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Mercado ImobiliárioFIIBDR
04/11/2026
5 min

Diária de imóveis de temporada em Brasília sobe 42% com a posse de Lula

Reservas para as noites da cerimônia já ocupam 77% dos imóveis monitorados, ante 6% a 7% um ano antes, segundo a ABLT

Diária de imóveis de temporada em Brasília sobe 42% com a posse de Lula
RESUMO +

A posse de Lula em 2027, marcada para terça-feira, 5 de janeiro, já tem 77% dos imóveis monitorados em Brasília reservados para as noites de 4 e 5 de janeiro, segundo a Associação Brasileira de Locação por Temporada (ABLT). A diária anunciada subiu 42%, para R$ 340, enquanto o valor médio das reservas fechadas avançou 31%, para R$ 315.

A posse de Luiz Inácio Lula da Silva para o quarto mandato já movimenta o mercado de locação por temporada em Brasília. A dois meses da cerimônia, cerca de 77% dos imóveis monitorados estão reservados para as noites de 4 e 5 de janeiro de 2027, ante 6% a 7% no mesmo ponto do calendário um ano antes.

A cerimônia acontece na terça-feira, 5 de janeiro, eserá a primeira posse presidencial fora do 1º de janeiro desde a Constituição de 1988, por causa da Emenda Constitucional 111, de 2021. Os governadores assumem no dia seguinte, 6 de janeiro.

Os números são de um levantamento da Associação Brasileira de Locação por Temporada (ABLT), feito com base em dados da Beyond, empresa de precificação e inteligência de mercado para o setor.

A ocupação antecipada já é aproximadamente o dobro da ocupação final registrada nas mesmas datas em janeiro de 2026, que ficou perto de 38%. Antes mesmo de as reservas de última hora entrarem na conta, o mercado já superou com folga o desempenho de um início de ano comum.

O que muda com a posse fora do Réveillon

Até 2023, a posse disputava espaço com as viagens de fim de ano. Quem ia a Brasília para a cerimônia precisava abrir mão da virada em outro destino, e os governadores eleitos tomavam posse no mesmo dia, em seus estados, o que dificultava a presença na capital federal.

Com a separação das datas, a semana da posse passou a funcionar como um evento próprio no calendário da hotelaria e da locação por temporada. Na base monitorada pela ABLT, a noite de 31 de dezembro está com cerca de 29% de ocupação, menos da metade dos 77% das noites da posse.

"A separação das datas cria dois momentos distintos de demanda e permite que a viagem para a posse seja organizada depois das celebrações de Réveillon", afirmou William Astolfi, presidente da ABLT, à EXAME.

Para a associação, o intervalo entre as duas datas abre uma janela de movimentação para a locação por temporada e para a economia local depois da virada do ano.

As reservas formam um pico concentrado. A ocupação está perto de 49% na noite de 3 de janeiro, sobe para cerca de 77% nos dias 4 e 5 e recua para 43% no dia 6, data da posse dos governadores. A partir daí, a demanda perde força rapidamente: cerca de 23% no dia 7 e 14% no dia 8.

O desenho combina com a duração das estadias. A mediana das reservas fica entre uma e três noites, a depender do recorte analisado. Os anfitriões exigem, em média, um mínimo de 2,3 noites por reserva, indicador que reflete a política de quem anuncia, não necessariamente o tempo que o hóspede efetivamente fica.

Por região, o Plano Piloto, área central da capital, tem ocupação próxima de 79%. Algumas outras áreas monitoradas já passam de 80%.

A associação, porém, evita cravar lotação máxima. "Seria prematuro assegurar ocupação próxima de 100%. A evolução dependerá do ritmo das novas reservas, dos preços praticados e da oferta disponível até janeiro", disse Astolfi.

Como referência, a noite da posse de 2023 chegou perto de 90% de ocupação. A ABLT ressalva que a comparação direta não permite calcular crescimento, já que o número de 2023 é a ocupação final, enquanto o de 2027 ainda reflete apenas reservas antecipadas.

Preço pedido sobe 42%; preço pago, 31%

A demanda concentrada já se reflete no preço, mas o levantamento mede essa alta de duas formas, e elas não coincidem.

A primeira é a diária anunciada, ou seja, o valor que o anfitrião pede na plataforma. Para as noites de 4 e 5 de janeiro, ela está perto de R$ 340, ante cerca de R$ 240 nas mesmas datas do ano anterior, alta de aproximadamente 42%.

A segunda é a diária das reservas já fechadas, que mostra quanto o hóspede de fato aceitou pagar. Nesse caso, a média é de cerca de R$ 315, um aumento próximo de 31% na comparação anual.

Na prática, quem já garantiu hospedagem para a posse está pagando, em média, cerca de R$ 25 por noite a menos do que os anfitriões pedem hoje. A ABLT reforça que o valor anunciado não é necessariamente o efetivamente pago, distinção relevante em um mercado que trabalha com precificação dinâmica, ajustando valores conforme a procura.

Há imóveis anunciados bem acima da média, mas a associação pondera que localização, capacidade e padrão pesam no valor. "Uma diária superior à média, isoladamente, não permite concluir que a cobrança seja excessiva", afirmou Astolfi.

Os dados, no entanto, sugerem um limite. O segmento de diárias mais altas tem ocupação próxima de 53%, abaixo dos cerca de 77% do conjunto monitorado. A ABLT afirma que a diferença não pode ser atribuída apenas ao preço, já que esses imóveis também diferem em tamanho, localização e padrão.

Com o pico de demanda já desenhado, o comportamento das reservas até janeiro vai depender principalmente da calibragem de preços. Valores desalinhados com o imóvel e com as alternativas disponíveis podem travar reservas, segundo a ABLT, que trata esses casos como isolados.

AutorLetícia Furlan
FonteExame
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