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27/05/2026
5 min

Dia Livre de Impostos mostra peso da tributação no bolso dos brasileiros

Dia Livre de Impostos mostra peso da tributação no bolso dos brasileiros

Filas em postos de gasolina, consumidores esperando a madrugada virar e produtos desaparecendo rapidamente das prateleiras. A cena, registrada nas primeiras edições do Dia Livre de Impostos (DLI), há quase 20 anos, ajudou a transformar um tema técnico em algo concreto: o peso dos tributos no bolso do brasileiro.

Criado em Belo Horizonte, o movimento propõe uma experiência simples e direta — vender produtos sem repassar os impostos ao consumidor para revelar quanto da conta diária vai, de fato, para os cofres públicos.

A edição de 2026 do Dia Livre de Impostos acontece em 28 de maio em diferentes cidades do país e chega em um momento simbólico. A escolha do mês faz referência ao período do ano em que, na prática, o brasileiro teria trabalhado apenas para pagar impostos antes de começar a gerar renda para si próprio.

O debate ganha ainda mais relevância diante do aumento da carga tributária brasileira, que atingiu 32,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, segundo dados do Tesouro Nacional — o maior patamar em mais de duas décadas.

Apenas nos quatro primeiros meses de 2026, o Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) já registrava mais de R$ 1,3 trilhão arrecadados em tributos federais, estaduais e municipais.

"32,4% do PIB foi a carga tributária brasileira em 2025, a maior em mais de 20 anos"

Idealizado em 2007 pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), por meio da CDL Jovem, o DLI ganhou dimensão nacional ao longo dos anos em parceria com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Hoje, a ação reúne varejistas de diferentes segmentos em torno de uma pauta que mistura consumo, renda, ambiente de negócios e percepção sobre serviços públicos.

“Tradicionalmente conhecido pela venda de produtos sem o valor dos impostos, o DLI utiliza essa experiência prática para mostrar, de forma clara e acessível, o peso dos impostos no dia a dia da população e na operação das empresas”, afirma Marcelo de Souza e Silva, presidente da CDL/BH.

"Quando o consumidor enxerga a diferença no preço, passa a entender melhor o sistema tributário"Marcelo de Souza e Silva, presidente da CDL/BH

Do combustível ao cafezinho

O impacto da tributação aparece em praticamente toda a rotina do brasileiro. Está no pão francês da padaria, na conta de luz, no streaming, no combustível, no prato feito do almoço e até em produtos básicos de higiene pessoal.

Em refeições feitas fora de casa, por exemplo, os tributos podem representar entre 12% e 25% do valor pago pelo consumidor, dependendo do produto e do regime tributário do estabelecimento. Já itens de higiene pessoal carregam percentuais ainda mais elevados. Segundo dados do Impostômetro, o perfume nacional chega a ter 66% do preço composto por impostos. Shampoo, sabonete, desodorante e papel higiênico também superam facilmente os 30%.

A carga tributária pesa também sobre bens duráveis. Em eletrodomésticos da chamada linha branca, como geladeiras, fogões e máquinas de lavar, a incidência total pode variar entre 35% e 45% do valor final do produto, segundo dados da Eletros, entidade que representa a indústria de eletroeletrônicos.

“Quando os impostos encarecem itens essenciais, como alimentação, produtos de higiene e eletrodomésticos, quem perde é o consumidor, que reduz o consumo e compromete uma parcela importante da renda com tributos invisíveis”, afirma o presidente da CDL/BH.

Quanto do preço vira imposto?
Gasolina: cerca de 36% do valor final
Perfume nacional: 66,18%
Desodorante: 43,36%
Shampoo: 39,72%
Papel higiênico: 36,98%
Chuveiro elétrico: 34,58%
Creme dental: 31,22%

Fonte: Impostômetro/IBPT

Gasolina sem imposto vira símbolo do movimento

Entre as ações mais emblemáticas do DLI está a venda de combustíveis sem tributos — iniciativa que ajudou a popularizar o movimento ainda nos primeiros anos.

Em Belo Horizonte, a edição deste ano terá gasolina vendida a R$ 3,64 o litro e diesel a R$ 5,62, valores sem a incidência dos impostos normalmente cobrados. Atualmente, a tributação representa cerca de 36% do preço final dos combustíveis.

Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a gasolina era vendida, em média, a R$ 5,89 na capital mineira no início de maio, enquanto o diesel custava R$ 7,06.

Com a retirada dos tributos, um motorista que normalmente gastaria R$ 194 para abastecer pagará R$ 120. Já no caso do diesel, o abastecimento poderá gerar economia de até R$ 140.

A ação será realizada no Posto Oceano, no bairro Barro Preto, com distribuição limitada de combustível e abastecimento por ordem de chegada — cenário que deve repetir as filas que marcaram edições anteriores.

“A venda do combustível sem a incidência tributária revela o impacto direto que os impostos têm sobre os preços”, diz Marcelo de Souza e Silva. “Queremos chamar a atenção para a alta carga tributária e para a burocracia fiscal, que penalizam o consumo e prejudicam o ambiente de negócios.”

"Mais de 1.500 empresas participam do Dia Livre de Impostos em Belo Horizonte"

Mais do que desconto

Embora o movimento costume atrair consumidores pelas filas e pelos preços reduzidos, o objetivo do DLI vai além das vendas de um único dia. Para os organizadores, a proposta central é ampliar a compreensão sobre o funcionamento da tributação brasileira e seus impactos sobre consumo, renda e competitividade.

Em Belo Horizonte, mais de 1.500 empresas aderiram à edição deste ano. Participam supermercados, farmácias, óticas, bares, restaurantes, lojas de roupas, papelarias, pet shops e empresas de material de construção.

“O DLI começa antes do dia 28. Ele se constrói com o engajamento dos empresários e com a conscientização da sociedade. Nosso objetivo não é apenas gerar vendas em um dia, mas ampliar a compreensão sobre o peso dos tributos no cotidiano”, afirma Silva.

 

AutorEXAME Solutions
FonteExame
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