipo de prática em um mercado no qual a circulação de dispositivos eletrônicos continua crescendo, enquanto a reciclagem ainda alcança uma fração pequena dos resíduos gerados.

A discussão sobre circularidade, nesse caso, passa não apenas pela capacidade de reciclagem das empresas, mas pela criação de canais de devolução e pela adesão dos consumidores a esses sistemas.

Escolas entram na estratégia de coleta

Nos últimos anos, o programa também passou a usar escolas como espaço para ações de educação e arrecadação de resíduos.

Em 2026, iniciativas realizadas em parceria com o voluntariado da Fundação Telefônica Vivo envolveram cerca de 32 mil alunos e educadores de 33 escolas públicas, distribuídas por 12 cidades brasileiras.

As ações resultaram na arrecadação de 37 toneladas de resíduos eletroeletrônicos, segundo a companhia. Neste ano, o programa também começou a ser levado para escolas particulares, inicialmente em instituições de São Paulo e Curitiba.

A escolha pelo ambiente escolar adiciona outra frente à estratégia: aproximar crianças e jovens do debate sobre o destino dos dispositivos que fazem parte de seu cotidiano. É também nesse público que a campanha busca ganhar espaço ao recorrer a personagens, humor e referências da cultura pop para discutir um tema que, fora das datas dedicadas ao lixo eletrônico, ainda costuma aparecer pouco na rotina do consumidor.

AutorLetícia Ozório
FonteExame
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